Controle absoluto

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Eagle eye, 2008. De DJ Caruso. Com Shia LaBeouf, Michelle Monaghan, Rosario Dawson e Billy Bob Thornton. 118min. *

Falando em mediocridade, nada como uma manhã de quarta-feira na companhia de DJ Caruso.

DJ Caruso. Vejam isso. Um nome, mil piadas prontas.

Então olha lá: depois de samplear Hitchcock em Paranóia, agora o sujeito faz um remix poperô farofa-fa esquema Ibiza de uma infinita lista de genéricos do cinema de ação. De Inimigo de estado a Duro de matar 4.0, o espectador mais desocupado pescará uma série de semelhanças entre Controle absoluto e filmes que nunca fizeram tanta diferença assim.

A primeira hora, por exemplo, é quase idêntica à de O procurado. O típico caso do zé-ninguém que se descobre no meio de uma conspiração internacional, extraordinária, perigosa, excitante e apocalíptica. E a segunda metade… Bem, aí o filme vira meio que uma auto-paródia, quase uma versão de 2001 – Uma odisséia no espaço dirigida por David Zucker.

E lá no material de divulgação vem escrito que Steven Spielberg tenta emplacar essa premissa há nada menos que uma década. Duvido. Deve ser intriga da equipe de marketing.

Em Controle absoluto, os personagens vivem as mais incríveis perseguições quando se descobrem alvo de uma voz feminina que tudo pode, tudo faz e tudo quer. Me pergunto: se ela pode absolutamente tudo, não haveria como capturar o Shia LaBeouf sem provocar quase que uma guerra civil em pleno perímetro urbano?

Tem mais. Num certo momento da trama, um personagem diz a seguinte frase: “Algumas medidas usadas pelo governo para garantir a liberdade do povo acabam ferindo essa mesma liberdade.” Ok, acho que até o George W. Bush captou a mensagem.

Eu gosto de nonsense, e sei que você gosta de nonsense. Mas como é que DJ Caruso dirige esse filme B? Com a atmosfera impessoal e descolorida de um episódio de seriado policial. Com um olhar robótico que acaba combinando com os vilões da trama. Com a eficiência de quem vai lá e faz o trabalho. Com alguma frieza, apatia, distanciamento – duvido que intencional. Controle absoluto é um hit que já nasce requentado, cambaleando na pista vazia.

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