Mês: janeiro 2009

March of the Zapotec/Holland EP | Beirut

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beirutcapaAs aventuras de Zach Condon, partes 3 & 4.

E assim aconteceu: depois de dar a volta ao mundo sem sair do próprio quarto, nosso herói do Novo México fez as malas, comprou passagens, carimbou o passaporte, encontrou pessoas e conheceu lugares.

A jornada não chegou ao fim. Mas desconfio que ele descobrirá, como no desfecho de uma fábula para crianças, que as paisagens não transformaram aquele menino das tardes monótonas na cidade de Santa Fé: inseguro, terrivelmente romântico, um tenor embriagado.

Os dois álbuns do Beirut (o projeto global/caseiro de Zach) narram tramas absolutamente diferentes. Ao mesmo tempo, são gêmeos. O primeiro, Gulag orkestar, simula uma orquestra de sopro dos Bálcãs. O segundo, The flying club cup, vai à França dos anos 20. O elo entre esses dois planetas é a performance vocal de Zach: lânguida, quebradiça (e aposto que, para muita gente, insuportavelmente chorosa), ela tem o peso de uma assinatura. 

Os EPs March of the Zapotec e Holland confirmam a impressão de que, neste longo diário de viagem, o narrador observa o mundo com um certo distanciamento. No primeiro, Zach compõe melodias (bem típicas do repertório dele) para uma banda mexicana de marchas fúnebres (resultado de uma viagem a Oaxaca). No segundo, retorna a um projeto de adolescência, o Realpeople, em embarca numa trip eletrônica.

Os projetos poderiam ter servido para demonstrar a versatilidade do músico (e ele também gravava canções de doo wop!), mas fazem o oposto disso: apesar de dividido em duas partes, o disco preserva uma lógica que só pode ser explicada pelo método de composição de Zach. Quem reclama da uniformidade meio monótona das faixas (mesmo quando comparamos uma faixa eletrônica a um lamento mexicano), de certa forma, tem razão. 

As novas experiências podem até modificar a superfície da música do Beirut (e o cristalino Holland parece até um disco de remixes de canções que conhecemos), mas não alteram o método de Zach. A estreia Gulag orkestar (gravada dentro de um quarto) ainda sobrevive como o momento mais criativo do cantor.

O que não deixa de ser curioso: o Beirut não se transforma na mesma velocidade como se movimenta entre culturas estrangeiras. É um processo mais complicado, uma viagem interna, e os EPs não escondem essa dificuldade.

Dois EPs do Beirut. 11 faixas, com produção de Zach Condon. Ba Da Bing Records. March of the Zapotec: 6/10; Holland: 6.5/10.

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Minha vida de sitcom

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Assistindo a Mad Men (que é mesmo tudo aquilo que dizem), volto a me perguntar: por que ninguém ainda pensou em criar uma série de tevê decente, dessas com a grife da HBO, sobre a vida numa redação de jornal de um país subdesenvolvido?

Se precisarem de um candidato para escrever o piloto…

Foi apenas um sonho

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Revolutionary Road

Revolutionary road, 2008. De Sam Mendes. Com Kate Winslet, Leonardo DiCaprio e Michael Shannon. 119min. 5.5/10

Em Foi apenas um sonho, Sam Mendes retorna aos subúrbios norte-americanos. E lá se vão nove anos desde Beleza americana.

A comparação pode parecer daquelas absolutamente óbvias, mas não fica só na superfície das coisas. São dois filmes em que o diretor britânico revela as duras verdades que se escondem sob as aparências de bairros organizados, caros, com cercas brancas e casas espaçosas.

A diferença é que o novo é um filme ambientado em 1955. Mas as verdades (melhor: as verdades de Mendes) continuam intocadas: a vida padronizada e aborrecida dos ricos, enfurnados naqueles paraísos artificiais onde nada acontece, só pode mesmo ser um tédio sem fim.

Poderíamos levar o filme como uma simples adaptação literária da obra de Richard Yates (que estou lendo e parece muito boa), mas Beleza americana altera a perspectiva. O discurso de Yates é resgatado como que para garantir um selo de qualidade ao olhar de Mendes.

O que o livro parece ter de mais poderoso (ainda estou no início, não posso concluir nada), pelo menos, o filme tenta preservar. É que, acima da crítica ao conservadorismo ou ao american way of life, Yates narra o apodrecimento do amor – e de uma forma tão detalhada e agonizante que talvez só John Cassavetes teria conseguido evocar com igual intensidade a frustração experimentada por este casal perfeitinho, perdidinho.

Mendes acena para o livro (mas não para Cassavetes) quando concentra grande parte da narrativa entre quatro paredes, em embates verbais entre DiCaprio e Winslet. Os dois dão conta do recado (ela mais que ele), ainda que cada cena pareça desenhada para ser exibida como clipe em cerimônia de premiação.

Aliás, parece até incoerente que um cinema tão controlado, tão polido, venha com essa de atacar a frágil segurança das redomas de felicidade made in USA, de filmar personagens aprisionados nas próprias rotinas. Talvez isso explique a obsessão de Mendes pelo tema: quando se libertar de tanta convenção, quem sabe, encontrará um cinema mais livre.

Rebobine, por favor

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kind

Be kind rewind, 2008. De Michel Gondry. Com Jack Black, Mos Def, Danny Glover e Mia Farrow. 102min. 7/10

Rebobine, por favor é filme de diretor de videoclipe. É sim. Disso não há como fugir.

Cada cena sugere uma ideia chamativa, um artifício engraçadinho, uma brincadeira esperta modelada em workshop e, acima de tudo, um aceno para o público que conhece Michel Gondry de maravilhas como Let forever be, do Chemical Brothers, ou Fell in love with a girl, do White Stripes.

E são dos melhores clipes que já vi (se você não tiver clipefobia, recomendo os links acima). Num formato que oscila entre o espírito free-style do curta-metragem e as obrigações comerciais de peças publicitárias, Gondry impôs uma marca, uma grife.

Mesmo sem querer (e talvez não queira, já que os clipes continuam a ser tratados mais como publicidade, menos como arte), Gondry não abandona muitos dos recursos que o consagraram com prêmios da MTV. Filmes como Sonhando acordado e até mesmo Brilho eterno de uma mente sem lembranças são preenchidos com sacadas visuais que poderiam ter sido aproveitadas num vídeo da Björk.

Não sei a opinião de Gondry sobre o assunto (e eu deveria procurar alguma entrevista do sujeito antes de sair escrevendo bobagens), mas desconfio que ele também tenha enfrentado o mesmo tipo de olhar-torto (de uma parte da crítica) que vitimou um Spike Jonze, um David Fincher. No documentário Dave Chappelle’s Block party (2005), por exemplo, ele tenta se livrar do estigma com uma câmera observadora, sóbria, sem passes de mágica. E funciona (mas não é tãããão ele).

Rebobine, por favor aproveita o tema principal de Block party (a vida em comunidade), mas acaba se revelando uma espécie de instrumento de defesa para o cinema de Gondry.

Na trama, a criatividade vence. São as ideias simples porém extraordinárias (aquelas que, num clique, deslumbram a platéia) que garantem o ganha-pão de dois balconistas de locadora que, para salvar o comércio, decidem gravar versões caseiras de sucessos de bilheteria como Os caça-fantasmas e A hora do rush 2.

Nesta fábula, os dois “diretores de videoclipes” se transformam em astros de uma comunidade pequena, mas generosa. Não poderia haver símbolo melhor para os dilemas de Gondry, ídolo da geração -MTV.

O cineasta poderia ter criado um filme tão toscamente siderado quanto as criações da dupla de personagens (Jack Black e Mos Def). Mas não. Apesar de uma ou outra piada realmente hilariante (e os truques visuais muitas vezes são gracinhas secas, e só), Rebobine, por favor mostra a que veio no desfecho, em que Gondry pede licença para prestar homenagens ao poder agregador do cinema – e ao VHS, a depender do referencial.

E é uma cena, um truque emocionante – principalmente para quem adora um videoclipe.

Lost | Because you left + The lie

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lostquinta

Imagino o desespero de quem tentou começar a acompanhar Lost a partir da quinta temporada. Diante do tsunami de informações que varreu as cenas iniciais da premiere, exibida quarta-feira passada nos Estados Unidos, eu desligaria a tevê nos cinco primeiros minutos, e depois correria para o colo de um episódio de Two and a half men.

Não me surpreendo com a notícia de que a audiência despencou. Não há como fugir da impressão de que o programa passou a dialogar exclusivamente com os fãs. Aposto que os executivos da rede ABC estão matutando para facilitar o trabalho de uma multidão de novatos, mas os criadores da série não parecem muito incomodados com isso. A estreia da nova temporada, Because you left, é um capítulo tão frenético que será revisto inúmeras vezes pelos fãs – e descartado imediatamente pelos não-iniciados.

Chegamos num ponto em que qualquer redundância pode ser fatal. Se o desfecho da temporada anterior transportava a série para o ambiente da fantasia mais desvairada (a ilha se move e desaparece, eis a regra do jogo), este recomeço confirma que Lost só tem a ganhar com os saltos imaginativos.

A série que, lá no começo de tudo, parecia um cruzamento bizarro de Survivor com Arquivo X, hoje engrossa o caldo pop com referências de De volta para o futuro e física quântica. A ilha, descobrimos agora, não apenas sumiu do mapa – ela pula, como um disco arranhado, entre passado, presente e futuro. “Se eu começar a explicar, você não vai conseguir entender”, explica o personagem especialista em física. É o recado dos roteiristas Damon Lindelof e Carlton Cuse: ao espectador, resta embarcar na viagem insólita – ou tomar outro avião.

Sem priorizar os recursos de flashbacks ou flash-fowards (já que a meta agora é fisgar a atenção do público aceleradamente), os dois primeiros episódios alternam duas tramas igualmente intensas: na ilha, os sobreviventes se deslocam no tempo a cada clarão; fora dela, os Oceanic 6 tentam retornar à ilha para resgatar os abandonados. Seria uma questão de simples solução, mas (e taí outra questão que deve mover a temporada) nem todos querem voltar.

Cada vez menos apegada ao sentimentalismo rasteiro, e mais dedicada à ação pura e simples, a série promete crescer muito se mantiver o ritmo desses dois primeiros episódios. The lie, o segundo, segue o formato de um típico capítulo da quarta temporada (com a revelação em doses homeopáticas de elementos que serão essenciais para compor o desfecho da trama). Mas é na taquicardia de Because you left que Lost vai ao paraíso: como nenhuma outra série, esta leva em conta as vantagens de uma época em que podemos ver e rever cenas quantas vezes quisermos (no YouTube, via DIVX etc). Confia que o público será capaz de juntar as peças do quebra-cabeças por conta própria.

Claro que nem todo mundo está disposto à brincadeira: mas, para aqueles fãs que criam novas teorias sobre o enigma a cada episódio, é um tipo de passatempo provocativo que ainda se mantém um passo a frente do espectador. Há programas mais complexos e sofisticados – mas desconfio que Lost mereça ser tratado de outra forma, como um outro tipo de entretenimento: é uma série, mas também um jogo. E esta nova partida, tomara, será para experts. 

Episódios: Because you left (Damon Lindelof e Carlon Cuse, 8), The lie (Edward Kitsis e Adam Horowitz, 7.5).

Fever Ray | Fever Ray

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feverrayDizem que Brasília tem o céu mais bonito do mundo. Não duvido. Mas, na estação das chuvas, não é raro olhar para o alto e se deparar com um espetáculo às avessas. A imagem não é exatamente agradável. São camadas cinzentas de nimbostratus, cortadas por relâmpagos e neblina espessa – uma colcha densa que devora a paisagem e, incontrolável, parece formar um túnel largo para uma dimensão terrível onde eu, sinceramente, não tiraria férias.

Há uma semana ouço obsessivamente o primeiro álbum do Fever Ray, projeto paralelo da sueca Karin Dreijer Andersson – que, com o irmão Olof Dreijer, forma o duo The Knife. Nos episódios mais automáticos da minha rotina (durante o banho, antes de dormir, enquanto leio o jornal, quando brigo com a torradeira ou tento regar as plantas da sala com a quantidade suficiente de água para que elas não caiam afogadas e morram), são canções que me assombram e hipnotizam – de tal forma que deixam a impressão de que eu poderia viver com elas, e apenas com elas, trancado num apartamento de um quarto.

Eu mentiria se afirmasse que essa sensação é rara – não é. Este é um daqueles discos (e há muitos desses discos, não sejamos injustos) que, por uns 40 ou 50 minutos, nos dominam completamente. Não somos nada perto deles. Depois, quando afastados, aí passamos a considerar racionalmente uma série de fraquezas, inconsistências e redundâncias, até tomarmos o disco como qualquer outro.

Eu estava procurando argumentos para defender este álbum, e só encontrei um suficientemente forte quando saí de casa ontem à tarde e fui surpreendido por um temporal violentíssimo, daqueles que alteram nossa percepção do céu da cidade. As árvores tombavam nos canteiros, os carros quase mergulhavam em poças de lama, o baruho dos trovões restremeciam as lâmpadas dos postes. E, nos meus ouvidos tensos, Karin sussurrava: “não há nada a temer”.

Sabemos que a eletrônica do The Knife é uma inesgotável trilha sonora para um filme de horror (o duo cita o cinema de terror coreano como uma das influências, ao lado de David Lynch e do videogame Doom). Por essa lógica cinematográfica, o Fever Ray pode ser tratado como uma impressionante obra de suspense psicológico – daquelas em que os monstros habitam a alma dos personagens.

Eu ficaria muito satisfeito se, superadas as comparações (inevitáveis) com Silent shout, do The Knife, o álbum encontrasse conforto na mesma prateleira de Dummy, do Portishead. São discos que criam atmosferas de agonia, de pavor contido, um meio-termo fascinante entre cotidiano e pesadelo. Karin é a única verdadeira sucessora de Beth Gibbons: a voz do desespero, a Miss Estranheza congelada no tempo.

É aí que Fever Ray se distancia do álbum do The Knife: se aquele era um disco para as pistas (e, de olho na performance dos singles, mais diversificado e extrovertido), o novo de Karin vem carregado daquele despojamento intimista típico de projetos paralelos como The eraser, de Thom Yorke: é o gemido, a encenação assustadora construída com longos planos-sequência. Nessa composição de um clima uniforme, de um tema, o álbum beira a perfeição: logo na primeira música, If I had a heart, somos atirados no inferno: “Se eu tivesse um coração, poderia te amar. Se eu tivesse uma voz, cantaria”, apresenta-se Karin, mascarada pelo recurso de alteração digital de vozes que marcou Silent shout e embala o disco inteiro.

Ao contrário do deslumbramento de um Kanye West, Karin usa os artifícios para rasgar a própria voz de uma forma monstruosa, como quem encarna uma série de personagens num longo drama. As peças se encaixam em When I grow up, veículo para pensamentos inconfessáveis: “Eu nunca gostei do olhar triste de alguém que quer ser amado”, ela admite. Divide o segredo, e assim cria imediatamente uma impressão de cumplicidade com quem a ouve. 

Aí já estamos presos. A faixa seguinte, Dry and dusty, compara dois amantes a cápsulas de energia. Enquanto as melodias dialogam com a secura dub típica do trip hop, a sonoridade electro nunca parece óbvia – cada ruído, cada batida é um achado. Eis que a quarta canção, Seven, avança rumo ao pop e vai à estratosfera – é uma das maiores do ano. Nos versos, Karin narra o encontro com um velho amigo. “Aos sete anos, sob um céu pesado, eu pedalava com a minha bicicleta”, ela lembra. E o céu continua a esmagar tudo.

Depois de um início com aparência de obra-prima, o restante do álbum inevitamente se revela bem menos poderoso. Mas é que nossas expectativas, agora, estão nas alturas: sem pressa, Karin faz de Concrete walls um lamento à Tricky que, na sexta audição, periga ofuscar o disco inteiro. Keep the streets empty for me é outra que (e aí é impossível não lembrar novamente de Portishead) poderia se transformar num standard para novas cantoras de jazz. Mas alguma delas teria coragem de cantar versos como “numa cama de teia de aranha, imagino em como posso me reinventar”?

O álbum termina com uma extensa viagem instrumental chamada Coconut, que sugere uma canção de ninar com letra agora incompreensível, empoeirada. Karin vai desaparecendo aos poucos, e o disco termina como uma paisagem um pouco menos acinzentada, mas ainda pronta para desabar a qualquer momento. É como o céu de Brasília logo depois de uma tempestade, no mês de janeiro: novamente encantador, mas sempre a apenas uma trovoada de fazer das nossas vidas um lugar mais sombrio.

Primeiro álbum do Fever Ray. 10 faixas, com produção de Karin Dreijer Andersson. Rabid Records. 8.5/10  

BÔNUS TRACKS

handsomeFace control | Handsome Furs | 7.5

Por falar em electropop mal-assombrado (e em projetos paralelos que soam tão ou mais instigantes que os pratos principais), o segundo disco do Handsome Furs é o reflexo invertido do Fever Ray e pode ser encarado como o irmão dançante e pop de At Mount Zoomer, do Wolf Parade. O duo liderado por Dan Boeckner (a face menos áspera do Wolf Parade) toma referências como Bowie e New Order para embalar a matriz pós-punk do compositor, e o resultado é o disco mais imediatamente acessível e polido (no caso, uma opção estética) de Boeckner.

Gravado no mesmo Mount Zoomer, o álbum prova o rigor conceitual dos canadenses – o que às vezes rende canções excessivamente racionais, que apenas materializam a ideia de como um determinado disco de rock deve soar (nisso, Face control se aproxima de uma versão indie para Eagles of Death Metal). Ainda assim, faixas como I’m confused e All we want, baby, is everything estão à altura do Wolf Parade – e podem virar ouro nas mãos da Sub Pop.

Indicados ao Oscar

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oscarindicados

Nem eu, que adoro fazer apostas precipitadas, arrisco cravar um favorito absoluto para este Oscar.

Aparentemente, a Academia vai se curvar a uma produção indie com o selo da Fox Searchlight (depois das tentativas frustradas de Pequena Miss Sunshine e Juno). Quem quer ser um milionário? é o preferido da torcida, mas O curioso caso de Benjamin Button sai com 13 indicações e o lobby fortíssimo da Warner e da Paramount – que, juntos, talvez cheguem lá.

Por fora correm duas biografias políticas (Milk e Frost/Nixon) e a adaptação literária “requintada” da vez (O leitor). Duvido que algum desses vença, mas eu gostaria muito de ver a expressão de susto do Gus Van Sant recebendo uma estatueta dourada.

Uma boa notícia, em meio ao lenga-lenga previsível de sempre: a Academia não se deixou enfeitiçar pela campanha massacrante de Batman – O cavaleiro das trevas e lembrou do blockbuster da forma como eu gostaria que ele fosse lembrado: por Heath Ledger e em categorias técnicas.

E notaram que a M.I.A. foi indicada para melhor canção?

Na lista dos desprezados, entram Clint Eastwood, Foi apenas um sonho (agora o título em português faz todo sentido), Sally Hawkins, Benicio del Toro (por Che) e Austrália – esse último, também injustiçado na lista do Framboesa de Ouro. 

Werner Herzog está lá, com o documentário Encounters at the end of the world. Mickey Rourke também (e a briga com Sean Penn promete dividir até os… fãs marrentos de Mickey Rourke).

No mais, Entre les murs saltou de Cannes para a disputa de produções em língua estrangeira. Deve perder para Valsa com Bashir, mas tomara que isso acelere a estreia do filme no Brasil (em compensação, a Europa Filmes lança Quem quer ser um milionário? dia 6 de março).

A competição toda renderá algumas faíscas. O telecatch entre Davi e Golias será, pelo menos, uma opção decente ao desfile de escolas de samba do Rio de Janeiro, também marcado para o dia 22. Ou, se o filme de Gus Van Sant pegar algum embalo, talvez algo muito mais interessante que isso.