Mês: dezembro 2010

In the New Year | The Walkmen

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I know that it’s true
It’s gonna be a good year
Out of the darkness
And into the fire
I’ll tell you I love you
And my heart’s in the strangest place
That’s how it started
And that’s how it ends

Feliz 2011 pra vocês.

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10 discos brasileiros de 2010

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Escrever sobre discos brasileiros neste blog, para mim, é complicado. Faz algum tempo que não me meto com eles.

Com os internacionais, sinto que tenho uma liberdade maior para bolar os textos que bem entendo. Fico com a impressão de que, quando escrevo sobre os álbuns daqui, assumo uma responsabilidade que vai além das intenções deste blog.

O que pode ser uma grande bobagem, eu sei, mas é o que acontece. E estou bem assim. Este blog não é uma revista de música, não é um suplemento cultural, não é um release, não faz parte de nenhuma cena. É apenas o lugar onde estico as pernas quando volto do trabalho.

Mas, para não fugir totalmente da onça, fiz uma listinha com os discos brasileiros que mais gostei de ouvir em 2010.

Este ranking foi criado em dois momentos. Primeiro, a partir dos discos nacionais que ouvi durante o ano, no trabalho. Depois, durante o mês de dezembro, quando finalmente acertei contas com a montanha de álbuns que deixei passar nos meses anteriores. Eu poderia ter feito um top 20 – bons discos ficaram de fora. Mas preferi uma seleção um pouco mais rigorosa, só com aqueles 10 que mais me impressionaram.

Se eu fizesse uma lista de melhores do ano que incluísse discos nacionais e internacionais, apenas o primeiro colocado entraria no meu top 20.

Então vamos, que estou falando demais.

10 | Escaldante banda | Garotas Suecas

Um disco de soul music que, quando toma embalo (em faixas geniosas como Ela e Ninguém mandou), soa como o bootleg psicodélico que um discípulo talentoso de Jorge Ben poderia ter gravado no início dos anos 70.

9 | Do Amor | Do Amor

Talvez um passo maior que as pernas, mas e daí? Um disco que quer ser tudo de uma vez só, gravado com o entusiasmo e a ansiedade de quem quer nos conquistar completamente logo no primeiro encontro. Haja amor.

8 | Calavera | Guizado

De longe, parece um vale-tudo psicodélico. Quanto mais nos aproximamos do disco, no entanto, mais ele nos convence de que nenhuma loucura é gratuita. Firme tanto nos momentos de transe quanto de lirismo (e O marisco é uma das grandes canções do ano).

7 | Emicídio | Emicida

Tem tudo o que esperamos de uma boa mixtape de hip-hop: os exageros, as arestas, os projetos inacabados e as ideias brilhantes. O caderno de esboços de um rapper que não confunde contundência com sisudez. E que deixa a impressão de ainda estar se aquecendo para a briga.

6 | Aos abutres | Lestics

O country/folk rock abrasileirado do Lestics pode soar singelo, mas me espanta como a banda nos emociona com os elementos básicos da canção. Gravado em esquema caseiro, um disco sem data de validade. Nas nuvens é minha música preferida de 2010.

5 | Eu menti pra você | Karina Buhr

Se a delicadeza é a chave para a maior parte dos discos de cantoras brasileiras (de Vanessa da Mata a Tulipa Ruiz), Karina toma o caminho do atrevimento. Um disquinho corajoso até quando fala macio, e hilariante quando aplica o deboche para o bem da nação (no funk Ciranda do incentivo, delicioso copo de veneno).

4 | Watson | Watson

Não é um disco sobre Brasília, mas quem vive por aqui vai encontrar um retrato muito atípico da cidade, que se infiltra nas canções sem que percebamos. Um lugar estranhamente comum, com tardes silenciosas de domingo, conversas de bar e bandas que se apresentam para ninguém. Pena que o mercado independente brasileiro ainda é tão deslumbrado com o Sudeste: este é o álbum de rock mais franco do ano.

3 | Feito pra acabar | Marcelo Jeneci

É a unanimidade de 2010, mas prefiro encarar esta estreia apenas como a bela certidão de nascimento de um autor. Eu preferiria um álbum um pouco mais curto, com outra ordem de músicas (o início me parece um marasmo) e uma capa menos genérica. Mas esse sou eu reclamando por pouco. O que Jeneci conseguiu é o bastante: fez um disco muito pessoal, mas que parece conter todo o espírito de uma geração que ficou órfã do Los Hermanos, ainda flutuando em lirismo, gentileza e acordes amáveis.

2 | Efêmera | Tulipa Ruiz

É um début que me parece mais coeso e seguro do que o de Marcelo Jeneci, ainda que os dois pertençam ao mesmo mundo (até os títulos se complementam). Em todas as canções, Tulipa consegue criar uma atmosfera de leveza e intimidade que nos desarma. “Vou ficar mais um pouquinho para ver se acontece alguma coisa nessa tarde de domingo”, ela avisa, logo no começo. O álbum é esse entardecer.

1 | Amigo do tempo | Mombojó

Depois de um disco retraído, cuidadoso demais (Homem-Espuma, de 2006), o Mombojó volta a se largar no furacão. Amigo do tempo retoma as liberdades de Nadadenovo, mas nada de reprise: escrito por uma banda menos ingênua, mais lírica, ainda disposta a se perder e se reinventar. “Não sou mais quem fui. Sinto perigo em qualquer lugar”, dizem, em Casa caiada. Crescer é um mistério. E é exatamente nesse ponto que a história começa a ficar boa.

Mixtape! | O melhor de dezembro

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A mixtape de dezembro não é a mais coesa. Não é a mais tocante. Não é aquela que você vai levar para uma ilha deserta. Não é aquela que vai te levar ao espaço sideral. Não soa como um álbum (com todas as faixas amarradinhas umas nas outras). Mas tem um conceito muito forte e absolutamente original, que é: don’t worry, be happy.

Tá, é mentira.

Ou quase mentira. Meia verdade. Vocês sabem! Não consigo ficar contente 24 horas por dia! Não sou assim. Sou um sujeito mais blue do que o céu de Brasília em dia claro de verão, daí que este disquinho vai se tornando nublado até encerrar com uma canção que provavelmente vai fazer você chorar. Acontece.

A boa nova (e o que diferencia esta seleção daquela que você ouviu em novembro) é que toda a primeira metade da mixtape é bem risonha, quase abobalhada, com musiquinhas que me fazem sorrir. A abertura, com o Fujiya e Miyagi, é um achado. O Twin Shadow fala de um fantasminha que o persegue, mas é uma faixa pra dançar até o chão.

E tem até Kings of Leon. E aí vocês me perguntarão: mas Tiago, por que incluir uma música de uma banda de que você nem gosta? E eu explico de antemão: é que a faixa, além de simpática, resume todo o espírito da mixtape, que começa muito urbana e termina pra lá da roça (prestem atenção à letra da música, sobre um sujeito que quer levar uma mina de New York para o Tennessee). Mas tudo bem se você decidir deletá-la e seguir em frente.

Então sim, é a mixtape mais pop do ano. Muito agradável de ouvir. Muito oferecida. Muito dada. Você vai gravar e levar para curtir as férias sob o sol escaldante. E depois, em meados de janeiro, vai me agradecer. Anote aí.

Como não poderia faltar, tem Everybody needs love, do Drive-by Truckers. Que é autoexplicativa. E Fuck you, do Cee-lo Green. Que também é autoexplicativa, mas nada tem a ver com vocês, ó leitores tão simpáticos e educados.

O moço aí da foto é o Dan Bejar, que gravou meu disco preferido de dezembro (mas que só sai em 2011): Kaputt, do Destroyer.

O que mais posso dizer sobre esta coletânea? Talvez ela sirva de espelho para os meus dias (todas as outras serviram, por que não esta?). Talvez ela mostre que estou superando dramas e seguindo em frente. Talvez tenha algo a ver com o espírito natalino ou com o fato de que 2010 está finalmente evaporando (foi o pior ano da minha vida). Talvez seja apenas um disquinho com 10 músicas muito aconchegantes.

Enquanto vocês ouvem, tento me tornar um sujeito mais simples.

Antes do ano-novo, ainda devo aparecer aqui no blog com uma lista dos 10 discos brasileiros favoritos de 2010. Sejam pacientes, ok?

Vamos lá que só falta esta: faça o download da mixtape de dezembro aqui (a lista de músicas está logo ali na caixa de comentários).

E, se possível, depois de ouvir o CDzinho, invista cinco minutos do seu tempo para avaliar nossos serviços com um comentário gentil. Obrigado.

Os discos da minha vida (20)

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Semana delicadíssima para a saga dos 100 discos que estouraram o champanhe da minha vida: entre as festas de Natal e ano-novo, muita gente bronzeada está tirando férias, viajando, curtindo a praia, desligando computadores, afogando pen-drives e respirando ar puro. O que é triste: este blog, que costuma receber cinco ou seis visitas diárias, já se sente muito só.

Os que saíram pra curtir a vida vão perder um capítulo especialmente inspirado desta série interminável de posts. Vale por um dia inteiro de sol, mate leão e sanduíche natural (ok, não vale tudo isso, mas vamos fazer de conta que sim).

Por coincidência (e tudo aqui é mera coincidência, reparem), dois discos que me pegaram mais ou menos na mesma época, quando eu era um garoto de 14 anos que amava os Simpsons e a revista Rolling Stone.

Sim, eu vestia camisas de flanela meio pobretonas, adquiridas na C&A. Mas as coisas não eram tão estereotipadas assim (e o outro disco do post mostra que havia algo de complexo naquele tempo bom que não volta nunca mais).

062 | In utero | Nirvana | 1993 | download

A primeira audição foi um terremoto. Minha irmã trancou a porta do quarto, minha mãe avisou que eu estava passando dos limites e meu padrasto me chamou para uma conversinha. Eu mesmo demorei para sobreviver a um disco que soava como uma cirurgia dentária (sem anestesia). Era uma época em que as bandas de rock disputavam para ver quem gravaria o álbum mais enfezado. Kurt Cobain, mais uma vez, venceu. In utero registra com secura (saudades de você, Steve Albini!) o pessimismo dos depressivos, a agonia dos suicidas, a aflição dos obsessivos. Síndromes de uma geração. “A fúria adolescente rendeu muito bem, agora estou entediado e velho”, Cobain admitiu, aos 26. Era como nos sentíamos: velhos, e cedo demais. Top 3: Heart-shaped box, Serve the servants, Pennyroyal tea.

061 | Paul’s boutique | Beastie Boys | 1989 | download

O disco que adaptou o Beastie Boys aos anos 90 (Check your heads, de 1992) me levou a este álbum de 1989 que é, talvez sem chance de discussão, o manifesto do trio por uma colagem pop sem freios ou vergonha na cara. O medley final, B-boy Bouillabaisse, cria uma conexão entre o hip-hop dos anos 1980 e o lado B de Abbey Road, dos Beatles. Por que não? Produzido sem os padrões de polidez da época (saudades de vocês, Dust Brothers!), o disco é uma confusão de samplers e hinos adolescentes que primeiro nos sufoca e depois nos deslumbra. Uma prévia para Odelay, do Beck, e para todos os outros discos pop dos anos 1990 e 2000 que fizeram da reciclagem (e do contrabando de ideias) uma arte. Top 3: Hey ladies, Shake your rump, Shadrach.

Go-go boots | Drive-by Truckers

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O que faz um bom disco? De vez em quando me flagro inventando dogmas, equações mágicas que me ajudem a responder a pergunta. O que faz um bom disco?

Na minha lista de melhores do ano, percebo que sigo um padrão: prefiro os inventivos aos cuidadosos, os arriscados aos confortáveis, os confessionais aos impessoais, os surpreendentes aos previsíveis, os complicados aos rasteiros, os ambiciosos aos passatempos.

E assim vou levando este blog, apegado à certeza de que existe coerência nas minhas ideias.

Isso até o dia em que, é claro, chega um disco do Drive-by Truckers para bagunçar o Grande Esquema das Coisas.

E taí uma banda de rock que me mostra, de dois em dois anos, que devo ser um sujeito um pouco mais flexível. Que arte não é matemática. E que, antes de enfrentar e catalogar os discos, eu deveria tirar um tempo para experimentá-los.

Dito isso, devo alertá-los que Go-Go boots, o novo disco do Drive-by Truckers, é uma continuação de The big to-do, que eles lançaram no início de 2010. E reprisa um formato que, para a banda, se transformou num porto seguro. A moldura é a mesma. A aquarela também. Há alguma diferença, mas num detalhe ou em outro. Pensem num filme de Woody Allen e não em Stanley Kubrick.

Qualquer álbum do grupo reprova quando submetido ao meu questionário de exigências. Go-go boots não é inventivo, arriscado, confessional, surpreendente, complicado nem muito ambicioso. É, ao contrário disso tudo, um novo capítulo do western moderno que é a discografia dos Truckers.

Antiquado, vocês diriam. Talvez sim. As referências musicais da banda estão, em grande parte, no country rock dos anos 60/70. Eles defendem o vinil e os métodos analógicos de gravação. Têm fé na canção — com verso, refrão e uma longa trama a ser narrada. E amam o Álbum, esse bicho ameaçado de extinção.

Para quem os conhece, o efeito desse método que nunca se altera é a sensação de conforto e familiaridade. Logo na primeira audição, Go-go boots me fisgou sem que eu soubesse por que. Deve ser sido a voz de Mike Cooley, nosso caubói levantando areia no deserto. Ou os versos gentis de Petterson Hood, que não se deixam abrutalhar nem pelas tragédias mais terríveis.

O disco novo segue o projeto do anterior: conta, na maior parte das faixas, histórias de crime e castigo. Mas o conceito não é seguido rigorosamente. Uma das músicas que se destacam — talvez por parecer mais otimista do que todas as outras que eles já gravaram — se chama Everybody needs love. E não soa como uma ironia.

O que se nota no disco é um Patterson Hood trabalhando pesado, criando climas sinistros e narrativas espinhosas (Used to be a cop, sobre um homem que perde tudo, é um roteiro de curta-metragem; Assholes é o lamento cheio de alma que Ryan Adams queria ter escrito) enquanto Cooley e Shonna Tucker preferem apertar o botão do fucking around.

O bom é que, mesmo irresponsável (no bom sentido), Cooley acaba escrevendo algumas das faixas mais fortes do disco — e todas mais para o country do que para o country rock. Pulaski, por exemplo, é um belo conto sobre uma menina interiorana que se frustra e se perde na Califórnia.

Been there, done that.

Esses e outros clichês, lembrem-se, foram quase todos criados pelo próprio Drive-by Tuckers, em discos como Decoration day (2003) e a obra-prima Brighter than creation’s dark (2008), que Hood dedica a John Ford. A banda entende que alguns filmes devem parecer mais monumentais que outros.

Não gosto do termo, mas Go-go boots é o que chamam de “obra menor” (ainda que, com 14 faixas, tenha a dimensão de um longa-metragem). Quase nenhuma faixa se destaca no cenário e as referências de rhythm and blues acabam por se diluir quase que completamente, ainda que o conjunto da obra me pareça de uma dignidade acima de qualquer discussão.

O que acontece? Acredito que, no caso do Drive-by Truckers, o que me atrai é a convicção como a banda defende um ponto de vista. Se esse olhar não muda, por que os discos deveriam soar surpreendentes?

Quando ouço um disco do Drive-by Truckers, deixo meus dogmas de molho. Eles soam como álbuns envelhecidos, irrelevantes no meu Grande Esquema das Coisas, encalhados em lojas de discos decadentes frequentadas por fãs de Grateful Dead e Neil Young. E que, quando na vitrola, produzem ruído macio, acolchoado. Veludo puído. Película riscada. De alguma forma, matam a nossa saudade.

Bons discos também são feitos disso.

Nono disco do Drive-by Truckers.14 faixas, com produção de David Barbe. Lançamento ATO Records. 7/10

(noite de Natal, em casa, 21h)

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Minha irmã: Acho que no Natal as pessoas deviam cantar Parabéns pra você.

Eu: Parabéns pra Jesus.

Minha irmã: Isso. Parabéns pra Jesus. Nessa data querida.

Eu: E todas as musiquinhas.

Minha irmã (cantarolando): É big, é big! É hora, é hora!

Minha prima (cantarolando): Com quem será? Com quem será?

Eu: Essa eu acho que não.

Minha prima (cantarolando): A chuva cai, a rua inunda…

Minha irmã (cantarolando): ô Jesus Cristo, vou comer seu bolo.

Eu: Acho que não. Ele tem estômago pra piada babaca, vó?

(surda): Macio e molhadinho, Tiago. Uma loucura o peru.

That was the worst Christmas ever | Sufjan Stevens

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É uma espécie de tradição do blog: todo dia 24 de dezembro, um clipe do Sufjan Stevens. Este aqui foi feito em 2009 e é autoexplicativo.

Feliz Natal pra vocês.