Mês: abril 2014

‘The Selfish Giant’, Damon Albarn

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A única grande música do álbum solo do Albarn é grande o suficiente para justificar a existência do disco. As outras canções (algumas boas, algumas esquecíveis) gravitam em torno dela.

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[lost albums: ‘Mutations’, Beck]

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Numa das entrevistas que Beck Hansen concedeu para divulgar o disco mais recente dele, Morning Phase (mais um capítulo frouxo e esquecível de uma fase de autoplágio que começou em 2005 com Guero), não lembro por que motivo Mutations apareceu na conversa. Mas acabou surgindo – e de uma forma periférica, como de costume. Beck contou ao repórter que ficava surpreso quando alguém mais jovem o perguntava sobre o álbum. “Fico pensando: como ele conhece esse disco?”.

Talvez até eu, o maior defensor de Mutations que conheço, acabe admitindo que disco sempre mostrou um baita potencial para ser esquecido completamente por todos (até pelo Beck). Não é um álbum “importante” como Odelay, que veio antes – nesse caso, uma OBRA que sempre será lembrada em listas de 50/100/500 melhores. Tampouco é “catártico” e “emocionante” como Sea Change, que veio depois. Não soa “provocativo” como Midnite Vultures, nem “surpreendente” como Mellow Gold. Quando foi lançado, em 1998, foi tratado como um projeto despretensioso, desimportante, um exercício folk. Pior: hoje, o próprio Beck parece acreditar nessa definição.

Acontece que o tempo, apesar de não ter sido tão agradável com Midnite Vultures ou com Mellow Gold, foi gentil com Mutations – um disco que, a cada vez que ouço, soa como o grande álbum do Beck e um dos maiores dos anos 90. Talvez um exagero, mas me perdoem: é um exagero sincero.

E talvez ele me agrade tanto – e sempre mais – por conter em abundância características tão raras no repertório do compositor. Leveza. E outra: espontaneidade.

Talvez por ter tratado o disco como uma nota de rodapé, Beck se espreguiçou de um jeito nunca antes ouvido. Não é um disco desleixado – o homem é obsessivo, perfeccionista e, por isso, incapaz de se dar esse tipo de luxo. Mas as canções ganham arranjos e produção (de Nigel Godrich, diga-se) que arejam as melodias em vez de sufocá-las. É um método inverso ao aplicado em Odelay e Midnite Vultures. Em vez de tensionar mil e um efeitos especiais de forma a percebermos a existência deles, Beck integrou seus jogos sonoros de sempre às estruturas das canções. E elas, as canções, são tão completas e fortes que garantem a longevidade do álbum. Estou certo de que ele será para sempre belo, nunca datado (mesmo se esquecido por todos).

Ainda ouço Cold Brains e Lazy Flies como se pela primeira vez, o que não acontece com Where it’s At, por exemplo, ou com Loser, que são músicas também sobre uma época, uma geração. Mutations, pelo contrário, parece flutuar sobre os anos 90, já que Beck, quando o lançou tão discretamente, não via a necessidade de atrelar o álbum a um período, a uma sensação de estado-das-coisas. Era apenas um disco que, também musicalmente, se deixava perder em referências de épocas ora distantes (o blues, o folk), ora um pouco mais próximas (a psicodelia sessentista, a tropicália) – e de uma forma tão natural e suave que jamais deixava a impressão de querer nos ensinar algo. É somente uma viagem de Beck dentro das próprias lembranças sonoras – e, mais importante, uma viagem tranquila.

Em Sea Change, ele talvez tenha tentado aperfeiçoar esse modo de lidar com a própria arte – de um jeito mais relaxada. Não conseguiu, já que aquele foi um álbum concebido para provocar certo impacto, para ser “importante”, não uma nota de rodapé, para soar como um statement sobre um tema (a dor de amor, em resumo). É um disco extraordinário, mas que me parece pertencer à linhagem de Odelay e Midnite Vultures, já que um álbum com uma arquitetura muito bem pensada, um disco ainda (não gosto da palavra, mas não consigo pensar em outra) cerebral sobre crises sentimentais.

Mutations não escapa de certo esquematismo – afinal, Beck é sempre Beck e o próprio título do álbum é didático. Mas, ouvindo mais uma vez, acredito que esse tenha sido o momento em que o compositor conseguiu perfeitamente (talvez sem perceber) um equilíbrio entre as ideias de uma música feita em doses iguais de alma e razão, instinto e pesquisa sonora. Acho que é por isso que, se eu precisasse me livrar de todos os discos dele e ficar apenas com um, seria este. E se tivesse que escolher uma música, seria Cold Brains, que abre o álbum como se o único objetivo, ao menos desta vez, fosse criar música da forma mais sublime possível. Apenas isso.

‘Pride’, Robert Ellis

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You’re too damn proud to say you were wrong
You’re screaming so loud
Making sure everyone knows what I’ve done
One of these days after everyone’s gone
You’ll see that it was better
Just for once,for you to be wrong

You’re just a kid inside a grown ‘up body
And you don’t have to apologize to nobody
Well you just keep burning every bridge that you walk across
No matter what it costs
No matter who you’ve lost

You’re blaming on the rain
You’re blaming on everybody else
You’re blaming on the way you grew up
You’re blaming on anyone
But yourself,why you’re so alone?
Why you turned out the way you did?
Honey,you’re full grown
But you act just like a kid

Inside a grown-up body
And you don’t have to say sorry to nobody
You just keep burning every bridge that you walk across
No matter what it costs
Cause your pride is the only boss

You’re just a kid inside a grown ‘up body
And you don’t have to apologize to nobody
You just keep burning every bridge that you walk across
No matter what it costs
No matter who you’ve lost
So long as it ain’t your fault
Honey,tell me,is it worth it all?

‘Delorean Dynamite’, Todd Terje

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É uma das melhores músicas de um dos discos mais interessantes do ano. O álbum fica melhor a cada audição e, por isso, vou esperar mais um pouco para escrever o post sobre ele. Me cobrem, ok?