Dia: setembro 18, 2008

Nights out | Metronomy

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Joseph Mount é um DJ de electropop. Aí você me pergunta (com bons motivos): mais um? E aí eu respondo (com convicção): é, só que agora é pra valer.

Lá nos rincões da imprensa inglesa, um tanto decepcionada com o ataque morno do Hot Chip, o segundo do Metronomy (trio comandado por Mount) é tratado como o último pub no deserto. Seria mais chique e estiloso refutar o hype, mas não desta vez: Nights out é um álbum POP (taí em maiúsculas pra ninguém ficar me pentelhando) que, cheio de pontas soltas e crises de identidade, merece ser comemorado.

Se somarmos as 12 músicas e tirarmos uma média, o Metronomy será enquadrado como mais um projeto europeu com ecos dos franceses Justice e Daft Punk. Mas, aqui, a média é exatamente o menos instigante. E aí basta notar que este álbum tão fácil começa mais ou menos como uma piração do Beirut, como que encontrada num porão empoeirado de algum cafofo de país do leste europeu.

Quer mais? Heart rate rapid e Holiday distorcem os vocais de uma forma tão grotesca que chegam a se aproximar de um single cavernoso do The Knife. Não é uma comparação sem nexo. Joseph Mount fez um álbum repleto de hits, mas, acima de tudo, criou um senhor álbum – que nunca soa como uma compilação de sucessos e que, segundo ele, foi concebido como uma obra conceitual sobre noitadas nas ruas inglesas.

E sim, há as faixas que vão estourar nas pistas em alguns meses. Quando elas chegam, é como se a faceta mais experimental do disco ganhasse um contraponto grudento. Difícil esquecer Heartbreaker, Radio ladio e On the dancefloors – e são canções tão escancaradamente superficiais, tão doce-de-leite, tão suspiro-com-morango que poderiam estar num álbum da Kylie Minogue, da Annie ou do Cut/Copy.

Depois de uma estranha madrugada no sereno, o álbum termina como começou: num transe que parece pertencer a um outro disco, a um outro continente. Joseph Mount não sabe muito bem o que quer, mas é de tentativa em tentativa que ele monta um disco capaz de abrir uma porta diferente a cada faixa. As reações serão divididas (já que os ingleses inflaram o hype do moço), mas duvido que alguém se lembrará dos remixes que o sujeito fez para o U2 e o Franz Ferdinand.

Aqui em casa, pelo menos, não tem pra ninguém: Joseph Mount é o DJ de electropop.

Segundo álbum do Metronomy. 12 faixas, com produção de Joseph Mount. Because Music. ***

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Uma outra estação

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Até ontem: galhos sem folhas, grama alaranjada, flores amarelas nos ipês, céu sem nuvens, horizonte colorido, garganta seca, lábios rachados, crises alérgicas, umidificador, nariz sangrando, caminhadas no parque, toalhas molhadas, poeira, madrugadas friorentas, meio-dia de Saara, sede e mais sede.

De hoje em diante: terra molhada, asfalto escorregadio, acidentes de trânsito, céu acinzentado, horizonte descolorido, gripe chata, guarda-chuva no porta-malas, fondue de chocolate, dvds para o fim de semana, pullover, não vai dar pra sair é que caiu um toró sabe como é, manhãs escuras, sono e mais sono.

Brasília, o paraíso dos metódicos.

Última parada

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O ônibus 174 é o nosso 11 de setembro.

Anotem aí: o Bruno Barreto vai falar muito, muito, muito até o dia em que divulgarem os indicados ao Oscar. Asneira maior que essa, porém, não vai rolar.