Mês: janeiro 2012

cine | Os descendentes

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Volta e meia, ouço alguém comentar que, com o passar do tempo, o cinema de Alexander Payne vai ficando melhor. Mas não, apesar disso, não consigo ver neste Os Descendentes um filme superior a, por exemplo, Eleição. Ou a Sideways, de que nem sou grande fã. Ou, indo um pouco mais longe, a Ruth em Questão. É muito fácil perceber algumas diferenças entre este projeto novo e os anteriores, e nove entre dez resenhas vão apontar que ele parece, por exemplo, mais direto e sincero que os outros — mas eu, que não tenho absolutamente nada contra as sátiras, ainda acredito que o diretor segue aplacando as próprias forças à serviço de um cinema brando, que não quer (nem vai) incomodar ninguém.

Ao contrário de Eleição, que ia desmontando lentamente uma série de estereótipos grosseiros, os personagens de Os Descendentes são pessoas comuns e plausíveis, bem intencionadas, que se envolvem em conflitos também não muito espetaculares, engatilhados por uma tragédia doméstica. Numa das primeiras cenas, o protagonista do filme nos avisa, em off, que ele quer ser um bom pai. Não soaria muito convincente — mas, já que é George Clooney quem diz, acredito. Certa vez, num perfil publicado na Vanity Fair, alguém escreveu que ele é “o único ator americano que irradia uma sensação tranquila de maturidade”. O personagem do livro de Kaui Hart Hemmings parece ter sido criado especialmente para provocar fissuras na persona do astro.

A tranquilidade desse herói-como-a-gente é tão falsa quanto os lugares comuns que se associa ao lugar onde ele vive, o Havaí. Payne brinca a todo momento com essas aparências enganosas: a trilha, composta por delicadas canções havaianas, dá uma aparência de leveza ao filme que contrasta com temas que estão envenenando o ambiente (doença, morte, infidelidade). O diretor evita alguns maneirismos visuais que apareciam, por exemplo, em Sideways (como as cenas kitsch da vida caipira que interligavam as sequências da trama) — mas não sei se esse espírito de contenção deve ser tomado como um passo a frente para o estilo do cineasta. É apenas o tom que combina com um roteiro também muito modesto.

Dentro desse formato discreto — e ok: o filme é uma crônica, ainda que sem os encantos das anotações de um Hong Sang-soo —, algumas marcas do cineasta destoam: os personagens de efeito cômico (como o namorado da filha do protagonista) soam como caricaturas, perdidas dentro da trama. O próprio personagem de Clooney às vezes parece pronto para fitar a câmera e perguntar por que o filme decide acompanhá-lo com exclusividade, sem se importar muito com os restante do elenco. Payne não responde, mas consegue criar o filme franco, sem cinismo (mas eu não diria sutil, nem engraçado) que muitos esperavam dele. Se o cinema do diretor seguir nessa toada, só torço para que ele encontre uma viés particular para lidar com esse tom bege de drama. Por enquanto, não vejo razão para ficar festejando: a experiência não produziu mais que um filme adorável porém singelo, de que não lembrarei na próxima temporada do Oscar.

(The Descendants, EUA, 2011). De Alexander Payne. Com George Clooney, Shailene Woodley e Amara Miller. 115min. C+

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mixtape | Janeiro, from a room

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A mixtape de janeiro é um pouco diferente da de dezembro, mas não muito.

A ideia era gravar uma coletânea mais alegre e dançante, só que todos os planos tiveram que ser alterados depois que ouvi os discos da Sharon Van Etten (que está na foto acima) e do Leonard Cohen (daí o nomezinho do post, em homenagem ao homem). A mixtape, portanto, passou a ser conduzida pela sonoridade, digamos, crepuscular desses dois álbuns.

É uma das minhas mixtapes preferidas – e acho que gosto muito dela porque não foi tão simples encontrar as músicas que combinassem direitinho com a atmosfera que eu queria sugerir. Tive que me livrar de algumas boas faixas, que estão entre as minhas preferidas do mês. Na minha modestíssima opinião, o esforço de não fugir ao tema compensou: o disquinho faz sentido e conta uma história.

Aqui dentro, vocês vão ouvir músicas novas também de John K Samson, Whistle Peak, Bears, Lana Del Rey (ok, essa não é tão nova), Craig Finn, Damien Jurado e Lambchop. A lista das faixas está na caixa de comentários.

Como de costume, você pode fazer o download da mixtape ou ouvi-la aqui no blog. Recomendo a segunda opção: desconfio que o arquivo em mp3 vá desaparecer rapidamente.

Comentários serão bem recebidos. E, antes que eu esqueça, esta mixtape é dedicada ao Daniel (nada de hip-hop desta vez!) e ao Adalberto, que talvez curtam os climas tão realistas (e adoráveis, de vez em quando) deste disquinho.

Faça o download da mixtape de janeiro

Ou ouça aqui:

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

♪ | Provincial | John K. Samson

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No episódio de ontem, quando falei sobre o disco novo do Lambchop, tentei (sem sucesso, acho) descrever um som que remete a um livro elegante de crônicas sobre o cotidiano e as responsabilidades de um homem adulto. Este primeiro álbum solo do canadense John K. Samson — líder da banda de folk punk The Weakerthans — também soa como um apanhado de impressões sobre o dia a dia. Mas com uma diferença importante: enquanto o Lambchop vem afinando uma sonoridade que tenta se colocar à altura dos temas das músicas, as anotações de Samson ainda soam informais, sem estilo ou tanto rigor; Provincial não é um livro, mas uma coleção de post-its sobre certos assuntos, paisagens e situações.

O compositor organiza as canções no disco como quem espalha polaroides na cama: o álbum é simplesmente um apanhado de canções já gravadas (e lançadas em dois EPs) com algumas músicas novas. Nos identificamos com Samson porque ele é o boa-praça, o chapa, o sujeito comum que talvez tenha ouvido muito Elliott Smith, Big Star, Neil Young (fase Harvest Moon) e R.E.M.. One of us, one of us.

Nada disso impede Provincial de nos ganhar com alguns cliques adoráveis da vida como ela é (especialmente na província de Manitoba, onde o músico vive): em When I Write my Master’s Thesis, ele conta a história de um estudante que, aflito, tenta se manter saudável enquanto escreve a tese de mestrado. Em outro momento, entra na campanha para levar o jogador Reggie Leach ao Hall da Fama do Hockey (ah, as grandes causas!). E tem Cruise Night, que encena com euforia power pop o passeio (desimportante) do narrador, no carro do irmão, num domingo igual aos outros. Banal, certo? Também muito agradável.

Primeiro disco solo de John K. Samson. 12 faixas com produção do próprio músico. Lançamento ANTI- Records. B

♪ | Mr. M | Lambchop

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Ninguém vai levar como ofensa (talvez nem a própria banda) se você afirmar que o Lambchop grava sempre o mesmo disco. Será, é claro, uma generalização. Mas não muito absurda, principalmente quando se fala numa fase que começou em 2002 (com Is a Woman) e segue imperturbável há uma década, cingindo um céu aberto e tranquilo.

Nenhum dos discos do Lambchop pós-Is a Woman contém os desafios de Nixon (2002), que acabou representando um período de transição para o grupo de Nashville. O álbum capta um momento de experimentação, quando eles tentavam, já fora da fazendinha do “country alternativo” e combinar certas referências de soul music, country, jazz, gospel e lounge. A aventura modificou a banda quase por completo. Compreensível: se eu ainda não me recuperei da porrada de Up with People – que é uma obra-prima -, imagino que essas e outras invenções tenham sequelado a banda.

No disco seguinte, o Lambchop definiu um modelo sonoro que, hoje em dia, provoca preguiça até na própria gravadora. A Merge Records descreve esse modus operandi da seguinte forma: “como nos discos anteriores, muitas das canções de Mr. M são emolduradas por cordas exuberantes, e existe uma camada contida de distorção e dissonância; o centro da música ainda está no movimento cíclico da guitarra de Kurt Wagner e o coaxar suave e caloroso de sua voz.” Não deixa de ser um resumo fiel do disco, mas que parece apontar para palavras como estagnação e comodismo. É isso? O mesmo disco, mais uma vez?

Acho que sim e que não. Sim porque, vamos ser honestos, só consigo ouvir em Mr. M (e no anterior, Ohio) o lentíssimo polimento de um estilo que talvez esteja precisando mesmo de uma chacoalhada. Mas não, porque este parece ser o disco que Kurt Wagner sempre quis gravar: um álbum que soa como um dia comum, um elogio en passant ao cotidiano; moroso porque, entre outras coisas, a vida às vezes é assim mesmo. E não é de hoje que o Lambchop tenta sonorizar situações comezinhas (nem por isso pouco tristes, melancólicas, tocantes), geralmente observando a rotina do casamento, das relações de amizade e da família. Esse olhar ainda tem seu encanto.

Quem chega pela primeira vez à banda pode se convencer de que é um projeto tedioso: as canções são quase sempre longas e parecidas umas com as outras, com sutilezas que exigem muitas audições e insights literários que talvez não despertem paixões em muita gente. O humor da faixa 2B2, uma canção absolutamente realista sobre a vida a dois, é discreto demais para chamar a atenção. E as instrumentais Gar e Betty’s Overture são lindas e perfeitas como peças de porcelana: cheias de detalhes que devem ser admirados à distância. No mais, o disco faz anotações sobre a vida adulta por um viés que não tem absolutamente nada de juvenil. Não é fácil, não é fofo, não coloca ninguém pra dançar, não fica borbulhando ideias.

É um som quase ambiente, que faz ainda mais sentido numa dessas manhãs serenas de domingo, quando o que nos resta é uma sucessão de pequenos eventos banais. O mesmo domingo. Kurt Wagner ainda é capaz de olhar para essa paisagem silenciosa (que pode ser bonita ou terrível, ou as duas coisas) e encontrar aí um mistério, e uma razão para compor.

Décimo primeiro disco do Lambchop. 11 faixas, com produção da própria banda. Lançamento Merge Records. B

♪ | Patience (After Sebald) | The Caretaker

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No livro Os anéis de Saturno, de 1995, o escritor alemão W.G Sebald narra as lembranças de um homem que está internado em um hospital, imóvel, preso a uma cama. A condição física do personagem determina o tom do texto: enquanto relata a caminhada que fez em East Anglia, na região leste da Inglaterra, o narrador oscila entre a tentativa de engaiolar memórias e o desalento provocado pela degradação do próprio corpo. A viagem mental do protagonista se torna, por isso, uma história de escapismo — e, por fim, uma ilusão trágica.

O cineasta Grant Gee, de documentários como Meeting People is Easy (do Radiohead) e Joy Division, entendeu que não seria possível acenar para esse romance de uma maneira direta — a trama, afinal, nada mais é do que um delírio. Ainda não vi o filme, mas a trilha sonora do doc Patience (After Sebald) indica, ao menos, que ele saiu à procura de sons que comunicassem algo sobre o estranho fluxo de pensamentos do narrador/escritor – o longa remonta o trajeto que o próprio Sebald fez e, em seguida, recriou no livro. Nada mais coerente, portanto, que convidar Leyland Kirby para compor a música do filme — no The Caretaker, o músico também tenta sonorizar processos cerebrais, recriando com samplers, ruídos, ecos e outros efeitos desconcertantes o jeito desconexo como a nossa mente engatilha as lembranças.

Uma das referências principais do Caretaker é a cena de baile do filme O Iluminado — que resume a atmosfera de nostalgia fantasmagórica que encontramos em discos como An Empty Bliss Beyond this World, um dos meus preferidos do ano passado. Mas ninguém que o conhece acharia absurdo se Kirby confesasse que o livro de Sebald também o influenciou. A música do compositor parece, ela própria, existir num estado em as sensações se tornam confusas, como cartas embaralhadas. Uma faixa do Caretaker pode provocar, a um só tempo, a impressão de ser profundamente melancólica, delicada e assustadora. É o que acontece quando estamos sonhando: perdemos o controle da atividade mental.

A trilha de Patience, escrita antes de An Empty Bliss, simula esse transe sentimental de uma forma muito direta, até (digamos) óbvia, e talvez por isso não me perturbe tanto quanto o álbum anterior do Caretaker. Praticamente todas as faixas são formadas por duas camadas: samplers melodiosos de piano (Schubert, 1927) sobrepostos a uma neblina de distorção, que soa como o ruído enervante de uma rádio fora de sintonia. Está descrita, nesse puzzle sonoro, a agonia do narrador, que vai catar as boas memórias no fundo de uma espécie de lodo existencial. Como costuma acontecer, os títulos das faixas de Kirby nos guiam como lanternas: uma delas atende por (brr) In the Deep and Dark Hours of the Night.

O disco não provoca o espanto de An Empty Bliss Beyond this World, que criava um jogo impressionante de repetições e surpresas dentro de cada faixa. Mas talvez devamos nos contentar com o fato (formidável) de que, aqui, Kirby preferiu simplesmente estudar o livro de Sebald. E, como se arrematasse apenas um trabalho encomendado, ele nos transporta novamente a um ambiente abstrato, insólito, indescritível, lindo e horrível, que a arte tem o poder de alcançar.

Disco do The Caretaker. 12 faixas, com produção de Leyland Kirby. Lançamento History Always Favours the Winners. B+

cine | Sherlock Holmes: o jogo de sombras

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Esta continuação de Jogos, Trapaças e Sherlock Holmes é um parque temático para meninos em descontrole hormonal. Com decoração retrô, cinco montanhas-russas, show pirotécnico, performance de stand-up comedy e funcionários fantasiados com figurinos pesadões de época, este espetáculo de imagem&ruído talvez resuma o cinema-maçaranduba de Guy Ritchie, um cineasta que usa qualquer projeto como desculpa para filmar os mais eletrizantes anúncios de energético.

O diretor facilita, dessa forma, o trabalho de qualquer crítico de cinema. Já que, para escrever sobre Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras, não é necessário conhecer (ou pesquisar) nadica sobre a obra de Arthur Conan Doyle. Até porque o próprio Ritchie não parece ter a conhecimento algum sobre o personagem que está adaptando: como acontecia no episódio anterior, o detetive é transformado num típico veículo para o Robert Downey Jr pós-Homem de Ferro — um action hero bronco, sarcástico, de maus modos, espírito keithrichardiano e que parece sempre estar fazendo graça de tudo (nos melhores momentos, do próprio filme). Tudo o que havia de particular (e de elegante; mas Ritchie não conhece essa palavra, for sure) no tipão inventado por Doyle é massacrado em mil pedacinhos fumegantes.

Existe um público com sangue nos olhos por esse Hopi Hari audiovisual, é claro. Na sessão em que vi o filme, as pessoas aparentemente conseguiram acompanhar uma trama de mistério (?) que me pareceu quase incompreensível — ela se movimenta como um jato em queda, soltando placas de metal, pegando fogo e fazendo muito barulho. Quando o filme puxa o freio, o faz para Ritchie demonstrar aquilo que ele chama de estilo: sequências supostamente bonitas, que alternam cenas em câmera lentíssima com flashes acelerados. Eu, que não me dou muito bem com montanha-russa, admito que fiquei um pouco enjoado.

(Sherlock Holmes: A Game of Shadows, EUA, 2011) De Guy Ritchie. Com Robert Downey Jr, Jude Law e Jared Harris. D+

♪ | Tramp | Sharon Van Etten

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Se você quiser, Tramp pode ser um disco muito simples.

Ele conta a seguinte história: num período de 14 meses, Sharon Van Etten viveu em Nova York sem residência fixa. Era obrigada, a todo momento, a fazer malas e se mudar para a casa de um ou outro conhecido. O alento da compositora era estúdio caseiro de Aaron Dessner, guitarrista do The National, onde ela gravou algumas canções — lá, se sentiu em casa. Às vezes, amigos como Matt Barrick (Walkmen), Zach Condon (Beirut) e Julianna Barwick acabavam aparecendo.

Nada extraordinário nisso. Músicos gravam. Músicos têm amigos. Músicos, principalmente os independentes, às vezes não têm onde morar.

Mas o contexto do disco, que está muito bem resumido neste texto de divulgação da gravadora Jagjaguwar, não me parece desimportante: o álbum pode ganhar uma série de conotações quando descobrimos que foi gravado nos raros momentos estáveis de um período que, para Sharon, foi de total instabilidade.

Ainda que essa história-de-bastidor não esclareça muitos dos mistérios das canções (e são daquelas músicas que se tornam mais profundas a cada audição), ela talvez explique por que consegue soar, ao mesmo tempo, convidativo e extremamente tenso. A gravação, dirigida por Dessner, é controlada, tranquila; mas as canções estão sempre explodindo em aflição.

Sem querer interpretar o disco além da medida (mas já superinterpretando, me perdoem): desconfio que, para Sharon, o estúdio de Dessner tenha funcionado como um espaço neutro, seguro, para a contemplação das próprias incertezas — um lugar onde ela organizava as impressões do dia-a-dia, como quem revisa os textos de um diário, pouco antes de dormir. Tramp medita sobre o ritmo de uma vida em fluxo, mas não soa simplesmente desamarrado. É, ao contrário, um disco muito forte de afirmação, sobre procurar um lugar no mundo, sobre mudar e crescer.

Esse processo pode ser especialmente complicado, perceba, se você é uma compositora que tenta se fazer notar em meio a uma multidão de cantoras hipersensíveis e supervalentes. Sharon sai perdendo por não ter nenhum truque extravagante à mão (e, perto de Zola Jesus, ela é a mais conservadora das songwriters), e escrever canções que poderiam ser facilmente creditadas ao repertório de uma Feist (nos momentos de maior aspereza, principalmente do disco mais recente). É por isso que Tramp também pode ser um álbum muito difícil: é preciso alguma paciência para notar o que há de particular no temperamento e na arte de Sharon.

E é quando se consegue essa aproximação que o efeito do disco se torna irresistível. Música a música, com um kit de lentes mais generoso do que os equipamentos usados nos dois discos anteriores, é como se Sharon estivesse criando curtas-metragens para representar determinadas situações/sensações — sequências densas, sem muitos encantos imediatos, que vão se abrindo aos nossos ouvidos a cada reprise. Não há minuto perdido, e poucas são as cenas que se repetem. É até emocionante como ela salta de uma canção mais irritadiça (Serpents) para uma balada escrita quase como uma canção de ninar, com sílabas alongadas e coro angelical (Kevin’s). Neste álbum, está claro que ela teve direito ao corte final.

Pelo menos duas canções me parecem eternas, e já estão muito bem acomodadas na minha lista de melhores do ano: a primeira, Give Out, transforma as impressões de êxodo, que a cantora conhece bem, numa love song das mais tocantes (No refrão, ela canta: “você é a razão por que eu vou mudar de cidade/ou por que não vou partir”); a outra, I’m Wrong, começa com uma linha árida de guitarra, que vai ganhando ecos e os efeitos de um jingle natalino .“É ruim acreditar em todas as canções que você canta”, ela repete, e repete, até se deixar soterrar pelo torvelinho de melodia.

E é nesses momentos que, se você quiser, Tramp pode ser o disco mais bonito do mundo.

Terceiro disco de Sharon Van Etten. 12 faixas, com produção de Aaron Dessner. Lançamento Jagjaguwar Records. A