World Trade Center

2 ou 3 parágrafos | O equilibrista

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Neste O equilibrista (7.5/10), James Marsh conta como o francês Philippe Petit, equilibrado sobre um cabo de aço, cruzou o espaço que separava o topo das duas torres do World Trade Center, em Nova York, no dia 7 de agosto de 1974. Com clareza, o filme responde quase todas as perguntas básicas sobre esse fato: o que, quem, como, quando e onde. Mas, horas depois da projeção, nos deixa remoendo a questão que falta: por quê?

Por que Petit invadiu as Torres Gêmeas como quem assalta um banco? Por que fantasiava, desde jovem, com o desafio de apropriar-se daquele prédio? Quais as motivações daquele homem? Onde termina a busca por beleza e começa a loucura? Obsessão não se explica, mas qual seria o propósito de uma arte tão arriscada?

Perto do fim do filme, Petit ameaça uma resposta. Fala em rebeldia, em quebrar regras e lembra que, desde pequeno, gosta de “escalar coisas”. Não me convence. O diretor mostra o personagem da forma como ele quer ser visto. Não é intrusivo. As primeiras cenas são narradas como que num thriller de golpe. Mais adiante, descobrimos que, um dia antes de flutuar sobre Manhattan, o equilibrista passou a madrugada assistindo a fitas do gênero. As encenações à cinema mudo e a trilha sonora apoteótica tentam traduzir uma sensação de sublime que talvez guarde alguma relação com a filosofia de vida de Petit. De qualquer forma, é impossível saber. Por que ele faz o que faz? Acredito que o mistério, esse mistério, empresta uma terceira dimensão a um documentário que, caso contrário, seria apenas um perfil elegantemente correto. Ainda estou intrigado.