Vida de jornalista

Superoito dentro do papel

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Ainda fico espantado quando encontro repórteres recém-formados que procuram algum tipo de glamour numa redação de jornal. A eles, sou direto: no jornalismo cultural, não existe calçada da fama. Quem busca conforto e brisa nessa profissão provavelmente levará uma vida de duras frustrações – toda uma existência pontuada por dias tensos e noites em claro.

Mas entendo: os leitores, esses não têm a obrigação de saber disso. Por essas e outras, não me incomodo tanto com as pessoas que me tratam como se eu fosse o homem mais sortudo do universo – e isso pelo simples fato de que, às vezes, entrevisto pessoas famosas. Mas nada é tão fantástico quanto parece. Eva Mendes é mesmo maravilhosamente linda, mas lembro que, quando entrevistei a atriz, ela disse no máximo três frases curtas que não preencheriam meia página de um moleskine.

Prefiro as entrevistas mais informais e surpreendentes. Muita gente dá uma de Marisa Monte e ataca jornalistas que repetem as mesmas perguntas óbvias, mas garanto que os entrevistados são, na maioria das vezes, tão previsíveis quanto. Raro é encontrar quem tenha algo a dizer. Ontem mesmo, conversei rapidamente com um vocalista/guitarrista de uma banda de rock da cidade (ainda pouco conhecida) e aqueles 20 minutos valeram por um semestre inteiro de respostas burocráticas.

Roqueiros às vezes soam tão imaginativos quanto jogadores de futebol, também mestres em frases de efeito curtas e sem gosto, mas não foi o caso. Lá pelas tantas, o vocalista/guitarrista admitiu que ainda se sentia inseguro no palco. Ele não sabia se tinha jeito para a coisa ou se estaria condenado a doloridas sessões públicas de constrangimento. “E o pior é que, quando gravamos músicas, consigo notar a minha insegurança dentro das canções”, ele disse.

Entendi o drama. Perfeitamente, aliás. Sei que nasci para trabalhar com o que trabalho (caso contrário, eu já teria enlouquecido), mas lidar com a insegurança ainda é meu maior pesadelo. Não superei o medo de ser desmascarado em praça pública – de subir no palco e esquecer minhas falas. Tento calcular meus passos para não tropeçar, mas há momentos em que sou obrigado a dar saltos que, pelo menos no meu entendimento, parecem largos demais. É aí, meus amigos, que eu me estrepo, me machuco e, em alguns casos, aprendo e amadureço.

A última semana foi quase toda assim – uma maratona de responsabilidades impossíveis. A pior delas, um artigo longo e difícil, escrito a fórceps. O mais difícil, sempre, é lidar com as expectativas que crio para mim mesmo. Quase sempre, elas são inatingíveis. Quero escrever como o romancista que admiro, o jornalista que morreu há duas décadas ou o blogueiro maldito que ninguém entende. Esse crítico ranzinza que mora no meu cérebro me atormenta – é a ele que devo satisfações (seria esse crítico imaginário a imagem que faço de Deus, como a mulher gorda e invisível que vigia os passos dos personagens de Salinger?).

Esta semana, me pediram uma crônica. Num espaço nobre do jornal. Inseguro, quase paralisei de pânico.

Mas aceitei o desafio (já que saltar no vazio virou para mim uma espécie de meta masoquista). Passei os últimos dias pensando num tema e nada me pareceu atraente ou novo ou curioso. Pensei em fazer um breve perfil sobre uma velha cinéfila. Mas era um material muito sentimental. Depois tentei narrar uma noite num cinema tradicional da cidade, mas me vi aprisionado nos limites de uma idéia bem intencionada, politicamente correta. O plano de refletir sobre os silêncios da cidade foi descartado: abstrato demais.

Então apareceu uma lembrança que me persegue há uns bons oito anos, desde que eu era um estagiário. É uma sina do repórter, esta: ele se envolver intensamente com as pessoas, delas arranca histórias extraordinárias e, depois, as abandona (as pessoas e as histórias) para sempre. Resolvi fazer o caminho contrário: correr atrás de uma história que eu havia contado e abandonado. Eu queria saber o que havia restado dela, se é que havia restado algo.

Foi uma história que, talvez mais que qualquer outra, me fez entender e gostar da profissão, apesar de todos os sacrifícios que vêm na encomenda.

Era sobre um menino pobre chamado Rony, que tinha uns 8 anos e trabalhava vendendo doces na rodoviária. Ele estudava pela manhã e passava as tardes mergulhado em fumaça de ônibus, diante de uma banca de madeira. Era um garoto que não sorria muito, era extremamente tímido e, acredito que por causa disso, logo me identifiquei com ele. O fato curioso (e daí a matéria de jornal) era que ele matava o tempo desenhando a cidade em pedaços de papelão. E desenhava tão bem, com tanta concentração, que as pessoas juntavam caixas velhas para que o menino pudesse se divertir.

Foi muito difícil entrevistá-lo, já que ele mal conseguia articular algumas frases. Mas a situação toda me deixou estarrecido. Para quem aquele menino desenhava? Por que ele se concentrava tanto? Qual era a razão de tanto esforço? Ele não parecia interessado em algum tipo de reconhecimento (era arredio, introspectivo), nem fazia questão de se exibir. Apenas ficava lá, desenhando. A matéria foi publicada e, no dia seguinte, muitas pessoas presentearam o garoto com tinta e papel. Fiquei sabendo que ele ganhou aulas gratuitas de pintura. E aquilo me deixou muito satisfeito. Foi como se eu, no papel de repórter, tivesse cumprido uma função importante. Mais que isso: aquele menino me ensinou tanto sobre o desejo de criação artística que não consegui esquecer dele.

Instigado pela intenção de escrever uma crônica sobre o assunto, voltei a procurá-lo. Fui à rodoviária, mas a banca de doces não estava mais lá. Telefonei para um número que encontrei num bloco amarelado, mas a ligação foi interrompida por uma mensagem automática. Perguntei a alguns vendedores da rodoviária, mas ninguém conhecia o menino. O que teria acontecido com ele? Pessimista que sou, imaginei os cenários mais sombrios. Mas, quando sintonizei meus sentimentos numa estação realista, cheguei à conclusão de que talvez ele tenha simplesmente largado o desenho para se transformar num adolescente anônimo, daqueles que não despertam emoções fortes em reuniões de pauta. Teria ele conseguido vencer as expectativas da família e apostar no desenho como um talento incontrolável, uma vocação?

A crônica ainda não existe, e não sei se ela vai sobreviver ao crítico ranzinza e invisível que controla minhas decisões. O que fica, por enquanto, é essa experiência inexplicável de tentar capturar uma história que não é mais minha. Ela não ocupa mais no meu campo de visão. Nada posso fazer para salvá-la. O menino está solto no mundo – talvez perdido (espero que não), talvez feliz, talvez novamente disposto a ensinar a outros repórteres iniciantes algumas lições sobre a misteriosa ânsia de criar. Para mim, parece que morreu.

Talvez sobreviva numa crônica, não sei. Só torço para que o leitor não note a minha insegurança dentro do papel.

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Intrigas de Estado

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State of play, 2009. De Kevin Macdonald. Com Russell Crowe, Ben Affleck, Rachel McAdams, Helen Mirren e Robin Wright Penn. 127min. 6/10

Não conheço muitas redações de jornais. Desde o tempo em que eu ainda era um estagiário imaturo, ansioso e meio pateta, trabalhei em apenas três empresas. Uma experiência curta, mas que me ensinou uma lição: elas, as redações, são todas iguais.

Não falo em aspectos físicos, se é que vocês me entendem. No meu segundo estágio, frequentei uma redação tão compacta e insalubre que lembrava os escritórios esfumaçados de Mad men. Quando os repórteres de política retornavam do Congresso Nacional ou do Palácio do Planalto, por volta das seis da tarde, meu pulmão gemia. Todos fumavam desesperadamente e simultaneamente, numa alegre confraternização que poderia ter incendiado a cidade inteira.

Ainda assim, a rotina naquele inferninho não era muito diferente da que vivi antes (numa redação um pouco mais agradável, mas com serveras restrições orçamentárias) e da que vivo hoje (a maior onde trabalhei). Os operários da imprensa escrita aprendem a lidar com pautas mirabolantes, prazos rigorosos, corre-corre e a tensão quase apavorante que acompanha o fechamento das edições diárias. Quando a noite chega, a redação ferve. Os chefes têm pressa, as cobranças são agressivas, a terra treme, os cordeiros viram leões e ninguém é de ninguém.

Não sei se é assim em todo o canto do mundo, mas, a depender do que se vê no thriller Intrigas de Estado, as redações norte-americanas encontraram a solução para minimizar esse tipo de estresse. No filme, um repórter investigativo (interpretado por Russell Crowe) tem oito horas para apurar uma história cabeludíssima que envolve um congressista (Ben Affleck), assassinatos e uma possível conspiração envolvendo as mais caras instituições norte-americanas (em filmes dessa laia, a ameaça sempre é a mais perigosa possível). Quando ele retorna à redação, tarde da noite, depois de ter descumprido os prazos mais flexíveis do planeta, o que encontramos é um lugar silencioso, esvaziado e pacífico — uma espécie de lar-doce-lar. Um templo da informação.

Para uma fita supostamente realista, inspirada numa série britânica (da BBC!) que investiga a ligações perigosas entre imprensa e poder, parece um cenário de conto de fadas. Mas entendo esse tipo de simplificação: mesmo quando adota um tom sóbrio (a aí a inspiração é sempre, sempre Todos os homens do presidente), Hollywood ainda trata os jornais com tintas românticas, ora como set de filme de espionagem, ora como ambiente para a mais doce love story (alguém lembra do colunista sortudo de Marley e eu, que fica rico e compra uma mansão no campo?).

Imagino o quanto este filme teria crescido com um olhar menos ingênuo para o cotidiano dos repórteres. Em vez disso, o roteiro (escrito a seis mãos, com colaboração do paranoico Tony Gilroy de Duplicidade) toma duas ou três grandes questões do jornalismo contemporâneo — as relações entre repórter e fonte, a conflito entre a velha guarda e uma geração afinada às novas tecnologias — e dilui tudo numa trama policial truncada, cheia de furos e contradições (e com um desfecho risível, daqueles que banalizam um filme inteiro).

De qualquer forma, não é uma polpa tão rala. Diante de uma trama tão banal, é inevitável que o espectador acabe prestando atenção a detalhes mais instigantes. Por exemplo: as reviravoltas são armadas como uma grande arapuca para testar os códigos de ética do personagem de Crowe (que está muito bem, por sinal). O jogo de interesses entre o repórter e o político, amigos de longa data, cutuca a conduta da imprensa — tira os jornalistas do pedestal para tratá-los como profissionais falíveis. Não é muito, mas me agrada a ideia de um thriller de espionagem em que o repórter é, ao mesmo tempo, herói da opinião pública e vítima dos próprios vícios profissionais.

Parece bom? É, mas tudo isso melhoraria com outro diretor. O estilo de Kevin Macdonald, impessoal, transforma a trama num piloto de seriado de tevê. Não vi o original, mas aposto que a BBC fez melhor.

em tempo…

A partida | Okuribito/Departures | Yojiro Takita | 6 | Foi com enorme curiosidade que entrei na sessão de A partida, pronto para descobrir um cineasta que tenta renovar o melodrama com elementos de comédia e cinema fantástico. Mas o que encontrei foi uma experiência tímida: as chulices surgem de onde não esperamos, mas a carga de sentimentalismo é tão massacrante (e a trama, tão previsível) que, depois de quase 2h30 de duração, saí do cinema com a impressão de ter assistido a um combinado meio indigesto do Kurosawa de Viver com Kim Ki-duk. Estranho.

A mulher invisível | Claudio Torres | 5.5 | O melhor que posso dizer sobre o filme é que não é um desastre — e qualquer comparação com as comédias de Daniel Filho o transforma numa maravilha. O template visual sai da mesma linha de montagem de Se eu fosse você (tudo parece ter sido filmado em duas semanas num galpão do Projac), mas o diretor consegue se divertir com as limitações do projeto e exercitar o gosto por um humor maníaco-depressivo, quase desagradável. É uma comédia sobre um homem preso num sonho publicitário, não? Então faz sentido.

Manners | Passion Pit

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passionpitParticipo há quase dez anos de uma coluna de rock publicada semanalmente no jornal onde trabalho. Hoje, três jornalistas colaboram para essa página, cujo projeto gráfico lembra o de um fanzine. Dedicamos o espaço a bandas independentes. Tentamos cobrir a maior parte dos lançamentos de Brasília e, quando possível, mapear cenas de outros estados. Uma ou duas vezes por mês, publicamos matérias sobre grupos internacionais.

O processo de trabalho é, na medida do possível, democrático: sabemos que um jornal de Brasília deve acompanhar as bandas locais. Fazemos isso. Entendemos que, com a crise da indústria fonográfica, o rock independente brasileiro se fragmentou em um punhado de cenas relevantes: há boas novidades em Cuiabá, em Recife, em Porto Alegre e no Acre, por exemplo. Nos esforçamos para chegar longe. Acredito que fazemos esse trabalho com competência.

Quando abrimos janelas para o rock internacional, entramos num ambiente um pouco mais nebuloso. Mas, para mim, fascinante. Em vez de cobrir tudo o que acontece (seria impossível), somos obrigados a fazer apostas. Elegemos bandas que consideramos importantes. Com o tempo, aprendemos que, nesse ramo, não há apostas certas e erradas. Há apostas. Tentamos nos convencer de que a história toda é simples assim.

Não juramos fidelidade a gêneros ou nichos. Há edições em que escolhemos um tema (grupos liderados por mulheres, digamos) e destacamos uma banda inglesa, uma americana e uma sueca. Temos essa liberdade. Não consigo imaginar outra forma de escrever sobre rock independente internacional num jornal diário: as opções são tantas que é preciso fazer escolhas duras. A indústria de discos ainda pauta os jornais — mas os álbuns do Arcade Fire e do Animal Collective nos entusiasmam mais que os do U2 e do Green Day.

Digo tudo isso (e peço desculpas se tudo soa óbvio) para contextualizar uma situação que me deixou um pouco incomodado. Outro dia, na caixa de comentários de um site, uma pessoa criticou com violência a coluna que ajudo a escrever. Não tenho nada contra críticas, vocês sabem. Mas essa me deixou meio perdido: a leitora enfezada dizia que somos “alternativozinhos pedantes” e nos limitamos ao “som da Inglaterra”.

Compreendo o primeiro comentário — não é de hoje que serei acusado de pedantismo (algo que não aconteceria se eu me concentrasse em analisar a discografia de duas ou três bandas conhecidíssimas). Mas o segundo… Escapa do meu entendimento.

Hoje em dia, podemos falar num “som da Inglaterra”? Ou em “som do Canadá”? “Som de Brasília”? Sempre que ouço um comentário do gênero, fico com a impressão de que estamos encarando a música pop contemporânea com ouvidos do século passado.

Aos 13 anos de idade, eu descobria as bandas novas da Inglaterra nas páginas dos semanários Melody Maker e New Musical Express, que chegavam com bastante atraso na biblioteca da Cultura Inglesa. O Tiaguinho Superoito conhecia os discos em detalhes, mas (em quase todos os casos) não conseguia ouvir as canções. Pouco tempo depois, o cenário mudou por completo: eu já conseguia ouvia todas as canções (via internet), mas aquela mesma imprensa musical britânica parecia presa a um antigo formato. A New Musical Express publicada hoje em dia é muito parecida com aquela que eu lia nos anos 90.

Hoje, aposto que os meninos de 13 anos obcecados por música pop usam os semanários e revistas como complemento para a leitura de sites e blogs. Essa mudança de panorama não é superficial (ainda que os jornalistas britânicos de rock queiram nos convencer do contrário).

As bandas eleitas pelas revistas inglesas e norte-americanas nos anos 90 refletiam uma tendência à formação de cenas (o britpop, o grunge, o nu metal, por exemplo). Por mais que se sinta saudades dos “bons tempos”, precisamos admitir que o avanço da internet alterou o eixo da música pop: a partir de 2000, os sites e blogs (que, por conceito, não estão atados a territórios) passaram a se identificar com bandas que fragmentam gêneros e borram fronteiras, que parecem ter nascido em qualquer lugar, em qualquer época. Phoenix soa francês da mesma forma como CSS soa brasileiro. De que passado vêm o Strokes e o White Stripes? E o Vampire Weekend?

O que resta às velhas revistas é correr atrás de bandas que, no fim das contas, nada mais são que reflexos para uma nova forma de ouvir música.

É uma transformação complicada, que mexe com estruturas caducas, que desafia a fé de antigos fãs de rock. Mas, como não estou disposto a escrever uma dissertação sobre o tema, vou abreviar a pregação com um estudo de caso: Passion Pit.

O quinteto, que você já conhece, foi formado em Massachusetts. Lança discos por um selo de Nova York. Ficou conhecido em blogs e sites. O som alterna referências do indie rock mais emotivo (à Death Cab For Cutie) com electropop oitentista, meio debochado (Cut Copy vem à mente). Os falsetes do vocalista às vezes lembram Robert Smith, às vezes Los Campesinos. Um clima de excitação juvenil costura as faixas, que simulam o recreio de um colégio abarrotado de criancinhas.

Que banda é essa? Como classificá-la? De onde ela vem?

Um fã de Oasis que congelou-se no tempo provavelmente acusaria o disco de soar confuso. Para mim, parece saturado de ideias. Cada faixa acrescenta elementos a um estilo já denso e, se a estrutura pop das canções soa fácil, aproximar-se do álbum exige algumas audições. Mas taí um grupo que transpira o tempo em que vive. Manners tem canções soltas umas das outras, despreocupadas em seguir uma determinada linha sonora (The reeling, o single mais forte, provoca uma fissura no disco). Um álbum pop lindamente desamarrado.

Nada surpreendente, por isso, que a Columbia Records tenha ouvido, gostado e se associado ao selo indie Frenchkiss para lançar o disco. Uma notícia que, no início dos anos 90, seria recebida como uma pequena revolução. E que, hoje, é procedimento de rotina.

Me pergunto se os leitores de colunas de rock publicadas em jornais diários percebem ou se preocupam com esse tipo de mudança. Eles ouvem música da mesma forma como ouviam há dez anos? Eles acreditam no poder que o pop tem (e sempre teve) de ecoar as transformações do nosso mundo? Espero que acreditem (para esses, sugiro Passion Pit) — caso contrário, temo ter desperdiçado meu tempo com palavrinhas ocas abandonadas em pedaços de papel.

Primeiro disco do Passion Pit. 11 faixas. Lançamento Frenchkiss Records/Columbia Records. 8/10