Thomas McCarthy

2 ou 3 parágrafos | O visitante

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Eu estava pronto para descartar O visitante (6/10) quando fui contrariado por um elemento-surpresa: raro é o filme capaz de ressaltar com tanta convicção a bondade dos personagens. Thomas McCarthy volta a câmera para a generosidade  – e o faz delicadamente, sobriamente, sem soar como um menino inocente e choroso de dois anos de idade.

É um traço que, para mim, compensa a inconsistência do projeto. Apesar de simpático e tudo, é um filme inconsistente. O cineasta é daqueles que ficam em cima do muro: filma economicamente, mas sem flertar com o minimalismo; controla a dose sentimental da narrativa, mas vive apelando para golpes baratos (há forma mais simples de tratar das tensões pós-11 de setembro que trancar dois estrangeiros e um americano dentro de um apartamento em Nova York?). Na falta de um estilo, McCarthy adota a estratégia-padrão do cinema independente norte-americano: é clean e nada mais.

Mas, acima do diretor, acima do filme que ele dirige, acima das mensagens de solidariedade (batidíssimas), há os personagens e os atores que os interpretam. Daí o mérito de Richard Jenkins, que, se excluirmos dois momentos-Oscar (o clímax e o desfecho), compõe um tipo complexo, já que tão sisudo e introspectivo quanto frágil, íntegro e, por isso, adorável. Não merecia a estatueta (Mickey Rourke, né), mas justifica a existência do filme.