The Boy Least Likely To

Superoito express (4)

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december

The hazards of love | The Decemberists | 6.5 | O segundo álbum do Decemberists por uma grande gravadora é um daqueles projetos tão ambiciosos quanto falhos, mas que impressionam pelo escopo (e a Capitol Records não está sendo corajosa nem nada: em tempo de Viva la vida, deve haver um público pronto a abraçar esses complexos de épico). Colin Meloy, a dois passos de assumir o trono de Billy Corgan, narra uma fábula de amores proibidos, seres da floresta e tragédias violentas. Começa como uma homenagem ao folk britânico dos anos 60, termina com riffs à Led Zeppelin. Estranhamente, a banda nunca parece à altura do formato à ópera-rock que adota: no nicho, fica mais para Ben Folds Five e My Chemical Romance (criativo, mas inofensivo) que para uma jornada à Fiery Furnaces.    

The law of the playground | The Boy Least Likely To | 6.5 | A calda açucarada de fofura pode provocar enjoo, mas o recheio é menos gorduroso do que dá a entender: o segundo álbum do duo britânico não repete a receita da estreia (resumindo: a banda saiu da garagem e conseguiu pagar por um bom estúdio), tem melodias que não apodrecem na terceira audição (algumas delas, como Whiskers, ganham sabor com o passar do tempo) e reforça a identidade do grupo, que compõe hinos delicados para velhos adolescentes. Tem senso de humor, apesar da polidez. 

Two | Miss Kittin and The Hacker | 6 | Enquanto o Yeah Yeah Yeahs descobre o electro-rock, o segundo disco de Miss Kittin com The Hacker tenta livrar-se desesperadamente do rótulo. Não é tão fácil quanto parece. Ao contrário dos hits esqueléticos e safadinhos de First album, eles agora optam por climas mais pesados, com uma eletrônica que sufoca em vez de chocar (as duas primeiras faixas, The womb e 1000 dreams, passam dos cinco minutos; só a terceira, Pppo, decola). Um retorno bastante digno, ainda que pouco memorável – e a cover de Suspicious minds, do Elvis, parece deslocada, uma armadilha fácil demais. 

Fantasies | Metric | 5 | Se a carreira solo de Emily Haines soa confessional o suficiente para fazer com que nos esqueçamos das referências óbvias  (Fiona Apple + Cat Power), não posso fazer o mesmo sobre o Metric: não consigo encontrar nada na banda além de uma superfície sonora bastante fina, previsível e às vezes reluzente. Haines afirmou à imprensa que tirou férias em Buenos Aires para compor as novas canções: e daí o álbum abre com uma faixa que copia escancaradamente os trejeitos de Kim Deal (Help, I’m alive). Ou seja: ou eles querem apenas compor canções aptas para qualquer top 20, ou não sabem converter teoria em prática.