Temas que renderiam um simpósio sobre desenvolvimento social

2 ou 3 parágrafos | Distrito 9

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(Escrevi um parágrafo inteiro comparando este Distrito 9 com Presságio, e puxando a sardinha descaradamente para o filme do Nicolas Cage, que, a meu ver, lida mais corajosamente com imagens e incertezas que nos afligem, mas resolvi apagar tudo. Não adianta. Vocês não vão mudar de ideia.)

O plot de Distrito 9 (7/10) já foi esquadrinhado por tanta gente que fico com até com preguiça de tocar no assunto. Mas lá vai: é mesmo impressionante  a forma como Neill Blomkamp faz cinema político (e acho que nem Michael Moore fez um filme sobre apartheid, segregação, xenofobia, medidas autoritárias de governos, os maus tratos sofridos por estrangeiros, marginalidade urbana e comércio ilegal de armas) com as hipérboles de uma fita B. Os filmes B que amamos são os mais intensos, os desenfreados, os que não pedem perdão, os que pegam, matam e comem. O cineasta sabe disso, Peter Jackson sabe disso (ele fez Fome animal), minha avó sabe disso e, nos primeiros 60 minutos, com uma câmera desarranjada e autoirônica (à Cloverfield) Neill cria um dos filmes B mais destemidos que vi em alguns anos (e não vou citar Presságio, calma aí). É como um mashup de A mosca, Tropas estelares e Cidade de Deus. Com picles.

… E depois a vaca quase vai para o brejo. Entendo assim: este filme só seria uma obra-prima se durasse 15 minutos. Para uma provocação tão acelerada, que gasta logo toda a munição, é um risco tremendo decidir-se pelo formato clássico de action movie — mais um a narrar a louca escapada de um herói encrencado. Essa segunda parte acaba parecendo ordinária perto do início do filme. Mas, como o Chico bem observou, vale notar como o longa converte um protagonista detestável num chapa falível com quem todos podemos nos identificar.