Superdesgosto

Os discos da minha vida (10)

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Que coisa mais enfadonha esta saga dos discos que massacraram os meus sentimentos e violentaram a minha vida, não? Eu estou começando a concordar que já foi mais divertido.

Então vamos depressa que o calvário logo acaba.

Por minhas contas, ainda vai levar alguns meses, talvez muitos meses, possivelmente uma eternidade, mas… Preste atenção: pode ser que, num dia belo (e de sol), eu decida postar a lista completa dos 100 discos, abandonar o blog, correr pra praia e abrir um quiosque de mate, sanduíche natural e água de coco. Que a vida é só uma.

Por falar em vida, o post de hoje trata de discos que mexem com memórias doloridas e, portanto, eu preferiria simplesmente ativar o f**a-se e escrever zero caracteres sobre eles. Posso? Não posso? Isso quebra uma regra? Seria deselegante? Então ok, mas vou tentar ser frio e bruto. E forte. Que melancolia é coisa de macho.

Você pode fazer o download dos álbuns mas, nesses casos, não recomendo. Sério: é tudo muito triste, você vai se sentir mal, eles vão estragar seu dia, vão ficar te espezinhando e você não precisa disso. Prefira algo mais ameno. Prefira música de elevador. Que estamos num feriado.

082 | A ghost is born | Wilco | 2004 | download

Tem gente que considera este disco um estorvo: é blasé, é gélido, é artsy (no mau sentido) e em alguns momentos soa tão polido quanto um álbum do Fleetwood Mac. Eu, que nada tenho contra os discos do Fleetwood Mac, não posso me manifestar contra ou a favor dessa corrente do mal. A ghost is born é o disco do Wilco que não consigo avaliar racionalmente. A trilha sonora do meu longo namoro que deu errado também é um álbum que parece falar um pouco sobre o menino triste e inseguro que eu sempre fui. “O seu objetivo de vida era ser um eco”, diz Jeff Tweedy em Hummingbird. Sei como é. No mais, vou dar uma de Godard: no comments. Top 3: Handshake drugs, Spiders, Hummingbird.

081 | Songs from a room | Leonard Cohen | 1969 | download

Logo depois que descobri Leonard Cohen (graças a uma música do Nirvana, Pennyroyal tea), tratei de comprar quase todos os discos dele. Meu plano era ouvir todos de uma vez só, mas fiquei semanas preso a este aqui. Não é o melhor (eu recomendaria Songs of love and hate, de 1971, ou o primeiro, Songs of Leonard Cohen, de 1967), mas passa uma impressão de intimidade que Cohen nunca superou. Para mim, foi quase fatal: descobri essas canções quando eu era um moleque infeliz com uma grave tendência a achar que o meu futuro seria um quarto apertado, sem mobília e com paredes brancas. Voltar a este disco (e a esta época)? Não, obrigado. Top 3: Bird on the wire, The partisan, Tonight will be fine.