Royksopp

The drug | Royksopp

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Neste clipe assustador do Royksopp, três garotas estilosas – repare os acessórios coloridos – se metem onde não são chamadas. Um dos melhores do ano (e, se o link do YouTube pifar, sugiro que vocês procurem o vídeo imediatamente em outro canto).

Mixtape! | O melhor de agosto

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A mixtape de agosto é um break-up record. É isso e nada além disso. Um disco de separação, mal-me-quer, fim de caso, pé-na-bunda, etc. Mas não o tipo de break-up record que fica chorando pelos cantos e chutando latinhas. Nada a ver. Estamos falando de um modelo mais realista de break-up record.

É que, à vera, as separações contêm uma série de sentimentos conflitantes que não aparecem num típico break-up record. E por que isso acontece? É que a impressão de coerência às vezes serve à arte – mas quase nunca às nossas vidas ó tão caóticas.

Então taí. Esta mixtape usa algumas músicas que ouvi no mês de agosto para formar um catálogo de sensações que mapeiam o fim de um relacionamento amoroso. Pela ordem: ódio, leve euforia, melancolia, rancor, sutil desejo de recuperação, leve recuperação (acompanhada de bebedeiras irresponsáveis), doce nostalgia, fúria, tristeza e, finalmente, depressão (que as coisas costumam terminar mal, vocês sabem).

E essa não é, de forma alguma, uma desculpa bolada às pressas para justificar uma mixtape esquizofrênica.

Não é. Ouça uma vez e ouça novamente. Na primeira audição, provavelmente você tratará este CD como qualquer bobagem. Na segunda, ele vai começar a criar teias no seu coração. Na terceira, você entenderá que é a melhor mixtape que encontrou neste site. Em todos os tempos. A melhor. Ou pelo menos a mais humana.

Lá dentro, pulsam canções do Of Montreal (que gravou o disco preferido do mês, False priest, e por isso aparece na foto meio bizarra lá de cima), do Ra Ra Riot, do Royksopp, do Villagers, do Stars, do Curren$y, do Eels, do Thermals, do Sufjan Stevens e do Matthew Dear.

É, no mais, uma mixtape pequenina, de uns 30 e poucos minutos, para compensar os excessos do mês passado. Pequenina mas nunca desprezível ou simplezinha. Grandes surpresas num pequeno pacote.

As mixtapes deste site passam por um rigoroso controle de qualidade e, por isso, precisamos da sua opinião para manter um bom atendimento. Traduzindo: este é o post em que você vence a sua timidez e escreve um comentário bem bonito. Ok? 

A lista de canções, como de costume, está logo ali na caixa de comentários. Faça o download da mixtape de agosto aqui ou aqui.

Remind me | Röyksopp

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Já que o momento é de flashback da década (e volto com a lista dos melhores discos no início da semana que vem, prometo), aí vai um clipe que descobri recentemente e entraria seguramente num top 20 meu. Criado pelo estúdio francês de animação H5, o vídeo de 2007 explica o mundo, a vida e tudo o mais num punhado de infográficos.

Junior | Röyksopp

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royksoppÉ uma daquelas ironias amargas: apesar de ter lançado belos singles (como Eple, Poor Leno e o recente Happy up here), o Röyksopp nunca conseguiu compor álbuns minimamente consistentes. Mesmo o primeiro, o elogiado Melody A.M., de 2001, parece uma colcha de retalhos perto de Moon safari, do Air (a referência mais próxima, naquela época).

Os defensores da banda podem até dar de ombros para a fragilidade dos discos (e sair dizendo por aí: “o álbum morreu, antes ele do que eu”). Mas acontece que o duo norueguês dá a impressão de estar bastante empenhado nessa arte menosprezada (mas bastante viva, ok?) – a arte do álbum.

Junior se sustenta nos singles (Happy up here, The girl and the robot), mas pede para ser interpretado como uma obra com um conceito. Quer ver? Para começar, é um disco de cantoras – com participações de Robyn, Lykke Li, Karin Dreijer Andersson (The Knife, Fever Ray) e Anneli Drecker. As vozes femininas costuram (ou deveriam costurar) as canções.

As faixas são intercaladas por temas instrumentais e os climas sugerem a busca de harmonia entre o primeiro álbum da banda (mais delicado, com um quê de space rock e muito de pop francês) e o segundo (The understanting, mais noturno, urbano e aflito). Um álbum de sonhos fofos sob neon.

Outro sintoma: o duo volta ainda este ano com Senior, um trabalho “mais introspectivo”, segundo eles. Um disco complementar. Só isso já explicaria a desejada identidade de Junior, que nega a imagem (que seria até saudável, entenda) de “compilação de singles”.

Nesse curto-circuito de intenções, o robozinho dá tilt. O álbum, apesar de ótimos momentos, não tem liga – às vezes soa mesmo como um greatest hits, só que composto de faixas de artistas diferentes. Até eu, que adoro Happy up here, entendo como um equívoco abrir o disco com a música – que, em vez de um delicioso aperitivo (é isso que ela é), é servida como prato principal.

A segunda e a terceira faixas, mais perto do tom abertamente comercial de The understanding, se aproximam da dance music mais trivial (ainda que os sintetizadores de Vision one maltratem nossos ouvidos). Forever retoma o espírito brincalhão, com uma catarata de cordas que lembra o Daft Punk de Discovery. Daí em diante, o disco oscila entre um extremo e outro, completamente indeciso – e as participações de Andersson só complicam esse coreto, já que as duas soam como remixes do Knife.

De qualquer forma, Tornbjorn Brundtland e Svein Berge ainda têm prestígio e devem aproveitar-se da onda electropop para fisgar alguma atenção da crítica. Mas note: o hype, se colar, deve durar pouco. O álbum do Phoenix está chegando aí para (se tivermos sorte) clarear o céu do pop.

Terceiro álbum do Röyksopp. 11 faixas, com produção da própria banda. Wall of Sound/Astralwerks. 6/10

BÔNUS TRACKS

batforlashesTwo suns | Bat for Lashes | 7 | A voz exótica que faltou ao disco do Royksöpp, Natasha Khan tem tudo para ser eleita a musa dark da temporada (sim, ela já gravou uma cover de The Cure, muito coerentemente). No segundo álbum, o Bat for Lashes  sofre de distúrbio de personalidade: soa ora como Kate Bush, ora como Björk, ora como PJ Harvey, ora como The Knife, ora como a menina do Exorcista. Mas não são referências fáceis, e, se a capa remete a Evanescence, as canções miram a estratosfera, driblando expectativas dos fãs do primeiro disco, arriscando seriamente sem perder a unidade. Entenda como uma aventura mística de auto-conhecimento, sem desfecho à vista. Scott Walker e Yeasayer participam.

Happy up here | Röyksopp

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Ontem foi um bom dia para videoclipes. Antídoto perfeito para o climão de Wrong, do Depeche Mode, este Happy up here imagina o mundo como um videogame tomado por outdoors multicoloridos e ameaçado pelas navezinhas do Space invaders.

Parece uma besteira, mas o diretor Reuben Sutherland compõe um universo de plástico que combina perfeitamente com a (ótima) música do duo Röyksopp. É o hit eletrônico angelical que o Air parece ter vergonha de gravar. E o vídeo desce feito iogurte de morango. Uma delícia, experimenta aí.