Riscado

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É mesmo muito engenhoso, pra dizer o mínimo, o jogo de espelhos/camadas que este filme cria para narrar a trajetória de uma atriz (um recurso que tá muito bem explicado nesta resenha aqui). O que mais me agrada em Riscado, no entanto, é outra coisa: a afinação das atuações. Elas encontram uma sintonia muito delicada entre a aparência de improviso (em alguns trechos, parece que a câmera flagra essas pessoas sem que elas percebam) e uma certa malandragem metalinguística, que vai sabotando as expectativas do espectador. É, só por isso, um dos melhores filmes brasileiros do ano.

Na primeira meia hora, a engrenagem dessa ficção-em-espiral opera às mil maravilhas: os diálogos são tão imprevisíveis (e verossímeis) quanto as conversas que a gente ouve quando presta atenção a “cenas” do cotidiano (numa estação rodoviária, por exemplo). Pena que o desfecho trágico da trama, talvez por explicitar os truques da dramaturgia como quem esbarra em porcelanas, tenha me afastado dessa ilusão que o diretor estava criando até ali. De qualquer forma, se me pedissem para escolher o melhor elenco de um filme que vi em 2011, eu apontaria para este aqui.

(Brasil, 2010) De Gustavo Pizzi. Com Karine Teles, Gisele Fróes, Lucas Gouvêa e Otávio Muller. 85min. B