Preguiça

2 ou 3 parágrafos | Chico Xavier

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Ouvi um comentário intrigante sobre Chico Xavier (2/5). Era segunda-feira à noite. A sala estava lotada. E o sujeito saiu da sessão com esta: “Gostei. É um filme muito informativo”.

Imagine isso: a trama narra a trajetória de um sujeito muito bondoso e humilde que, monitorado por um espírito Jedi, transcreve livros póstumos de Olavo Bilac. Muito informativo. Eu — e acredito em ETs! — fiquei um pouco incomodado quando a sala de cinema se transformou numa espécie de templo ecumênico. Todos muito compenetrados. Uma choradeira respeitosa. E um clima de “a verdade está na tela”. Não deixa de ser interessante: um filme realista sobre o insólito. É, como dizem, um filme “bem-sucedido naquilo que se propõe” (isto é: ele aperta direitinho os nervos da plateia disposta ao transe).

Mais curioso ainda (e não quero discutir crenças; minha prima acredita no poder dos cristais e, por mim, tudo bem): esse mistério é filmado de acordo com o modelo de cinebiografias que produziu 2 filhos de Francisco e Lula, o filho do Brasil. Está tudo lá: a infância sofrida, as descobertas da juventude, as primeiras controvérsias, a relação com a família, as lições de fé (encenadas no formato de um programa de tevê, já que Daniel Filho é um cineasta pragmático, ateu e muito irônico), a forma como Chico transformou a vida de tanta gente… Assistir a esse catálogo de fórmulas sentimentais fritou a minha paciência (e o filme me pareceu interminável, a imagem do purgatório), mesmo quando um iluminado Nelson Xavier apareceu na tela. Mas, ok, viva o cinema brasileiro: o blockbuster de 2010 vai estimular uma multidão a assistir ao blockbuster da próxima estação. E quando é mesmo que o filme do Eduardo Coutinho chega a Brasília?

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2 ou 3 parágrafos | Transformers 2

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transf

Faça o seguinte: leia o post que escrevi há três dias (sei que é longo e enfadonho, mas você entende que não há vitória sem sacrifício, entende?), e substitua O exterminador do futuro: a salvação por Transformers 2: a vingança dos derrotados (4/10). Sei que é preguiça e isto é uma vergonha. Sei também que você não deu a menor bola para o maldito post. Mas ando trabalhando feito um cão, os tempos são difíceis, tenho um monte de obrigações domésticas e, no fim das contas, não vai mesmo fazer muita diferença.

Mas, antes, deixe-me completar este parágrafo que (não faria tanta) falta. Transformers 2 é até bem honesto naquilo que vende ao público: uma superprodução em estado bruto, assumidamente idiota e inflada (2h30!), que pode ser interpretada como um documentário psicodélico sobre um cineasta obcecado pela ideia de explodir o mundo em zilhões de pixels. Michael Bay continua mais fascinado pelos robôs que pelos humanos, mas pelo menos admite a preferência sem culpas (o filme é narrado por uma máquina, vejam aí). Os fãs do original vão pirar. Já eu continuo achando tudo isso meio doentio.