Poucos parágrafos

2 ou 3 parágrafos | O desinformante!

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The Informant

Encontrei dois filmes dentro deste O desinformante! (5.5/10). O primeiro, uma perda de tempo. O segundo, até surpreendente (para os padrões de Steven Soderbergh).

E dá para dividi-lo pela metade. Na primeira hora, tudo o que vi foi mais um exercício de Mr. Soderbergh em torno do vazio: uma narrativa blasé, “inspirada em caso real”, com um visual retro (às custas de… hum, nada), um protagonista estabanado e uma trilha sonora pitoresca,, que cantarola didaticamente para o público algo como sha-la-la, isto aqui é uma comédia, na-na-na, este filme é uma co-mé-dia. Ainda que eu não tenha notado risadas durante a sessão.

Da segunda metade em diante, o cineasta passa a tratar o personagem principal de outra forma: o homem tem um problema. Ele é um mentiroso compulsivo. Ele tem uma doença séria e, por isso, mete os pés pelas mãos. Soderbergh não só consegue mudar o tom (sem apelar para o dramalhão, e nisso conta com a ajuda de um Matt Damon muito controlado, até inspirado) como abandona o quarto de brinquedos para se envolver com um drama humano. Sem tanto distanciamento. Só para variar. A surpresa é que o projeto acaba se mostrando até ambicioso – não é recreio, mas um desafio sutil para o diretor. Isto é: no fim das contas, as comparações com 11 homens e um segredo acabam não fazendo muito sentido.

2 ou 3 parágrafos | Tá chovendo hambúrguer 3D

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chovendo

Simpático este Tá chovendo hambúrguer (6/10). São muitas as comédias de animação que tentam equlibrar doses de doçura e loucura — e esta aqui me parece até honesta, já que a premissa (sobre o dia em que uma máquina capaz de transformar água em comida perde o controle e faz do mundo num delicioso inferno) parece tirada de um episódio endoidecido de Tiny Toons — e taí uma coisa que me deixa com saudades da infância: Tiny Toons.

Mas, cá com meus miolos… Fico com a impressão de que o deslumbramento provocado pela nova técnica 3D tende a se esgotar, talvez rapidamente. Não quero dar uma de vidente, mas isso tudo cheira ao impacto efêmero provocado por brinquedos de parque de diversão: você paga, se diverte, volta, se diverte, depois se entedia e nunca mais aparece. Será que a novidade tem gás para cumprir, a longo prazo, as altíssimas expectativas dos estúdios? Não sei, possivelmente sim, quem sabe? Só sei que todas as animações lançadas no formato se sairiam bem com o visual “tradicional” (eu mesmo estou ansioso para rever Up em DVD).

Talvez aconteça só comigo, mas, da próxima vez, estou disposto a pagar um pouco menos para assistir a animações legendadas e sem efeito 3D. Se isso é “o futuro”, serei um nostálgico.