Política de autores

Trecho | Itinerário do autor

Postado em Atualizado em

“O itinerário de um autor é sempre mais ou menos o mesmo: um cineasta, decerto conhecido mas incompreendido, ou invisível como artista em seu próprio país, é valorizado pela cinefilia parisiense. Seus filmes são vistos, notados, as revistas apoderam-se dele a golpe de críticas e filmografias comentadas e, logo, programações especiais são organizadas por algumas salas. Em seguida o próprio cineasta é contatado, convidado a ir a Paris por determinados cineclubes, convocado para longos encontros e entrevistas. A entrevista é publicada, acompanhada de um ou vários textos enaltecendo seu estilo, sua mise en scène marcante de filme para filme – publicação aguardada principalmente nos Cahiers du Cinéma, a pequena revista (5 mil exemplares) de capa amarela criada em abril de 1951, referência mais importante para os cinéfilos. E alguns meses, alguns anos mais tarde, depois de os jovens críticos dos Cahiers du Cinéma ficarem famosos, aqueles ex-artistas secundários de Hollywood ou de Roma, já cineastas em Paris, são revistos, depois defendidos e estudados nas universidades americanas ou italianas.”

Trecho de Cinefilia – Invenção de um olhar, história de uma cultura – 1944-1968, de Antoine de Baecque