Oneohtrix Point Never

mixtape | Dezembro, verão cinzento

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A mixtape de dezembro é diferente das coletâneas mais recentes que você encontrou neste blog. As outras vinham em, digamos, technicolor. Esta foi filmada em p&b. Branco e preto. Branco + preto. Um pouco cinzenta, e emocionante all the way.

A mixtape tá tão boa que faz por merecer um adjetivo afrescalhado: é linda, linda, linda demais (pronto, parei com os adjetivos afrescalhados).

Sinceramente, é uma pena que muitos dos três leitores deste blog estejam, neste momento, na praia, torrando ao sol, entornando hidratante nas costas das respectivas namoradas. É uma pena porque esta aqui não é tão-somente a melhor mixtape do ano – estamos falando na melhor mixtape da história deste blog. Sério, gente. Sério de verdade.

Também: é uma das mixtapes mais simples, combinando canções folksy com eletrônica, num tom constante de fragilidade, delicadeza. Melodias por um fio, com estouros ocasionais de entusiasmo. As músicas são todas excelentes, e seria lamentável se você esperasse 2012 começar para conferir essas joias. Faça um favor a si mesmo e ouça esta mixtape antes do ano-novo.

Aqui dentro desta coleção de arquivos em MP3 você encontra Field Music (foto acima), Megafaun, Radiohead (sim!), Run DMT, Julia Holter (voltaremos a ela), Kendrick Lamar, James Blake (sim!), Bill Callahan, Oneohtrix Point Never e The Weeknd (sorry, haters!). Muita melancolia (pra quem é de melancolia), muita sutileza (pra quem é de sutileza). Mas sem cair em chororô, porque isso não é coisa que você encontra neste blog.

Antes que eu esqueça: voltamos a ter a incrível opção tecnológica de ouvir a mixtape aqui mesmo, enquanto você lê o blog! (A lista de faixas está ali na caixa de comentários)

No mais, desejo a você um bom 2012. Até logo (comentários na velha e boa caixa serão recebidos com muito apreço, como de hábito).

Faça o download da mixtape de dezembro (o link já tá funcionando novamente).

Ou ouça aqui:

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Mixtape, posted with vodpod

♪ | Replica | Oneohtrix Point Never

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Daniel Lopatin lançou dois belos discos em 2011: Channel Pressure, com Joel Ford, e este Replica. O Oneohtrix Point Never é o projeto principal do músico – o ganha-pão, enquanto que o Ford & Lopatin passa como uma espécie de hobby de fim de semana. Aparentemente, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

A sonoridade do Oneohtrix não deixa muita margem para malentendidos: é experimental (há quem a chame de ambient, há quem use o rótulo drone: você decide), e exige um ouvinte disposto a se arriscar num território que desconhece. Já o Ford & Lopatin brinca com chavões da música pop: pode dar a entender, por isso, que é uma bobagem oitentista qualquer (e os chapas dos sintetizadores não estão nem um pouco preocupados em desfazer o equívoco).

Mas essa separação entre os projetos (que, em revistas de música, aparece de uma forma até automática) esconde uma semelhança entre eles: nos dois casos, o que eu percebo é a habilidade de Lopatin para criar álbuns cujas identidades musicais se impõem com muita autoridade, graças ao rigor como define um tom específico (de uma mise-en-scéne?) que envolve todas as faixas. Sem precisar, para isso, forçar a barra e apelar para o didatismo.

Esse talento já estava claro em Channel Pressure (um disco mais sobre nostalgia e memória que sobre os anos 80), mas em Replica ele fica ainda mais evidente por conta dos contrastes entre cada uma das músicas/experiências: o piano da faixa-título, por exemplo, fica ainda mais bonito quando notamos que tem uma importância específica dentro do roteiro da obra – que provoca um efeito de deslumbramento por estar ali onde está, entre faixas tão assombradas, tão destroçadas (idem para a selvageria que invade a abertura, Andro, nos segundos finais).

É como num filme abstrato de terror, sem trama, que nos confunde e às vezes nos irrita (Inland Empire?): mas que, quando chega ao fim, deixa a impressão de fazer perfeito sentido.

E (repare como a última faixa funciona com elo perfeito entre os dois discos) aposto que soa ainda mais interessante numa sessão dupla com Channel Pressure.

Sexto disco do Oneohtrix Point Never. 10 faixas, com produção de Daniel Lopatin. Lançamento Mexican Summer/Software. 79