On a Mission

♪ | On a Mission | Katy B

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Eis um disco que sabe ativar aquela propriedade alucinógena da música pop: o poder de provocar o entusiasmo infantil que sentíamos ao ganhar um brinquedo novo. Porque é assim que Kathleen Brien (a inglesinha Katy B, 22 anos) se movimenta nesta lojinha colorida: abrindo e fechando embalagens, trocando acessórios sonoros como quem experimenta marcas de perfumes num free shop. A futilidade pode parecer gritante (e já vejo gente lavando a mão com álcool gel para digitar pedradas contra o CDzinho). É e não é: em novembro de 2012, On a Mission possivelmente terá sido superado por meia dúzia de outros discos pop tão eficientes, reluzentes, divertidos e bem produzidos quanto. Só que existe algo libertário na alegria como Katy vai flanando por subgêneros que geralmente são tratados com pedantismo por uma elite de entendidos (e dá pra listar um punhado deles, do dubstep ao drum ‘n’ bass e o diabo a quatro). Nesse vale-tudo, o disco me lembra as farras do Basement Jaxx, que davam a volta ao mundo da dance music sem a intenção de chegar a um lugar específico. Katy não é tão arrojada (no mais, esse é um disco de estreia que soa como tal). Mas tampouco dá sinal de burrice (exemplo: a letra de Easy Please Me, um bom argumento para mulheres que curtem bad boys, mas não querem namorar presidiários). No mais, ela está numa missão. Acompanhemos.

Primeiro disco de Katy B. 12 faixas, com produção de Benga, Geeneus e Zinc. Lançamento Columbia Records. 78

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