O Pântano

top 100 | Os filmes da minha vida (13)

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Ainda que ninguém tenha organizado marchas ou atos de protesto ou (quem sabe) churrascos contra a interrupção deste ranking, ele está de volta, cheio de amor pra dar, com mais dois filmes pra lá de astonishing, pra ver (de preferência) antes de morrer.

Deu preguiça de postar a lista dos longas que apareceram aqui em edições anteriores, mas prometo que vou estar cumprindo esta demanda no próximo experiente. Até mais.

076 | O Pântano | La Ciénaga | Lucrecia Martel | 2001

O cotidiano desta família de classe média na cidadezinha de Salta, na Argentina, tem incríveis semelhanças com algumas cenas da minha infância suburbana no Rio de Janeiro, quando também ficávamos todos estirados à beira da piscina suja enquanto as crianças quase sofriam terríveis acidentes domésticos. O Pântano, obviamente, não é só isso. É, antes, o ponto de vista de uma cineasta capaz de, com alguns movimentos de câmera, enquadrar a crônica familiar numa espécie de moldura surrealista – o que complica, lindamente, qualquer interpretação sociológica do filme.

075 | O Fim de um Longo Dia | The Long Day Closes | Terence Davies | 1992

Um filme sobre lembranças de infância que (só pra não fugir do tom ultrapessoal do parágrafo acima) diz muito a respeito da minha adolescência, que também foi tomada por um fog de solidão (num cenário mais ensolarado, no entanto). O cinema era a minha companhia, às vezes minha única companhia, daí que acredito compreender o que passa no imaginário do personagem principal, Bud. Quando assisti ao filme pela primeira vez, numa fita VHS, não consegui perceber o que havia de encantador nele. Mas, sem que eu me esforçasse, ele foi ficando na minha memória, se instalando feito um halo – até se tornar um retrato borrado do meu passado.