Mostra de São Paulo

Drops | Mostra de São Paulo (1)

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'Cópia fiel', de Abbas Kiarostami

Cyrus | Jay Duplass e Mark Duplass | 2/5 | O tipo de drama indie aparentemente cru (mas que se torna apelativo, superficial) que a Fox Searchlight lança todos os anos para tentar indicações ao Spirit Independent Awards e, quem sabe, ao Oscar. John C. Reilly e Jonah Hill mereciam mais.

Símbolo | Shinboru | Hitoshi Matsumoto | 3/5 | Difícil descrever esta piração de Matsumoto, que começa como uma fita de Robert Rodriguez (cenário: o deserto mexicano) e logo se transforma num cartoon surrealista. Incrível é como o diretor consegue (e consegue!) amarrar essas duas pontas da narrativa. Um filmezinho bizarro sobre as bizarrices do mundo.

Fora da lei | Hors-la-loi | Rachid Bouchareb | 2/5 | Para Bouchareb, está claro que expor didaticamente a tragédia argelina interessa mais do que fazer cinema. Só fico me perguntando se filmar burocraticamente também conta como um ato político. As 2h20 passam como 6h20.

Abel | Diego Luna | 3/5 | Luna me incomoda um pouco quando se diverte com os traços cômicos da premissa (um menino traumatizado passa a se comportar como se fosse o próprio pai), mas vira o jogo na meia hora final. Pouco a pouco, a brincadeira literalmente perde a graça.

!!! Cópia fiel | Copie conforme | 4/5 | Pode deixar a impressão, principalmente nas primeiras cenas, de que se trata de um dos filmes mais simples de Kiarostami. Mas não: o conforto provocado por uma encenação familiar (um homem e uma mulher conversando nas ruas da Itália) é só o aquecimento para um dos jogos mais enigmáticos do cineasta. O que parece óbvio vai se dissolvendo lentamente: os personagens podem não ser o que aparentam, os papéis que interpretam estão sujeitos a alterações e até o tema principal do filme (aparentemente tão claro: as relações entre original e cópia) é colocado em xeque. Uma história de amor? Um ensaio sobre arte? Talvez as duas coisas. Kiarostami, como sempre, brinca com a nossa percepção – e não fecha a porta do mistério.

Melhores da Mostra de SP

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O Chico pediu a lista dos cinco melhores filmes da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Em dois fins de semana (o segundo deles, bem tumultuado), não vi muita coisa, mas já dá para tirar um dream team que vai assim:

1. I’M NOT THERE

Mais do que compreender profundamente o transe de identidades que faz de Bob Dylan um mito tão sedutor, me impressiona pela forma apaixonada como se aproxima desse símbolo. Haynes não pretende desvendá-lo. Não quer explicá-lo. Como fã, sabe que esses procedimentos costumam anular o magnetismo de todo bom ícone pop. Como cineasta, melhora a cada filme. Este é obra-prima.

2. IMPÉRIO DOS SONHOS

Lynch bem à vontade no mundo que é só dele e de mais ninguém. Em comparação, quase todos os concorrentes parecem muito medrosos.

3. ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO

Amargo, Lumet nos leva ao inferno na companhia de personagens que não têm mais por onde acertar. Estou no time dos que consideram este um dos maiores filmes do diretor.

4. À PROVA DE MORTE

Eu ainda preferiria testar a versão de 90 minutos – mas não deixa de soar estranho um filme cujo impacto mais espetacular parece concentrado depois das cenas todas de perseguição, no (brilhante) letreiro final.

5. PARANOID PARK

Skate, colégio e Elliott Smith. Gus Van Sant ainda obcecado pela dolência adolescente, e (sorte a nossa) sem fazer a menor idéia de como entender toda essa crise.