Moon

2 ou 3 parágrafos | Lunar

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Desde o lançamento de Avatar, ouço a reclamação de que, apesar de todo o deslumbramento visual, o filme de James Cameron tem um problema: a trama é fraca. A esses, indico Lunar (Moon, 6/10), uma ficção científica muito engenhosa — mas que, pelo menos na tevê lá de casa, não pareceu nem um pouco hipnótica.

Duncan Jones, o diretor (e filho de David Bowie), tenta uma provocação sobre a ética da ciência. Para isso, joga com as expectativas do público, que fica meio perdido entre personagens que, isolados numa estação espacial, podem ou não ser clones. Como reconhecer um ser humano?, eis a questão. Sam Rockwell embarca no delírio solitário como quem tenta superar o Robert Duvall de THX 1138.

As ideias são até atraentes; o visual, old school (e, como Avatar, Jones cita um punhado de fitas de ficção científica, de 2001 a Alien). Mas me incomoda a falta de domínio da narrativa, a dificuldade de traduzir as filosofices em situações vivas, fortes, singulares. Parece até que a trama está emperrada, embolada. E, se é assim, do que adianta uma trama supostamente complexa? Em matéria de clareza e fluência, ninguém tem muito a reclamar de James Cameron. E me parece um erro essa história de confundir ficção científica inteligente com ficção científica que, às custas da nossa paciência, se faz de inteligente. São duas coisas bem diferentes. De aparente simplicidade, o mundo de imagens criado em Avatar me parece mais autêntico.