Lucrécia Martel

top 100 | Os filmes da minha vida (13)

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Ainda que ninguém tenha organizado marchas ou atos de protesto ou (quem sabe) churrascos contra a interrupção deste ranking, ele está de volta, cheio de amor pra dar, com mais dois filmes pra lá de astonishing, pra ver (de preferência) antes de morrer.

Deu preguiça de postar a lista dos longas que apareceram aqui em edições anteriores, mas prometo que vou estar cumprindo esta demanda no próximo experiente. Até mais.

076 | O Pântano | La Ciénaga | Lucrecia Martel | 2001

O cotidiano desta família de classe média na cidadezinha de Salta, na Argentina, tem incríveis semelhanças com algumas cenas da minha infância suburbana no Rio de Janeiro, quando também ficávamos todos estirados à beira da piscina suja enquanto as crianças quase sofriam terríveis acidentes domésticos. O Pântano, obviamente, não é só isso. É, antes, o ponto de vista de uma cineasta capaz de, com alguns movimentos de câmera, enquadrar a crônica familiar numa espécie de moldura surrealista – o que complica, lindamente, qualquer interpretação sociológica do filme.

075 | O Fim de um Longo Dia | The Long Day Closes | Terence Davies | 1992

Um filme sobre lembranças de infância que (só pra não fugir do tom ultrapessoal do parágrafo acima) diz muito a respeito da minha adolescência, que também foi tomada por um fog de solidão (num cenário mais ensolarado, no entanto). O cinema era a minha companhia, às vezes minha única companhia, daí que acredito compreender o que passa no imaginário do personagem principal, Bud. Quando assisti ao filme pela primeira vez, numa fita VHS, não consegui perceber o que havia de encantador nele. Mas, sem que eu me esforçasse, ele foi ficando na minha memória, se instalando feito um halo – até se tornar um retrato borrado do meu passado.

No Twitter | 10/6 a 13/7

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Uma compilação dos comentários-relâmpago sobre séries e filmes que postei no Twitter durante a semana. Em alguns casos, com adjetivos e interjeições que não couberam nos 140 caracteres. Nesta edição, só filmes. Com faixas-bônus e easter eggs.

(Pescando os textinhos no Twitter, notei que escrevi uma torrente de barbaridades durante a Copa do Mundo. Perdão, amigos, e até 2014)

A mulher sem cabeça | La mujer sin cabeza | Lucrécia Martel | 4/5 | Daqueles grandes filmes de mistério em que o detetive é o público. Cada cena é essencial (ainda que, numa primeira impressão, possa sugerir um torto fluxo de consciência). Não se apresse usar o rótulo ‘lynchiano’ – antes, note as sutilezas de uma trama menos delirante do que as aparências indicam.

Um lago | Un lac | Philippe Grandrieux | 4/5 | Grandrieux tem todo um ambiente exótico à disposição (é um mundo congelante, e deslumbrante), mas prefere usar a câmera para ampliar sentimentos: amizade, amor, relações familiares, ciúmes, dependência, isolamento e solidão. Cada uma dessas palavras é encenada com tanta precisão que, em alguns momentos, passei meus olhos pelo filme como quem vira as páginas de um dicionário: as nossas emoções, capítulo 1.

Nausicaä of the Valley of the Wind (1984) | Hayao Miyazaki | 3.5/5 | Que poderia se chamar ‘James Cameron’s wet dream’: lições de ecologia + imaginação febril. Mas tudo bem (do que estou reclamando mesmo?): um tempo depois, Miyazaki revisou a ideia em A princesa Mononoke – esse sim, um assombro.

A Riviera não é aqui | Bienvenue chez les Ch’tis | Dany Boon | 2.5/5 | 80% das piadas se perdem na tradução. O que resta é uma comédia gentil (e quase singela) que não chegou a me irritar.

Encontro explosivo | Knight and day | 2/5 | Os atores se divertem mais do que o público. Mas são pouco exigentes e, por isso, senti alguma vergonha alheia: Cruise & Diaz, vejam que constrangimento, não superam o patamar de Brad & Angelina (Sr. e sra Smith) e Harrison Ford & Anne Heche (Seis dias e sete noites).

Patrik 1.5 | Ella Lamhagen | 2/5 | Os atores até enganam, mas as situações são tão forçadas que me lembraram as comédias românticas mais tolinhas. Bobagem.