Karina Buhr

Mixtape! | Brasil, 2010

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Há alguns dias, postei uma lista dos 10 discos brasileiros que mais gostei de ouvir em 2010. Este post de hoje é um complemento daquele post lá. Atendendo a pedidos eufóricos e por isso irresistíveis, dobrei as manguinhas e fiz uma mixtape esperta com as minhas músicas preferidas deste Brasil varonil.

E assim dou o assunto por encerrado: chega de 2010 neste blog. Cabou a festa. 2011, venha que estamos te querendo.

Pois então. Vocês querem saber o que esta mixtape aqui representa, certo? Nem tenho muito a dizer, honestamente. Só o óbvio: ao contrário das coletâneas mensais, esta aqui obedece a um critério muito objetivo. É um top 12 (fora de ordem), e ponto. Tem Mombojó, que fez o meu disco brasileiro favorito do ano (e lá estão eles na foto que abre este post), tem Marcelo Jeneci, tem Guizado, Watson, Garotas Suecas, Tulipe Ruiz e Lestics. E tem bandas que não entraram no meu top 10 de álbuns, como o Superguidis, o Diego e o Sindicato, o Lucy and the Popsonics.

É claro que, se vocês prestarem atenção às letras, vão ficar com a impressão de que, dentro desta coletânea, existe algo sobre a minha pessoa. Mas negarei até o fim.

São boas músicas. Suei a camisa para que o CD soasse muito agradável. Tomara que sim. Experimentem e depois avaliem, ok?

No mais, lembro que a mixtape de dezembro ainda está bombando neste link aqui. Aos que estavam de folga, curtindo o verão, e voltam a trabalhar nesta segunda-feira, esses arquivos compactados equivalem a uma dose de energético.

Mas não é isso o que vocês vieram fazer aqui, certo? Então baixem agora mesmo a mixtape Brasil, 2010. A lista de músicas está logo ali na caixa de comentários, como de costume.

10 discos brasileiros de 2010

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Escrever sobre discos brasileiros neste blog, para mim, é complicado. Faz algum tempo que não me meto com eles.

Com os internacionais, sinto que tenho uma liberdade maior para bolar os textos que bem entendo. Fico com a impressão de que, quando escrevo sobre os álbuns daqui, assumo uma responsabilidade que vai além das intenções deste blog.

O que pode ser uma grande bobagem, eu sei, mas é o que acontece. E estou bem assim. Este blog não é uma revista de música, não é um suplemento cultural, não é um release, não faz parte de nenhuma cena. É apenas o lugar onde estico as pernas quando volto do trabalho.

Mas, para não fugir totalmente da onça, fiz uma listinha com os discos brasileiros que mais gostei de ouvir em 2010.

Este ranking foi criado em dois momentos. Primeiro, a partir dos discos nacionais que ouvi durante o ano, no trabalho. Depois, durante o mês de dezembro, quando finalmente acertei contas com a montanha de álbuns que deixei passar nos meses anteriores. Eu poderia ter feito um top 20 – bons discos ficaram de fora. Mas preferi uma seleção um pouco mais rigorosa, só com aqueles 10 que mais me impressionaram.

Se eu fizesse uma lista de melhores do ano que incluísse discos nacionais e internacionais, apenas o primeiro colocado entraria no meu top 20.

Então vamos, que estou falando demais.

10 | Escaldante banda | Garotas Suecas

Um disco de soul music que, quando toma embalo (em faixas geniosas como Ela e Ninguém mandou), soa como o bootleg psicodélico que um discípulo talentoso de Jorge Ben poderia ter gravado no início dos anos 70.

9 | Do Amor | Do Amor

Talvez um passo maior que as pernas, mas e daí? Um disco que quer ser tudo de uma vez só, gravado com o entusiasmo e a ansiedade de quem quer nos conquistar completamente logo no primeiro encontro. Haja amor.

8 | Calavera | Guizado

De longe, parece um vale-tudo psicodélico. Quanto mais nos aproximamos do disco, no entanto, mais ele nos convence de que nenhuma loucura é gratuita. Firme tanto nos momentos de transe quanto de lirismo (e O marisco é uma das grandes canções do ano).

7 | Emicídio | Emicida

Tem tudo o que esperamos de uma boa mixtape de hip-hop: os exageros, as arestas, os projetos inacabados e as ideias brilhantes. O caderno de esboços de um rapper que não confunde contundência com sisudez. E que deixa a impressão de ainda estar se aquecendo para a briga.

6 | Aos abutres | Lestics

O country/folk rock abrasileirado do Lestics pode soar singelo, mas me espanta como a banda nos emociona com os elementos básicos da canção. Gravado em esquema caseiro, um disco sem data de validade. Nas nuvens é minha música preferida de 2010.

5 | Eu menti pra você | Karina Buhr

Se a delicadeza é a chave para a maior parte dos discos de cantoras brasileiras (de Vanessa da Mata a Tulipa Ruiz), Karina toma o caminho do atrevimento. Um disquinho corajoso até quando fala macio, e hilariante quando aplica o deboche para o bem da nação (no funk Ciranda do incentivo, delicioso copo de veneno).

4 | Watson | Watson

Não é um disco sobre Brasília, mas quem vive por aqui vai encontrar um retrato muito atípico da cidade, que se infiltra nas canções sem que percebamos. Um lugar estranhamente comum, com tardes silenciosas de domingo, conversas de bar e bandas que se apresentam para ninguém. Pena que o mercado independente brasileiro ainda é tão deslumbrado com o Sudeste: este é o álbum de rock mais franco do ano.

3 | Feito pra acabar | Marcelo Jeneci

É a unanimidade de 2010, mas prefiro encarar esta estreia apenas como a bela certidão de nascimento de um autor. Eu preferiria um álbum um pouco mais curto, com outra ordem de músicas (o início me parece um marasmo) e uma capa menos genérica. Mas esse sou eu reclamando por pouco. O que Jeneci conseguiu é o bastante: fez um disco muito pessoal, mas que parece conter todo o espírito de uma geração que ficou órfã do Los Hermanos, ainda flutuando em lirismo, gentileza e acordes amáveis.

2 | Efêmera | Tulipa Ruiz

É um début que me parece mais coeso e seguro do que o de Marcelo Jeneci, ainda que os dois pertençam ao mesmo mundo (até os títulos se complementam). Em todas as canções, Tulipa consegue criar uma atmosfera de leveza e intimidade que nos desarma. “Vou ficar mais um pouquinho para ver se acontece alguma coisa nessa tarde de domingo”, ela avisa, logo no começo. O álbum é esse entardecer.

1 | Amigo do tempo | Mombojó

Depois de um disco retraído, cuidadoso demais (Homem-Espuma, de 2006), o Mombojó volta a se largar no furacão. Amigo do tempo retoma as liberdades de Nadadenovo, mas nada de reprise: escrito por uma banda menos ingênua, mais lírica, ainda disposta a se perder e se reinventar. “Não sou mais quem fui. Sinto perigo em qualquer lugar”, dizem, em Casa caiada. Crescer é um mistério. E é exatamente nesse ponto que a história começa a ficar boa.