Jenny Lewis

Quatro discos e pé na estrada

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Na pressão, bem rápido, sem rigor, quase no automático, enquanto arrumo as malas para a viagem a São Paulo.

Another world EP | Antony and the Johnsons | **

A prévia do álbum The crying light, programado para 2009, me deixa dividido. De um lado, é bom saber que Antony Hegarty retorna mais inquieto que aborrecido (a melhor prova de que o sujeito anda uma pilha de nervos é Shake that devil, que parece um blues-rock do Morphine). De outro, as músicas mais novas (entre elas o primeiro single, Another world) repetem quase literalmente os temas e climas do disco anterior, batem na mesma tecla. De uma forma ou de outra, a tristeza não tem fim.

Furr | Blitzen Trapper | **

O sexteto de Portland talvez seja a melhor banda verdadeiramente derivada de Super Furry Animals. Nada errado nisso. Aqui eles provam mais uma vez a disposição de trafegar por praticamente todos os gêneros da música pop sem perder o bom humor. Lançado pela Sub Pop, Furr pode ser menos hiperativo e imprevisível que Wild mountain nation, mas soa tão aventureiro quanto. Se aproxima de um formato que podemos chamar de convencional – mas felizmente ainda não chega lá.

Acid tongue | Jenny Lewis | **

Se o primeiro álbum solo de Lewis, Rabbit fur coat, surpreendia por não contentar os fãs do Rilo Kiley com um típico projeto paralelo feijão-com-arroz (a menos que eles esperassem por uma ode ao gospel), o segundo coloca trata de arrumar as peças no tabuleiro. Acid tongue é nota 10 em comportamento, mais sortido e equilibrado, quase-quase uma Sheryl Crow. E com surtos de soft rock daqueles que encontramos na fase pop do Rilo Kiley (e tomamos como ironia, por falta de opção).

Lightbulbs | Fujiya & Miyagi | **

Quando somou um baterista à formação da banda, o Fujiya & Miyagi avisou que buscava uma sonoridade mais calorosa, mais “humana”. É essa a chave para Lightbulbs. Ainda que o baterista não participe ainda de quase nada, já estamos diante de um álbum de carne e osso, mais para o pós-punk dançante do LCD Soundsystem que para qualquer gênero de eletrônica. A reverência obsessiva ao Kraftwerk começa a cansar, mas é um álbum tão modesto e direto, e com refrãos tão acessíveis, que fica difícil resistir. 

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E não há melhor: a música das minhas férias será The tears and music of love, do Deerhoof. Meus heróis.