Insegurança

2 ou 3 parágrafos | Food, INC

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Se me obrigassem a optar entre este documentário e The cove (ambos indicados ao Oscar), eu jogaria os dois filmes para o alto e escolheria aquele que caísse primeiro no chão. Os temas, é claro, são diferentes. Mas, formalmente, são cineplanfletos muito parecidos. Nos dois casos, o espectador é convidado, ao fim da palestra, a acessar um site e participar de uma corrente ecologicamente correta.

Respeito a ideia de defender apaixonadamente uma causa, sem objetivo jornalístico nem nada, mas a pregação me incomoda um pouco. Esse procedimento lembra um pouco os métodos de Michael Moore e do Al Gore (em Uma verdade inconveniente): todos os argumentos são válidos, contanto que não arranhem a tese do cineasta. Não há espaço algum para contradições, complexidade, coisas inexplicáveis. A ladainha é toda pré-fabricada — o que resta é mostrá-la de forma didática aos “leigos” (isso vale para o vídeo dos golfinhos mortos e, em Food, INC, para a visita aos campos de concentração de galinhas).

Ainda assim, dentro desse molde sufocante, vejo algum interesse em Food Inc (3/5). Não tanto nas “denúncias” do filme (eu mesmo, que nem me preocupo muito com alimentação, já sabia sobre a maior parte das informações que estão aqui), mas por algumas reflexões “de raspão” sobre o comportamento humano. O modo como, por exemplo, instintivamente acreditamos que alguém (ou alguma empresa, associação, ou o governo) garante a nossa proteção quando compramos uma embalagem de pão ou um pote de maionese. A verdade é que ninguém garante: e é esse o horror que está embutido neste filme.

Superoito e os primeiros parágrafos

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Imaginei que seria uma boa idéia escrever sobre o medo de voar. Outro dia, não lembro quando, eu estava esperando por alguém no saguão do aeroporto. Não sei quem estava para chegar, se minha namorada ou minha mãe ou a mãe da minha namorada, mas o fato é que alguém estava para chegar e eu estava esperando . Havia muita gente no saguão e todos pareciam ansiosos. Eles roíam unhas numa espécie de coreografia. No mais, torciam para que nenhum Boeing despencasse em mil pedaços, pelo menos não nos próximos 60, 80 minutos.

Adianto que nenhum Boeing caiu. O importante foi que, no meio daquele mundaréu à beira de um ataque de nervos, vi um rapazinho de uns 14, 15 anos, que parecia tenso, mas por um motivo mais nobre. Ele estava de cabelo muito bem lambuzado de gel, o cheiro de perfume estava nos matando e, para deixar a situação toda mais surreal, o moleque andava de um lado para o outro do setor de desembarque com um ursinho de pelúcia pendurado pela pata. Que cena!, pensei. E fiquei esperando o desenrolar da história – já que, como vocês sabem desde criancinhas, sou um dedicado espectador da vida alheia.

Ouvi um diálogo rápido entre o menino e o pai do menino. O garoto queria ficar sozinho. Logo entendi o drama na íntegra: o guri estava prestes a se encontrar pela primeira vez com uma menina linda e irreal que ele (muito possivelmente) conhecia apenas pela internet. Pensei: será isso? Era. Depois de 20 minutos de suor escorrendo no rosto e o maldito ursinho balançando repetidamente no ar, indefeso (coitado), a guria desembarcou e criou-se uma atmosfera de suspense no saguão: será que sim? Será que não? Paramos todos de pensar nos aviões despedaçados e nos concentramos naquela história de amor meio bamba, meio boba, mas muito verdadeira, do tipo que os filmes não nos entregam mais.

O que aconteceu, em resumo, foi isto: o menino escreveu o nome num pedaço de cartolina, que a menina leu do outro lado do vidro. Ela acenou, ele acenou. Eles se examinaram à distância, já que as malas demoravam para chegar e era uma agonia. Já com a mochila cor de rosa e a maleta preta, ela olhou o garoto bem de perto, trocaram algumas palavras que ninguém mais ouviu, ele encostou a mão no ombro da musa (e não é que era uma musa bastante típica, beleza grega etc?) e enfim se beijaram. Tudo ok. Céu de brigadeiro. Expectativas correspondidas. O saguão do aeroporto soltou em uníssono um sonoro suspiro de alívio. Nossos corações tremeram. E, naquela tarde, nenhum Boeing caiu.

Não é bonito? Essa história aconteceu de verdade, exatamente desse jeito como a conto, e ainda me impressiono com a forma como ela guarda tantos sentidos ocultos. Por exemplo: é possível traçar um paralelo entre o medo de voar, que contaminava o saguão do aeroporto, e o medo de um não – o risco e a recompensa pelo risco. O alívio que sentimos quando o voo finalmente chega seria semelhante à forma como nosso peito se enche de ar quando somos correspondidos? Vá saber. Só sei que estou pensando nessa história desde que comecei a escrever crônicas para o jornal onde trabalho. Isto é: há três semanas.

Vocês querem saber como estou me saindo nessa tarefa? Terrivelmente mal, amiguinhos. Terrivelmente mal. Se eu soubesse que as coisas seriam assim, eu nunca, nunca teria dito sim para esse oh tão inglório desafio que tira o meu sono, polui minha mente, corrompe a minha inocência literária e impede até que eu escreva para este blog que tanto amo. Culpem as assustadoras crônicas pelo bloqueio criativo que me atazana há três semanas. É tudo por causa delas. Absolutamente tudo. Eu queria escrever três, cinco posts por noite, mas elas não deixam e eu sou fraco, não consigo lutar.

Verdade. Desde que comecei a escrever crônicas, meu mundinho tomou um choque elétrico. Até agora, escrevi duas. A primeira, um desastre atômico. A segunda, um desastre. A sorte é que quase nenhuma pessoa conhecida leu os textos (e aí descobri que os repórteres nem passam o olho no jornal que escrevem, já que, notando minha crônica lá na página, certamente alguém me provocaria por puro sadismo e nada além de puro sadismo). Fiz questão de não anunciar nada. Entrei e saí da redação morrendo de vergonha e pânico, mas me portei como se nada de extraordinário tivesse acontecido. Uma forma muito elegante de fracassar.

A primeira crônica, muito oportunista, foi sobre o dia em que Michael Jackson passou por Brasília, em 1974, num show do Jackson 5. Tentei reconstruir a cena e inventar algumas coisas, num mix de jornalismo gonzo com devaneios de um blogueiro estúpido. Não deu em nada. Não gostei do resultado. Li depois e quase tive um troço: um textinho sem paixão, sem ritmo, sem humor, todo travado diante da multidão, uma crônica com dor de barriga e mãos suadas.

Depois escrevi aquele texto que anunciei aqui no blog, sobre o menininho encabulado que desenhava na rodoviária. Ficou um pouco melhor. O título me agradou bastante (“O menino invisível”, e com duas ou três possibilidades de leitura, vejam só a evolução). Consegui me colocar no texto com um pouco mais de desenvoltura, criei umas brincadeiras metalinguísticas com o “eu lírico” (eu quando estagiário), a história do menino era a história de quando eu tinha 12 anos, mas detestei o desfecho derramado e desamarrado, com uma construção de frases chorosas e apelativas. Não entendo por que, em todos os meus textos, me obrigo a escrever frases como “não sei”, “não me pergunte”, “não há como saber”. Qual a função disso? Criar uma pose de coitado? Cobrar do leitor piedade, leitor, piedade? As pessoas devem ler e suspeitar que sou simplesmente um ignorante.

O engraçado foi que, nesse último caso, eu esperava alguma resposta dos meus colegas. Nem que algo do estilo “boa tentativa, Tiagão, mas você é uma bichinha chorona”. Mas o que aconteceu foi… nada. O silêncio. Novamente, ninguém leu. Dos leitores do jornal, então, nem um único e-mail de repúdio. Minto. Leram sim. Uma pessoa. Que me deixou muito feliz com um elogio sincero, e é aí que você descobre quem são seus amigos. Mas passei o dia meio decepcionado com aquela não-reação. Então é isso? Você dá o sangue para escrever 37 linhas (e um título de duas palavras!) para, no fim das contas, receber a total indiferença? Mamãe, não quero ser cronista quando eu crescer.

O que, moral da história, só ressalta todo o desastre. Minhas crônicas são tão atraentes e inspiradoras que as pessoas nem começam. Ainda que, nesses casos, eu realmente preferiria que ninguém lesse. Que se concentrassem nos obituários ou num outro tipo de prosa agradável. Os furtos de carros. O trânsito caótico. As reformas no viaduto. Os ipês que florescem na seca. Ninguém quer saber sobre o menininho ridículo que vende balas na rodoviária e ninguém certamente quer saber sobre o modo como eu conto a história do menininho infeliz – e ficamos assim, distantes; eu aqui, o leitor lá.

O problema (para mim) é que é tudo muito difícil. Tudo dolorido de tão difícil. Escrever uma crônica de exatas 37 linhas para pessoas que desconheço completamente… Por onde começar? O primeiro parágrafo é sempre o mais complicado. Não sei o tom a ser adotado. Devo ser mais informal? Devo chegar chutante a porta e forçando amizade? Devo contextualizar de uma forma, er, poética? Devo fazer referências vazias de cultura pop (talvez esperem isso de um repórter de cultura pop)? Posso citar Salinger? E Paul Auster? E a Bíblia? E o Corão? E os provérbios chineses, que sempre salvam o dia? Quanto mais escrevo, mais percebo que deveria permanecer calado.

Antes de rabiscar essas crônicas, dei uma olhada na obra dos cronistas que me antecederam. Tentei copiar o estilo de cada um deles até compor um texto cheio de piscadelas de olho e referências safadinhas a textos publicados anteriormente. Aí percebi que essa era uma forma covarde de me esconder da plateia – e isso me lembrou do dia em que minha irmã, mais tímida que eu, convidou a família para assistir a uma peça de teatro em que atuaria. Quando vimos, o papel da garota era uma árvore. Eu sorri. Minha irmã, quando se esforça e quando quer, é brilhante.

Escolher os temas é árduo, vou te contar. Falar sobre o quê? Dá branco. Tenho medo de mostrar ao mundo que só consigo imaginar histórias meio tolas sobre meu passado, meus cachorros e meu umbigo. Sou uma fraude. O rei está nu. As crônicas me obrigaram a pensar no meu futuro como escritor de romances (e, agora vocês sabem, é assim que me vejo daqui a dez anos), e tudo o que vi foi breu.

Pensei tanto (e este parágrafo é importante, atenção!) que cheguei à conclusão de que meu tema será a adolescência e que, talvez por isso, escrevi uma crônica sobre o pequeno Michael Jackson, uma outra sobre um pequeno vendedor de doces com talento para a pintura e planejo uma terceira sobre um pequeno moleque apaixonado no saguão de aeroporto barulhento.

Talvez o tema tenha me encontrado antes do dia em que percebi que ele estava logo aqui. Não sei (e nisso sou sinceramente ignorante). Mas decidi que preciso iluminar esses personagens. Essa turma. Essas criaturas imaturas e indecisas que não conseguem mirar o espelho e que têm medo e que não sabem exatamente o que são ou o que deveria ser. Essa gangue. Essa faixa etária. Esse universo. É sobre eles que devo escrever e, quando a ficha caiu, me senti um tanto mais tranquilo. As crônicas são a versão imperfeita, tosca e envergonhada – a versão adolescente! – de quem eu quero ser, como escritor, em dez ou quinze anos. E todo começo é um começo.

Eu estava pensando nisso e em outras questões essenciais quando soube que um sujeito de vinte e poucos anos bateu o carro numa mureta e morreu. Era sete da noite. Eu não o conhecia direito, mas conhecia suficientemente para sentir por alguns minutos o que invade nosso corpo quando alguém morre: aquele vazio gelado, o salto no precipício gelado, e depois todas as perguntas que ficam guardadas à espera de um clique gelado. Qual o sentido disso tudo? Para que fazemos o que fazemos? Por que levamos a vida deste jeito? O que queremos de nós mesmos?

Pensei em escrever uma crônica sobre isso. Mas só tenho mais uma esperando na fila. E depois serei um homem livre.

Superoito dentro do papel

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Ainda fico espantado quando encontro repórteres recém-formados que procuram algum tipo de glamour numa redação de jornal. A eles, sou direto: no jornalismo cultural, não existe calçada da fama. Quem busca conforto e brisa nessa profissão provavelmente levará uma vida de duras frustrações – toda uma existência pontuada por dias tensos e noites em claro.

Mas entendo: os leitores, esses não têm a obrigação de saber disso. Por essas e outras, não me incomodo tanto com as pessoas que me tratam como se eu fosse o homem mais sortudo do universo – e isso pelo simples fato de que, às vezes, entrevisto pessoas famosas. Mas nada é tão fantástico quanto parece. Eva Mendes é mesmo maravilhosamente linda, mas lembro que, quando entrevistei a atriz, ela disse no máximo três frases curtas que não preencheriam meia página de um moleskine.

Prefiro as entrevistas mais informais e surpreendentes. Muita gente dá uma de Marisa Monte e ataca jornalistas que repetem as mesmas perguntas óbvias, mas garanto que os entrevistados são, na maioria das vezes, tão previsíveis quanto. Raro é encontrar quem tenha algo a dizer. Ontem mesmo, conversei rapidamente com um vocalista/guitarrista de uma banda de rock da cidade (ainda pouco conhecida) e aqueles 20 minutos valeram por um semestre inteiro de respostas burocráticas.

Roqueiros às vezes soam tão imaginativos quanto jogadores de futebol, também mestres em frases de efeito curtas e sem gosto, mas não foi o caso. Lá pelas tantas, o vocalista/guitarrista admitiu que ainda se sentia inseguro no palco. Ele não sabia se tinha jeito para a coisa ou se estaria condenado a doloridas sessões públicas de constrangimento. “E o pior é que, quando gravamos músicas, consigo notar a minha insegurança dentro das canções”, ele disse.

Entendi o drama. Perfeitamente, aliás. Sei que nasci para trabalhar com o que trabalho (caso contrário, eu já teria enlouquecido), mas lidar com a insegurança ainda é meu maior pesadelo. Não superei o medo de ser desmascarado em praça pública – de subir no palco e esquecer minhas falas. Tento calcular meus passos para não tropeçar, mas há momentos em que sou obrigado a dar saltos que, pelo menos no meu entendimento, parecem largos demais. É aí, meus amigos, que eu me estrepo, me machuco e, em alguns casos, aprendo e amadureço.

A última semana foi quase toda assim – uma maratona de responsabilidades impossíveis. A pior delas, um artigo longo e difícil, escrito a fórceps. O mais difícil, sempre, é lidar com as expectativas que crio para mim mesmo. Quase sempre, elas são inatingíveis. Quero escrever como o romancista que admiro, o jornalista que morreu há duas décadas ou o blogueiro maldito que ninguém entende. Esse crítico ranzinza que mora no meu cérebro me atormenta – é a ele que devo satisfações (seria esse crítico imaginário a imagem que faço de Deus, como a mulher gorda e invisível que vigia os passos dos personagens de Salinger?).

Esta semana, me pediram uma crônica. Num espaço nobre do jornal. Inseguro, quase paralisei de pânico.

Mas aceitei o desafio (já que saltar no vazio virou para mim uma espécie de meta masoquista). Passei os últimos dias pensando num tema e nada me pareceu atraente ou novo ou curioso. Pensei em fazer um breve perfil sobre uma velha cinéfila. Mas era um material muito sentimental. Depois tentei narrar uma noite num cinema tradicional da cidade, mas me vi aprisionado nos limites de uma idéia bem intencionada, politicamente correta. O plano de refletir sobre os silêncios da cidade foi descartado: abstrato demais.

Então apareceu uma lembrança que me persegue há uns bons oito anos, desde que eu era um estagiário. É uma sina do repórter, esta: ele se envolver intensamente com as pessoas, delas arranca histórias extraordinárias e, depois, as abandona (as pessoas e as histórias) para sempre. Resolvi fazer o caminho contrário: correr atrás de uma história que eu havia contado e abandonado. Eu queria saber o que havia restado dela, se é que havia restado algo.

Foi uma história que, talvez mais que qualquer outra, me fez entender e gostar da profissão, apesar de todos os sacrifícios que vêm na encomenda.

Era sobre um menino pobre chamado Rony, que tinha uns 8 anos e trabalhava vendendo doces na rodoviária. Ele estudava pela manhã e passava as tardes mergulhado em fumaça de ônibus, diante de uma banca de madeira. Era um garoto que não sorria muito, era extremamente tímido e, acredito que por causa disso, logo me identifiquei com ele. O fato curioso (e daí a matéria de jornal) era que ele matava o tempo desenhando a cidade em pedaços de papelão. E desenhava tão bem, com tanta concentração, que as pessoas juntavam caixas velhas para que o menino pudesse se divertir.

Foi muito difícil entrevistá-lo, já que ele mal conseguia articular algumas frases. Mas a situação toda me deixou estarrecido. Para quem aquele menino desenhava? Por que ele se concentrava tanto? Qual era a razão de tanto esforço? Ele não parecia interessado em algum tipo de reconhecimento (era arredio, introspectivo), nem fazia questão de se exibir. Apenas ficava lá, desenhando. A matéria foi publicada e, no dia seguinte, muitas pessoas presentearam o garoto com tinta e papel. Fiquei sabendo que ele ganhou aulas gratuitas de pintura. E aquilo me deixou muito satisfeito. Foi como se eu, no papel de repórter, tivesse cumprido uma função importante. Mais que isso: aquele menino me ensinou tanto sobre o desejo de criação artística que não consegui esquecer dele.

Instigado pela intenção de escrever uma crônica sobre o assunto, voltei a procurá-lo. Fui à rodoviária, mas a banca de doces não estava mais lá. Telefonei para um número que encontrei num bloco amarelado, mas a ligação foi interrompida por uma mensagem automática. Perguntei a alguns vendedores da rodoviária, mas ninguém conhecia o menino. O que teria acontecido com ele? Pessimista que sou, imaginei os cenários mais sombrios. Mas, quando sintonizei meus sentimentos numa estação realista, cheguei à conclusão de que talvez ele tenha simplesmente largado o desenho para se transformar num adolescente anônimo, daqueles que não despertam emoções fortes em reuniões de pauta. Teria ele conseguido vencer as expectativas da família e apostar no desenho como um talento incontrolável, uma vocação?

A crônica ainda não existe, e não sei se ela vai sobreviver ao crítico ranzinza e invisível que controla minhas decisões. O que fica, por enquanto, é essa experiência inexplicável de tentar capturar uma história que não é mais minha. Ela não ocupa mais no meu campo de visão. Nada posso fazer para salvá-la. O menino está solto no mundo – talvez perdido (espero que não), talvez feliz, talvez novamente disposto a ensinar a outros repórteres iniciantes algumas lições sobre a misteriosa ânsia de criar. Para mim, parece que morreu.

Talvez sobreviva numa crônica, não sei. Só torço para que o leitor não note a minha insegurança dentro do papel.