Imperial Teen

mixtape! | …sides of the moon

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A mixtape de fevereiro chegou mais cedo porque, no fim das contas, não temos tempo a perder. Em resumo: esta coletânea soa um pouco mais aérea, mais cósmica que a anterior. Um cdzinho de space pop, se você preferir.

Mas não só isso. Se este balaio de fevereiro tem algo de flutuante, há momentos em que ele desce ao solo mui modestamente, e nos mostra paisagens terrenas. A minha intenção, desta vez, foi zanzar entre esses extremos sem romper a atmosfera que paira sobre todas as músicas. Não sei se consegui, mas gostei muito do resultado.

Sem mais invencionices (ou licenças poéticas), este mix contém, nesta ordem, faixas de Frankie Rose, Sleigh Bells, Imperial Teen, Hospitality (que ganhou foto lá no topo do post), Air, Yamantaka//Sonic Titan, Islands, Ezra Furman, Cardinal e Chairlift. A lista das músicas está, como de hábito, na caixa de comentários.

Espero que vocês se divirtam. Comentários serão muito bem recebidos. E, para quem quiser baixar o cdzim, recomendo pressa: os arquivos estão desaparecendo rapidamente.

Faça o download da mixtape de fevereiro.

Ou ouça aqui:

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

♪ | Feel the Sound | Imperial Teen

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Nos anos 90, o Imperial Teen se tornou relativamente conhecido graças a dois motivos que nunca foram lá muito importantes: num primeiro momento, as revistas de música pareciam todas curiosas para conhecer o “projeto do tecladista do Faith No More”; e, além disso, se falava sobre uma certa (hum) “sensibilidade gay” da banda — já que o tecladista do Faith No More, Roddy Bottum, escrevia com naturalidade sobre sexo, mais ou menos como quem relembra as atividades do primeiro dia de aula, ou de uma sessão de cinema particularmente marcante.

Acontece que, com o passar do tempo, o Imperial Teen deixou de ser tratado como uma banda “sui generis” para ser encarado simplesmente como um quarteto de rock. O que pode ser um golpe dolorido, um trauma profundo, se você é daqueles que entram em parafuso quando passam algum tempo sem sair na capa da Spin (revista que, aliás, incluiu o primeiro disco do grupo na lista de 50 melhores discos de TODOS OS TEMPOS).

Mas (ufa), o Imperial Teen não se deixou esmorecer pela ideia de desaparecer lenta e completamente na mídia, e seguiu gravando discos cada vez menos “quirky” e mais (apararentemente) diretos & retos. Hoje, a maior ambição da banda talvez seja criar álbuns de power pop e new wave como os mais recentes do New Pornographers: polidos porém vívidos, profissionais e inofensivos SIM, ainda que não automáticos; disquinhos que nos iludem com artifícios banais para, após repetidas audições, mostrar que contêm canções perenes, sérias, por vezes tristes, falsamente juvenis, feitas para durar mais de um verão.

Feel the Sound (noves fora o título pretensioooso) é o mais próximo que o Imperial Teen chegou desse modelo de álbum. Depois de tê-lo ouvido mais ou menos 29 vezes, posso dizer, sem medo de errar, que ele vai ficando melhor. As faixas centrais são as que nos conquistam de primeira (Last to Know, Out from Inside e o lindo encerramento Overtaken), mas é aos poucos, sutilmente, que os temas do disco vão subindo à areia — e a trama que ele narra, after all, é sobre uma banda não tão inocente, com 16 anos de carreira, talvez em crise, talvez preocupada, tentando sobreviver ao pop. “Várias canções que cantamos ainda não são cantadas (Interferência do blogueiro: por ninguém?). Outro sonho que não foi escrito: o disco está pronto”, e eles resumem tudo, em It’s You.

O risco desse formato de álbum é que ele facilita a confusão entre ser profissional, “sofisticado”, e repetir fórmulas banais. O Imperial Teen às vezes comete esses erros (que também noto nos mais recentes do New Pornographers), mas consegue o que outros velhos “teen” (Teenage Fanclub, Sonic Youth) andam nos devendo: fazem um disco ainda cheio de aflições, engenhoso (novamente: uma obra de adultos), o oposto do que se espera de uma banda que se acomodou. Este som ainda é uma boa (e digna) ideia de diversão.

Quinto disco do Imperial Teen. 11 faixas, com produção da própria banda. Lançamento Merge Records. B