Guerra do Iraque

2 ou 3 parágrafos | O mensageiro

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Não era o filme que eu esperava do roteirista de I’m not there. No filme de Todd Haynes, o texto era suficientemente arejado (ou fragmentado, para usar uma palavra que todo mundo gosta) para evitar um retrato quadradinho da trajetória e das personas de Bob Dylan. O mensageiro (3/5), a estreia de Oren Moverman na direção, me parece algo muito diferente disso: a trama vem claramente em primeiro lugar, e ela exerce um baita peso sobre os personagens.

Os heróis do filme são vívidos e poderiam estar em The hurt locker, por exemplo: dois militares que sofrem as consequências psicológicas (aparentemente irreversíveis) da Guerra do Iraque. “A guerra vicia”, dizia Kathryn Bigelow. Aqui, os personagens aprendem que, mesmo longe do campo de batalha, não conseguem abandonar o conflito. Um sargento (Ben Foster, numa atuação excelente) e um capitão (Woody Harrelson, que, cheio de tiques, não me impressionou tanto assim) são os encarregados de dar a má notícia às famílias de soldados mortos.

Existe uma rotina de trabalho a ser seguida: cada família reage de um modo diferente (com agressividade, comoção etc) e o choque provocado por esses reações vai engatilhar todo tipo de crise na psiquê do sargento, iniciante nesse ramo sinistro. O capitão, é claro, acabará estreitando a amizade com o parceiro. Numa noite, eles bebem e caem na farra. É um buddy movie, portanto. Que, por isso, prevê que os personagens passem por certas transformações (o sargento vai se apaixonar por uma viúva, o capitão vai passar a enxergar a morbidez da profissão e blablabla). Nada disso me convence muito. Mas são personagens razoavelmente fortes, interpretados com comprometimento – e eu admito que gostaria de ter visto um outro filme, menos sufocado, sobre essas duas pessoas.