Grievous angel

Os discos da minha vida (2)

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Um ranking sentimental dos 100 discos que (pausa dramática) marcaram a minha vida. Dois por semana, talvez às segundas-feiras (mas, pensando bem, possivelmente às quartas). Pelos meus cálculos, terminaremos esta jornada antes do fim do mundo. Hold tight.

098 |  Grievous angel | Gram Parsons | 1974 | download 

Eu tive uma momento country-rock: ele durou mais ou menos uns seis meses (acho que por volta de 1997), mas foi tão intenso, tão dedicado, tão obsessivo que eu poderia incluir nesta lista quase todos os discos que ouvi naquela época. Meu quarto cheirava a slide guitars. Neil Young era meu pastor; Bob Dylan, meu arcebispo. Perto deles, Gram Parsons era só um coroinha. Mas, com Grievous angel, o branquelo do cabelo esvoaçante me ensinou a entender o que há de fundamental no gênero: alegria e dor, em cores primárias. E quando eu soube que o sujeito morreu de overdose de morfina pouco depois de gravar essas canções quase sempre tão tranquilas, o disco se transformou num mistério. Ainda é. top 3:  Brass buttons, Hearts on fire, In my hour of darkness.    

097 | Gentlemen | The Afghan Whigs | 1993 | download

O terceiro disco do Afghan Whigs começa com o som de um vendaval. O que vem depois soa ainda mais arrepiante: a voz de um homem confessando segredos por vezes constrangedores. Numa década de discos-de-catarse (uma das especialidades do grunge), poucos soaram tão críveis quanto este aqui. Talvez por parecer tão direto: Greg Dulli compactou o estilo do Afghan Whigs e, quase acidentalmente, acabou criando um padrão para o indie rock dos anos 90, com riffs repetitivos, às vezes dissonantes, quase sempre tristíssimos, engolidos por tufões de guitarras. Para mim, é um álbum que representa o início da adolescência: ódio e medo, mas não sabemos exatamente de quê. top 3: Gentlemen, Debonair, Be sweet.