Florido

2 ou 3 parágrafos | A saga Crepúsculo: Eclipse

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Meninas, estou começando a entender a infinita angústia de Bella, a heroína blasé da Saga Crepúsculo. Deve ser difícil para ela — dificílimo — escolher entre os dois pretendentes a que tem direito: passar a eternidade ouvindo a lengalenga de um morto-vivo insuportavelmente romântico? Ou abraçar o cachorrão?

A decisão se torna ainda mais complicada quando ela descobre que, no mundo mágico da Saga Crepúsculo, casamentos duram a vida inteira. Às vezes, a eternidade inteira. Um horror. Note que não são opções muito palpitantes (daí o ar de tédio, o enfado da pobre virgem): tanto Edward, o vampiro, quanto Jacob, o lobisomem, têm um repertório de conhecimentos gerais que parece muito limitado. O dentuço só sabe falar sobre a importância do amor eterno. E o lobão tenta convencer a mocinha de que é bacana se acasalar repetidas vezes com um sujeito de sangue quente. É sério que esse drama aí vendeu toneladas de livros? Eu conheço filmes mais intrigantes sobre adolescentes indecisas e posso indicá-los a vocês.

Fico me perguntando se esses personagens não teriam outros assuntos a conversar uns com os outros. Algo tipo: “Eu curto Paramore, e você?”, ou uma tirada irônica do estilo “nossa cidadezinha é tão reluzente e festiva quanto Las Vegas, não acha?” Ou algo sobre a fome na África. O aquecimento global. O cinema 3D. Qualquer coisa. Mas não: o trio prefere voltar ao mesmo debate sobre “escolhas” que é exaustivamente explorado na literatura barata de bancas de jornal e, claro, no filme anterior da série. Aí os mais cínicos virão com esta: pelo menos Eclipse (1.5/5) tem cenas de ação menos raquíticas. Sim, tem. Mas os momentos cafonas e floridos anulam a subtrama esquentada. E fazem deste um filme tão tolinho e singelo (e engraçadíssimo, se você estiver no clima) quanto os outros dois.