Divagação inútil

Um filme na minha cabeça

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Sempre que me perguntam sobre o início da minha relação estável e duradoura com o cinema, mudo de assunto – é um tema de foro íntimo e que, por isso, não interessa a ninguém. Não vou ficar filosofando sobre as minhas sandálias.

Mas hoje me perguntaram novamente e eu resolvi falar. A conversa de bar virou sessão de terapia e aí, até por razões de economia (eu não teria que pagar a consulta mesmo), vi minha vida passar feito um filme na minha cabeça. E eu nem estava em coma.

‘Qual a importância do cinema pra você, Tiago? De verdade?’

‘De verdade?’, eu perguntei, já que estava pronto pra inventar uma mentira qualquer.

E aí falei a verdade. Que ver filmes era uma atividade freqüente na época em que eu tinha uns 10 ou 11 anos de idade e morava no Rio de Janeiro e tinha um milhão de amigos e ia ao único cinema do bairro assistir aos filmes de kickboxer e de lambada. E que a mudança para Brasília provocou uma ruptura tão brutal nessa história toda que ir ao cinema acabou funcionando talvez, quem sabe, pode ser, entende? como um elo sentimental entre a vida que passei a levar e a vida que eu levava até então. Entre minha rotina solitária em uma nova cidade e algumas lembranças boas de um período anterior.

E que provavelmente por causa disso, desde a minha adolescência, eu entro em qualquer sala de cinema do mundo e me sinto em casa. É um alívio. E fico bem. Mais que uma válvula de escape, o cinema foi, quem sabe?, uma forma que encontrei de continuar me comunicando com uma antiga sensação.

Aí, depois de dizer isso tudo, todas essas bobagens, tanta hesitação e refletir sobre o meu umbigo sujo e acabar me surpreendendo com a minhas próprias conclusões, me perguntaram sobre a necessidade de escrever blogs. 

Mudei de assunto. Por que estava tarde. E já que ninguém merece.