Direção de arte

2 ou 3 parágrafos | O lobisomem

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O lobisomem (2/5) é desses casos estranhos: um filme que tem muito (um ótimo ator no papel principal, direção de arte caprichada, bela trilha e um conceito firme de homenagem a antigas fitas de monstro da Universal), mas que me deixou petrificado. Foi como assistir a uma colagem impessoal, quase grosseira, de ótimos atributos técnicos e boas intenções. Traduzindo para um linguajar carnavalesco: é aquela escola de samba nota 10 em alegorias e adereços mas que, na avenida, passa feito elefante.

O que acontece? Talvez haja algo problemático na ideia de aproveitar a persona turrona de Benicio del Toro num papel que exige um ar melancólico, romântico. No caso, não dá pé. Mas acredito que a explicação para o que há de oco na narrativa está na direção acéfala. De quem é este filme? Quem é Joe Johnston? O que ele tem a dizer sobre o passado da Universal Pictures? Ainda não faço ideia. Ele vai lá e faz o trabalhinho.

Imagino que, se dirigido por um Tim Burton ou por qualquer outro cineasta com o mínimo de interesse no gênero, este museu de cera possivelmente seria tomado por uma lufada de ar quente. Com Johnston na gerência, é só um museu de cera. Com teias de aranha nos corredores.