Cold War Kids

Loyalty to loyalty | Cold War Kids

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Um bom vocalista às vezes faz toda a diferença. No caso do Cold War Kids, ele se chama Nathan Willet.

Sem Nathan, esta seria apenas mais uma banda que recicla um certo rock setentista (de Led Zeppelin, Rolling Stones) em arranjos crus, esvaziados por lacunas e silêncios. Resumindo: mais um candidato ao trono de Jack White.

Com Nathan, a banda encontra um tronco, uma personalidade. Quando o vocalista assume a dianteira – e isso acontece quase sempre -, é como se ele transformasse canções mais derivativas em confissões descontroladas, altamente expressivas. Não consigo imaginar os refrãos de Welcome to the occupation e Against privacy interpretados de uma forma menos atormentada. Eles simplesmente não fariam sentido.

Os agudos rasgados de Nathan, com um quê de Jeff Buckley e de Robert Plant, às vezes ofuscam o principal problema do álbum: a polidez da produção. As melodias são aparadas com tanto esmero que o resultam em números quase radiofônicos, quase sem cheiro e angústia, como se um DJ intrometido tivesse decidido limpar todos os ruídos do álbum mais recente do Walkmen.

É um band leader à procura de uma banda – que surpreende muito pouco, e só chega a entusiasmar no single Something is not right with me, igualzinho ao Spoon. Não ouvi o álbum anterior deles (dizem que é muito bom, e não duvido disso), mas já passou a hora de Nathan encontrar músicos que acompanhem o grau de intensidade dessas interpretações. Trata-se de um cantor que agarra cada oportunidade com os dentes, que parece disposto a tudo.

Escuto este Loyalty to loyalty um pouco insatisfeito, incomodado, mas certo de que não deixarei de acompanhar esta banda. Um bom vocalista às vezes move montanhas.

Segundo álbum do Cold War Kids. 13 faixas, com produção da própria banda. Downtown/Mercury/V2. **