Black Lips

Superoito express (III)

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pains

…E ainda empacado no disco do Bruce Springsteen.

The Pains of Being Pure at Heart | 8 | Como determina a tradição dos (bons) álbuns de estreia, o début deste quarteto nova-iorquino não tem uma única faixa que pareça ter sido escrita às pressas. O bacana é como eles gravam um repertório redondinho (melodias de coração mole em formato shoegazing, com camadas de ruídos que remetem tanto a Jesus & Mary Chain quanto a My Bloody Valentine quanto a Glasvegas) com a secura de uma fita-demo. Que encontramos por acaso no fundo da gaveta, sob teias de aranha, como um segredo bem guardado. Stay alive é obra-prima. Coloque na mesma prateleira de Tigermilk, de Belle & Sebastian, e o primeiro do Vampire Weekend.

200 million thousand | Black Lips | 6.5 | Rock de garagem by the numbers: calculadamente grosseiro, milimetricamente tosco, matematicamente sujo. Questionemos sim (por que não?) a autenticidade do Black Lips (e, até hoje, o quarteto só me convence como uma espécie de paródia de bandas sessentistas incluídas no box set Nuggets, lembram?), mas eles continuam a tratar as influências com um espírito descompromissado e irônico – o que, na pior das hipóteses, arranca risadas (I saw God é o auge da falta de noção); e, na melhor, maltrata melodias que fariam Jack White delirar (Short fuse, Strating over, Let it grow). 

Little hells | Marissa Nadler | 6.5 | Ela não é Joanna Newsom nem nunca será, mas não carece de ambição. O quarto álbum de Marissa Nadler é o equivalente folk para Dance mother, do Telepathe: um disco que soa imprevisível e aventureiro mesmo quando erra feio. Apesar de uma ou outra balada corriqueira (e abrir com Heart paper lover não é uma escolha lá muito acertada), Nadler vai do country mais convencional a flertes com psicodelia e a um crossover com Pink Floyd. A faixa-título tem menos de três minutos e vale o disco inteiro.

Love, hate and then there’s you | The Von Bondies | 6 | Uma espécie de guilty pleasure: apesar de um formato afinado ao pós-punk da geração 2000, o álbum do Von Bondies é uma caricatura ambulante de bandas de rock do início dos anos 90 (um cadinho de Nirvana, um cadinho de brit pop). Um estrago. Mas, para quem viveu a época, um estrago irresistível. Um álbum de 35 minutos tão assumidamente apelativo que te deixa apenas duas opções: vomitar o almoço ou entrar para o fã-clube da banda. Eu estou quaaaaase escolhendo a segunda opção.