Bill Murray

2 ou 3 parágrafos | Shrek para sempre

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O primeiro Shrek, hem, que baita alarme falso: a animação, lançada em Cannes em 2001, nos prometia uma disputa criativa muito interessante entre a Pixar (associada à Disney) e a PDI/Dreamworks. Mas a brincadeira perdeu a graça. A Pixar dominou o formato (e seguiu em frente) enquanto que a Dreamworks passou a reviver aquele ano de 2001, mais ou menos como o personagem de Bill Murray em Feitiço do tempo: um dia exatamente igual ao outro. 

Não que o estúdio de Jeffrey Katzenberg tenha se afogado em desleixo. Como treinar o seu dragão, Kung fu Panda e Bee Movie são filmes até cuidadosos, mas nada que se compare a um Ratatouille, a um Wall-E, a um Up – Altas aventuras. Cruel mesmo, no entanto, é comparar os dois “carros-chefe” dos estúdios: as séries Toy story e Shrek. No primeiro caso, a tentativa de crescer junto com o público; no segundo, a repetição mecânica de ideias que deram certo.

Ao contrário de Toy story 3, Shrek para sempre (2/5) deixa a impressão de um episódio mediano de um seriado de tevê que, após três temporadas, perdeu o viço. A narrativa segue um modelo-padrão de programas televisivos (com uma inspiração distante, e muito rasteira, de A felicidade não se compra): o herói passa por um momento de crise que transfigura o mundo em que ele vive – ao fim da trama, porém, a normalidade é reestabelecida. No caso, a normalidade é a vida em família, o matrimônio. Quando o ogro resolve abandonar o home-sweet-home e se lambuzar na solteirice, ele é duramente penalizado. Lição conservadora (e incômoda) da semana: os finais felizes são infinitamente felizes para quem se conforma com as convenções.

2 ou 3 parágrafos | Zumbilândia

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Engraçado que, durante todo o filme, tudo o que eu consegui pensar era “isto daria um piloto de seriado até bem decente” e, um dia depois, no Wikipedia ou em algum site do gênero, descobri que, êpa!, Zumbilândia (3/5) foi mesmo imaginado como o primeiro capítulo de um programa de tevê!

Não é impressionante o meu poder de dedução? O filme de Ruben (who?) Fleischer é simplezinho e divertido como o início de, digamos, Human target: a trama apresenta quatro personagens mais ou menos carismáticos que, perdidos numa América pós-Romero, zanzam pelas highways matando zumbis famintos e grosseirões. Só isso. Mas, basicamente, a ideia funciona porque é tudo tão acelerado, tão juvenil, tão pateta e tão cheio de referências bobinhas (mas engraçadas, vai) de cultura pop que… Eu veria a segunda temporada numa boa.

A narrativa, descoladinha, organiza as situações com sacações visuais que acabam convertendo o filme numa espécie de 500 dias com ela para fãs de slasher movies (sim, a baderna nos leva a lições fofas sobre o valor da amizade — sem amigos, somos todos “zumbis”, dã). O futuro da América depende da tenacidade de um nerd paranoico, um caubói fã de Titanic, uma adolescente blasé e da pequena Miss Sunshine. E do Bill Murray. Num tipo de ponta hilariante que não encontramos nas besteiradas do Roland Emmerich.