Andrew Dominik

O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford *

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Brad Pitt é nosso Jesse James? Mark David Chapman é nosso Robert Ford? Durante 2h40, o filme de Dominik nos obrigará a fazer esse tipo de conexão mais ou menos tola, com a tese de que o mito do Oeste teria representado a semente da cultura do culto à celebridade. Representou? Não representou? O problema não está nas perguntas, mas em como o diretor praticamente confina os personagens a essa idéia. Eles mal têm espaço para respirar – são, no máximo, símbolos para alguma coisa.

O Jesse James de Pitt vaga como um espectro pela paisagem. Paranóico e doente, é um ídolo nas últimas. Já o Robert Ford de Casey Affleck (em atuação, no mínimo, muito afetada) é o fã obsessivo, o stalker que, se pudesse, devoraria (literalmente, sem conotações homoeróticas aqui) o objeto de desejo. O filme é uma dança de salão entre essas duas figuras – e, enquanto o cineasta evita simplifcar demais essa relação (o que fica muito difícil, já que existe uma irritante narração em off para atrapalhar tudo), até se presta a alguma observação mais sutil dos personagens. A trilha de Nick Cave e Warren Ellis ajuda, até o momento em que vira muleta para arrancar lirismo de uma narrativa com excesso de gorduras.

É um filme cheio de espaços vazios. No mau sentido.

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