As 4 aventuras de Reinette e Mirabelle ***

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“Se eu falar demais, você vai embora”, logo comenta Reinette – a menina do campo – à parisiense Mirabelle.

E essa é só uma amostra de como, nos anos 80, o cinema de Eric Rohmer era capaz de abraçar todo tipo de observação – das banalidades do cotidiano a questionamentos filosóficos, e aí inclua também um tipo leve de auto-ironia. Até o título do filme parece uma anedota: as quatro aventuras dessas duas amigas são momentos em que quase nada acontece. Notar o minuto de completo silêncio no amanhecer (a chamada “hora azul”), discutir sobre ética, brincar sobre a questão do valor que se dá à arte. Elas falam demais, como de hábito, mas nem por isso iremos embora.

Há temas recorrentes nos quatro “episódios” (“é preciso silêncio diante de uma obra de arte”, eis um deles), mas Rohmer mais uma vez não quer forçar nada: cada desafio colocado para as duas personagens tende a afinar uma amizade que, com o passar do tempo, ficará mais forte, mais complexa. É um filme sobre a construção de uma relação, e isso é muito. Mas tenho certeza de que ele será encarado por muitos como uma comédia ingênua empolada de girl talk. Ok, então vale pelo menos uma sessão dupla com À prova de morte, do Tarantino.

Transylvania *

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Se a melhor referência de multiculturalismo no cinema realmente for os carnavais de Tony Gatlif, tenho que assumir meu quase completo desinteresse pelo assunto. O transe de Exílios já me incomodava como exotismo gratuito, meio macumba pra turista. Mas Transylvania vai um pouco além, já que o diretor parece empurrar cada seqüência para um amontoado de imagens e situações supostamente excêntricas, festivas, talvez para celebrar o estado de espírito de personagens à deriva – nos piores momentos, deixa saudades do Kusturica. 

E pior é que o filme até começa bem, com a Asia Argento a ver navios, coração estilhaçado, solta na multidão. Depois, quando ela assume a vida cigana e encontra um par à altura, o diretor se amansa numa típica história de amor entre outsiders. Gatlif filma com o desprendimento que cobra dos personagens, mas não esconde o esquematismo que existe nessa forma declaradamente multicultural de representar o mundo. Não a comprei.

Rascunho, esboço, anotações

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Se tudo der certo, este blog funcionará como um apêndice do site tiagos8.sites.uol.com.br, onde listo todos os filmes a que assisto. Nada de muito ambicioso: apenas um bloco de notas onde poderei rascunhar algumas idéias que servirão ou não de esboço para textos menos bagunçados. Sem mais.