Música

mixtape! | de inverno

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O blog ainda está fechado para reformas, cês sabem. Mas, enquanto isso, preparei uma mixtape para os dias de inverno. Está muito boa: tem Fiona Apple, Frank Ocean, Dirty Projectors, Aimee Mann, Twin Shadow etc.

Nem vou falar muito sobre o CDzinho. Ouçam e, se possível, comentem. A lista de músicas está na caixa de comentários.

Faça o download da mixtape de julho
Ou ouça aqui

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mixtape! | de maio?

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A mixtape de maio está muito mais nervosinha e sortida que a de abril porque… porque… hum, porque (difícil explicar essas coisas)… porque chega de melancolia, certo?

Estava eu ouvindo a coletânea do mês passado quando enfim percebi: “Céus, que seleção musical mais sombria!” Curiosamente, naquele cedêzinho a minha intenção era gravar canções otimistas, cheias de afeto e doçura. O que aconteceu?

A mixtape anterior, creio eu, acabou por mostrar o estado de espírito de um sujeito em conflito, ao mesmo tempo entusiasmado com um período de mudanças extraordinárias, mas ainda numa luta terrível para lidar com a morte de uma das pessoas mais importantes da vida dele. Aquele cedê me mostra hoje que a temporada não foi simples.

A coletânea nova é bem diferente, e acredito ter a ver com o ritmo da cidade de São Paulo, onde moro há dois meses, e com uma tentativa (meio desesperada, admito) de seguir em frente. Ela tem alguns vestígios cinzentos, não vou negar, ainda que ma pareça mais agressiva, talvez mais vibrante. Não sei como vocês – os três leitores ainda nesta sala – vão avaliá-la. Só sei que estou satisfeito com o que ouço.

Aqui vocês encontram El-P (que tá lá na foto), Animal Collective, Death Grips, Of Montreal, Santigold, M.I.A., Howler, Damon Albarn, The Walkmen, Schoolboy Q. Algumas das músicas não são especificamente de maio, e entram nesta coletânea porque não conseguiram se encaixar nas anteriores. Encare-a como uma mixtape de outcasts. A lista de músicas está na caixa de comentários.

Espero que vocês apreciem.

Faça o download da mixtape de maio.

Ou ouça aqui:

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mixtape! | abril, enquanto isso

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O post mais recente deste blog foi escrito no dia 30 de março, uma sexta-feira, e (ainda) contém uma mixtape. Um tempão depois, cá estou de volta pra mostrar que sou homem de palavra. Prometi mixtapes mensais, certo? Certo? Então certo.

Este cedê quase não viu o sol raiar, coitado, mas não vou esmiuçar essa história. Em resumo, foi um mês completamente peculiar. Não apenas porque mudei de cidade e tive que me adaptar a uma outra rotina (isso cês sabem), mas por uma série de motivos (pessoais, também profissionais) que foram me afastando do blog.

Quero voltar a escrever aqui, principalmente sobre música (porque novidades cinematográficas off-blog vão aparecer nos próximos meses, aguardem), e isso deve acontecer logo mais. Não parei de ouvir discos durante o mês, e esta (modesta) mixtape sintetiza (de alguma forma) o que aconteceu nas últimas semanas.

É um disquinho menos triste que os anteriores, e cheio de otimismo (ainda que um otimismo cinzento, se é que vocês me entendem).

Aqui dentro você encontra Spiritualized, Here We Go Magic, Chromatics, Lotus Plaza, Moonface (salve Spencer Krug!), Jack White, Bear in Heaven, Zammuto (tá lá na foto acima) e Rufus Wainwright.

Tá bonita a coletânea (a lista de músicas fica na caixa de comentários). Divirtam-se.

Faça o download da mixtape de abril.

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mixtape! | Março, últimos dias

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Amigos, esta é uma mixtape valente. Ela quase-quase não veio ao mundo, tenho que admitir – porque, talvez vocês tenham percebido, março foi um mês difícil para este blogueiro.

A partir de abril, se o blog sobreviver a todo esse tsunami, os posts serão escritos diretamente de São Paulo, pra onde me mudo semana que vem. Portanto, que rufem os tambores!, esta é a minha última coletânea brasiliense – não por acaso, ela soa um pouco como a cidade de que estou me despedindo.

É, em resumo, a mixtape mais emotiva de todos os tempos (preparem-se).

Estou em pleno processo de mudança, e não sobra tempo nem para olhar pro relógio: por isso, a mixtape deste mês só poderá ser ouvida (por enquanto) aqui no blog, via streaming. Mas calma! Prometo, talvez durante o fim de semana, postar os arquivos em mp3 pra vocês ouvirem as musiquinhas em vossos iPods.

Nesta seleção, vocês encontram as belas melodias de Beach House (que ganhou a tão cobiçada foto no alto do post), Daniel Rossen, Andrew Bird, Magnetic Fields, Young Magic, The Shins, The Men, Perfume Genius e Poliça.

Faça o download da mixtape de março (enfim!).

Ou, por enquanto, ouça aqui:

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♪ | Port of Morrow | The Shins

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Quando você ouvir pela primeira vez este álbum do Shins, possivelmente vai concluir que Port of Morrow é todo ele uma superfície polida e tranquila. Vai ficar, imagino, a impressão de que você já desvendou — antes, há muito tempo, numa outra época — todos os mistérios deste disco, mesmo que ainda não tenha se aproximado da faixa 6.

A sensação de conforto deve se tornar ainda explícita ao perceber que James Mercer, o mentor do quinteto, está regularmente nos avisando que ele é um “homem simples” (em Bait and Switch) e que estas canções não são, bem, muito complicadas (vide Simple Song, o primeiro single).

Havia um tempo, por volta de 2002-2003, em que Mercer comentava que o Shins era apenas uma desculpa que encontrou para criar variações inesperadas dentro dos limites de canções pop de três minutos de duração. O plano ainda parece fazer sentido, já que quase todas as faixas de Port of Morrow são canções convencionais, ainda que com uma ou duas (ou três) arestas aparentes — um efeito fofo de sintetizador, um corinho com eco, a bateria repetitiva de um hit do Phoenix.

No caso de ter resistido à monotonia generalizada, pode ser que você encontre um indício de que as coisas podem não ser tão unidimensionais como parecem. “É tudo muito simples, e terrivelmente complexo”, alerta Mercer, lá quase no fim do álbum (em 40 Mark Strasse). O que provoca a pergunta inevitável: onde está a complexidade?

Talvez ela tenha se escondido nos versos de Mercer. É sabido que os versos de Mercer sempre representaram por volta de 80% daquilo que você considerava encantador nesta banda. Quando Natalie Portman, no draminha indie Hora de Voltar, comentou que o Shins mudaria nossas vidas, há boas chances de que estivesse falando sobre o teor deliciosamente literário de músicas como The Past and Pending e New Slang.

Ler as canções, neste caso, será uma pista importante para que você encontre a segunda dimensão do disco: Port of Morrow, então, vai se abrir graciosamente num álbum menos sereno e cômodo, com rasteirices que versam sobre envelhecimento, morte, dores de cotovelo e que, volta e meia, tentam materializar um sentimento que não se descreve com facilidade — um mal estar que acomete alguns adultos bem sucedidos, bons pais e maridos (Mercer, 41 anos, é casado e tem dois filhos), mas ainda assombrados por um tipo adolescente de inquietação.

A faixa título resume essa crise discreta. Depois de narrar uma cena que demonstra “a mecânica amarga da vida” (um animal devorando outro), ele descreve, com um falsete soul, o asco que a gente sente ao ver fotos de guerras. Como informar às crianças sobre todo esse horror? Os responsáveis por esses conflitos lamentáveis são “palhaços diabólicos”, o compositor conclui. Mas, em seguida, rompe o discurso inocente com uma constatação mais dura: “Logo notamos, caro ouvinte, que eu e você também estivemos lá”. Lá onde? Nas guerras e tragédias? Estaríamos, eu e você e Mercer, todos inseridos no Grande Esquema Medonho das Coisas?

Terrivelmente complexo, indeed.

Diante desse contraste entre letra & música, há o perigo de que você lamente a falta de valentia de Mercer, que se deu por satisfeito após gravar somente a metade de um conceito: um álbum que se lê com prazer e se ouve com certo tédio. Entender que este é o primeiro produto do selo de Mercer, o Aural Apothecary (via Columbia Records), esclarece o porquê de escolhas tão óbvias: antes de criar um disco novo do Shins, o músico/microempresário parece ter se sentido na obrigação de escrever mais um disco (típico, agradável, acessível) da banda. It’s Only Life, por exemplo, poderia ser uma balada edificante de Noel Gallagher. E September, o lado B de Red Rabbits.

Ao cruzar essas duas informações (a artística e a comercial), você vai perceber (como eu percebi) que Mercer sente uma falta tremenda do tempo em que o Shins era uma banda pequena e sem tantos compromissos, inventada dentro do cômodo pequeno de um apartamento. “A partir do momento em que você começa a jogar o jogo de tentar ser grande, você sempre perde”, ele comentou, numa entrevista. Mas, desde Wincing the Night Away, não é exatamente isso (ser maior; ao menos musicalmente mais ambicioso) que tenta fazer?

Port of Morrow, você haverá de concordar comigo, sofre de um complexo semelhante ao que contaminou pelo menos 50% daquele disco de 2007: o desejo por crescimento (e profissionalização madura) neutraliza a qualidade mais notável da banda. A saber, a simulação de um pop simultaneamente modesto (na atitude, na produção doméstica) e arrojado (na composição engenhosa dos versos, nos esquemas melódicos).

Ao fim do disco, você pode se pegar perguntando se ainda seria possível tratar o Shins como uma banda incomum. A pergunta, que se faz de simples, termina se mostrando não terrivelmente complexa — mas um tantinho enganadora, sim.

Quarto disco do Shins. 10 faixas, com produção de Greg Kurstin. Lançamento Aural Apothecary/Columbia Records. C+

♪ | Put Your Back N 2 It | Perfume Genius

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Então resolvi escrever um diário para narrar minhas experiências, meus sentimentos e minhas aventuras, minhas impressões sobre o mundo, a vida e tudo o mais. Escrevi três páginas em 10 minutos, depois fui dormir. No dia seguinte, quando dei por mim diante daquele alagamento de palavras, me senti um pouco enjoado. E estúpido.

Pensei: este diário só não vai me envergonhar se eu reescrevê-lo de forma que o texto fale a uma pessoa razoavelmente interessante, e não a uma página de papel (páginas de papel, sabemos, não sentem constrangimento nem pena nem raiva nem qualquer outra coisa). Só que aí passei a suspeitar que o projeto em si perderia sentido, já que diários são, naturalmente, objetos intransferíveis que não mostramos a ninguém.

De qualquer forma, segui escrevendo o meu caderninho de acordo com esse plano B — como se para uma outra pessoa — e, agora, até que estou satisfeito com o rumo que ele está tomando. Iniciei a minha obra no dia 1º de março e pretendo encerrá-la no dia 30. Essa é a meta.

Ainda penso, no entanto, em como esse diário ficaria se eu o escrevesse com uma prosa totalmente livre, derramando irresponsavelmente os meus pensamentos mais sinceros. Acho que seria um baita de um convite ao sadismo, e impublicável.

Vá saber.

Esses conflitos diarísticos e existenciais ocorreram — por coincidência — enquanto eu tentava me familiarizar com o segundo disco de Mike Hadreas, aka Perfume Genius. Como este é um blog sobre música & filmes, seria melhor se eu começasse a falar nele (no disco) em vez de ficar passeando em torno do meu umbigo.

As histórias (a minha e a dele), é claro, acabam se conectando. Porque, enquanto eu escrevo um diário, Mike grava discos que contém alguns dos elementos que encontramos nessas narrativas íntimas: ele é daqueles artistas que, a exemplo de um Casiotone For The Painfully Alone, de um Xiu Xiu ou até de um Eels, cria uma relação de cumplicidade muito estreita — quase irresponsável, às vezes constrangedora — com o ouvinte, mais ou menos como na primeira versão do meu diário in progress. As informações sobre o disco no site da Matador Records deixam bem claro (porque é esse o plano) que Mike vive quase tudo o que canta — e experimenta esses versos possivelmente aos prantos, sofrendo um pouco a cada dia.

Learning, o álbum anterior, era ainda mais (supostamente) direto. Nele, Mike – um rapaz de Seattle então com 20 e tantos anos – desabafava sobre crises familiares, o vício em drogas, a tentativa de suicídio e as experiências sexuais com os namorados. Put Your Back N 2 It é, diz a Matador Records, um disco mais “universal” e “cinematográfico”, menos “esparso” e “introspectivo”. Ainda que a faixa título, segundo o próprio compositor, tenha sido feita para mostrar ao namorado que sexo gay pode ser algo confortável e carinhoso. “Escrevi para Alan antes de nossa primeira vez”, ele conta, no site.

Encurtar a distância que geralmente se estabelece entre um cantor e seu público é um dos desejos mais explícitos de Mike — talvez por isso, no texto de divulgação, ele explique por que escreveu cada uma das faixas (nenhuma historinha supera a de Floating Spit: “E se A História sem Fim se passasse numa sauna, como ele se pareceria? Como as criaturas seriam?”). Ler o texto e ouvir as canções deixa a sensação de se conhecer muito — talvez demais — sobre a intimidade do compositor.

Nas músicas, Mike também se esforça para mostrar-se como veio ao mundo. Os arranjos são quase transparentes, e ele quase sempre é acompanhado por um piano e por camadas finas (em espessura) de efeitos new age, com uma ou outra referência mais arejada (como em Normal Song, uma quase balada country). As comparações com James Blake se tornam óbvias, ainda que me pareçam equivocadas porque, ao contrário do britânico, Mike tenta criar a impressão de um reality-show sonoro, captado com espontaneidade e certa displicência, como se a necessidade se confessar, de se desnudar para mostrar-nos que é de verdade, fosse o mais importante.

Aplicando esse método, sempre de forma muito calculada (e com esboços por vezes muito bonitos de melodias), Mike encena, em primeira pessoa, as desventuras de um homem cheio de sequelas, tentando encontrar a sonoridade mais adequada para transmitir as sensações de isolamento e depressão. Soa legítimo, ainda que ele ainda não consiga transformar toda essa catarse numa arte particular. Por enquanto, só ouço o desespero — transcrito num diário sem pudor ou arremate.

Segundo disco do Perfume Genius. 12 faixas, com produção de Mike Hadreas. Lançamento Matador Records. C+

♪ | Visions | Grimes

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Talvez não seja necessário (nem recomendável) ouvir este disco por inteiro para entender por que a canadense Claire Boucher é a revelação do ano. As resenhas sobre Visions nos informam que ela é um dos símbolos proeminentes de uma cena em ascensão — apelidada simplesmente de “weird” —, que atualiza a “sensibilidade punk” ao se apropriar de um punhado de referências marginais do pop, chafundrando em dejetos de k-pop, synthpop, shoegazing, ambient, minimal, lo-fi, new age, funk de boate vagabunda e, se não estou enganado, um tiquinho de carimbó.

Simultaneamente a essas (supostas) peraltices sonoras, Claire também desenvolve, segundo o site da gravadora Rough Trade, “as artes do 2D (?), performance, dança, artes plásticas, vídeo e som”, num set que incorpora influências “tão amplas como Enya, TLC e Aphex Twin”. Com uma carta de apresentações dessas, imagino que seria simples conseguir, no mínimo, uma bolsa de estudos na BRIT School for Performing Arts & Technology.

É um portifólio notável — que inclui, além de Visions, mais três discos gravados rapidamente, desde 2010. Ao contrário dos álbuns anteriores, que foram tratados como rascunhos para laboratório de Creative Writing, o novo projeto mostra ambições de profissionalização. Na 4AD Records, lar do Gang Gang Dance e do Ariel Pink, Claire se comporta como uma repórter iniciante que decidiu trocar as liberdades da pequena imprensa interiorana pelo prestígio de um “jornalão”. Grandes responsabilidades, you see?

Visions aparece, de fato, como um álbum mais “apresentável”, que tenta organizar num combo audível as dezenas (centenas?) de intenções de Claire. Pode ser interpretado como um rito de passagem. Pena que, para quem evita o burburinho das resenhas, a experiência pode ser decepcionante: desconectado de um contexto que o engrandece (e do hype, velho hype), deve deixar a impressão de que foi programado a partir de uma seleção de palavras populares em blogs e sites de indie rock — e não de visões particulares sobre o pop, o indie, o “bedroom pop” ou o que quer que seja.

Esse circuito ruidoso de informação — que atua principalmente, diga-se, fora e ao redor do disco — nos atrapalha quando tentamos identificar as singularidades de Claire. Depois de muitas audições, não consegui encontrar muitas: a sonoridade que ela pratica não é tão frenética nem criativa quanto se vende por aí, e me parece apenas uma variação precária (e pobre de propósito, aparentemente) do pop cut ‘n’ paste que M.I.A. e Diplo fazem com mais gana e alegria. Claire cria uma redoma estetizante que me parece frágil demais, e que se rompe tão logo ela tenta encontrar densidade numa arte em 2D (isto é: a partir da faixa sete, quando o disco vai descendo a ladeira da contemporaneidade).

As ideias de Claire fervilham tão intensamente que talvez deveríamos amá-la (e admirar o disco) apenas por isso: pela teoria, e não pela prática. Mas Visions periga ser esmagado pela ânsia de disparar estímulos de curta duração, frívolos e sem substância — por isso mesmo, poucos lançamentos recentes representam com tanta fidelidade uma época em que se precisa justificar com estardalhaço discos que serão rapidamente substituídos por outros, tão “importantes” e “urgentes” quanto.

Quarto disco da Grimes. 13 faixas, com produção de Grimes. Lançamento 4AD Records/Arbutus. C