cine | Histórias cruzadas

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O título em português, sob medida para qualquer filme escrito por Guillermo Arriaga, me preparou para o 2h30 de agonia. Amigos me alertaram que seria uma espécie de Conduzindo Miss Daisy para leitoras de Martha Medeiros. Mas — minhas expectativas estavam bem baixas, percebam — até que The Help não me parece o mais oportunista dos dramas-pra-Oscar. É apenas mais um melodrama bem intencionado, em cores suaves e com muita coisa acontecendo, inspirado em best seller e dirigido por um-qualquer, que dilui um tema “importante” (no caso, as relações de ódio/amor entre as patroas brancas e as empregadas domésticas negras, no Mississippi abertamente racista do início dos anos 60) numa narrativa de fotonovela, palatável para o fã-clube de, digamos, Brothers and Sisters. Me lembrou outro filme “feminino” de época que se deixa anular pela própria caretice, O Sorriso de Mona Lisa. O elenco principal é muito competente e oscarizável, moças guerreiras segurando as pontas de um roteiro cheio de tipos estereotipados que, subitamente, como que por milagre, às vezes se redimem. E (ufa) nem são muitas as histórias que se cruzam.

(The Help, EUA/Índia/Emirados Árabes, 2011) De Tate Taylor. Com Viola Davis, Emma Stone, Octavia Spencer e Bryce Dallas Howard. 146min. C

3 comentários em “cine | Histórias cruzadas

    Aurélio disse:
    dezembro 21, 2011 às 12:15 am

    Só pra comentar: li os posts de listas dos discos e dos piores filmes, e discordei de muita coisa. Mas bastante coisa mesmo. Daí eu parei pra pensar por que venho aqui e concluí que gosto de ler o que você escreve, mesmo quando tenho uma opinião diferente. Acho que você argumenta bem sobre o que não gosta e principalmente sobre o que gosta. Então…continuarei vindo aqui (:

    Um abraço

    Tiago Superoito respondido:
    dezembro 21, 2011 às 12:36 am

    Hahaha. Cara, adorei seu comentário. Comigo acontece mais ou menos a mesma coisa: discordo quase SEMPRE de quase TODOS os meus blogueiros preferidos (e, alívio meu, eles nem sabem que leio os blogs). Mas estou sempre voltando a esses blogueiros, porque admiro a forma como escrevem, argumentam. O “gostei/não gostei” (do filme/disco) se torna, pra mim, o aspecto menos importante da brincadeira. Não quero que eles concordem comigo – quero que eles sejam quem eles são, simplesmente isso. E, veja só: sinto um pouco de preguiça quando leio textos que espelham exatamente a minha opinião sobre um filme/disco. Prefiro ser provocado por ideias diferentes. O consenso me dá um pouco de tédio.

    E é muito, muito bacana saber que você vai continuar voltando a este blog, mesmo sabendo que as suas opiniões não batem com as minhas. Isso é raro. Geralmente, as pessoas procuram textos que confirmem os próprios pontos de vista, como quem vai atrás de bons argumentos pra compor dossiês e levá-los a um tribunal, ou algo do tipo. Pra mim, não é assim que funciona.

    Legal, gostei. Volte sempre.

    Henrique Miura disse:
    janeiro 22, 2012 às 11:21 pm

    Assisti o filme e achei muito ruim.

    A cena da menininha batendo na janela; a cena da jornalista “voltando no tempo”, a caricaturas das burguesas; tudo de uma falta de vergonha sem tamanho.

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