Dia: novembro 29, 2011

cine | Sleeping Beauty

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O filme de estreia da australiana Julia Leigh, que foi selecionado para a competição de Cannes, tem cenas que nos seduzem pela beleza das imagens — os enquadramentos são simétricos, “clean” o bastante para deixar a impressão de que alguém fez uma faxina incrível no set pouco antes do começo das filmagens —, mas nos chocam (ou tentam nos chocar) tão logo percebemos o horror das situações. Num resumo bem superficial, é como se um cineasta iniciante, ainda deslumbrado com os próprios ídolos, convidasse o fotógrafo de Sofia Coppola para filmar um roteiro de Michael Haneke.

Por falar em Sofia, uma das sequências remete quase que literalmente à atmosfera de Encontros e Desencontros: num quarto chique de hotel (e aí, sim, claro, estamos falando num ambiente impessoal e higienizado), a personagem principal aparece deitada na cama, de forma que a silhueta do corpo desenha uma espécie de moldura humana para o cenário urbano que brilha na janela. É um plano bonito, que sugere várias metáforas sobre dezenas de questões, mas cadê Julia Leigh?

Já a primeira cena, em tons de cinza e branco, se adaptaria bem a um dos primeiros filmes de Haneke: a lente não pisca enquanto essa mulher se submete a um exame médico, e tem um tubo transparente enfiado goela abaixo. A câmera não sente nada, talvez por se tornar cúmplice do estado de espírito da protagonista: elas (a câmera e a personagem) suportam desapaixonadamente um martírio non-stop.

Mas, como estamos dentro de um conto de fadas (nenhum cineasta escolhe o título A bela adormecida em vão), o purgatório de Lucy (Emily Browning) vai ganhando tons surreais: da metade da trama em diante, é como se essa princesa linda, branca e oh-tão-inocente tivesse tomado o caminho errado e, em vez de chegar em casa, batesse a porta da mansão de De Olhos Bem Fechados. Quando ela se submete a um serviço bizarro de prostituição para homens idosos — desacordada, ela recebe clientes na cama para encontros “sem penetração” — o delírio parece se sobrepor à realidade.

O inferno é que essa viagem-floresta-adentro, além de nunca se libertar de duas ou três referências de fácil identificação (que se tornam sufocantes, pra dizer o mínimo), tem como destino os lugares-comuns de uma conhecida deprelândia cinematográfica, já desgastada em festivais. Entendo: é mesmo complicado viver num mundo em que as relações humanas se tornaram mecânicas e vazias, mas, dois dias depois de ter visto o filme, ainda me pergunto o que Julia Leigh teria a comentar sobre esse assunto.

(Austrália, 2011, 104min) Escrito e dirigido por Julia Leigh. Com Emily Browning, Rachael Blake e Ewen Leslie. C

♪ | Noel Gallagher’s High Flying Birds

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Please Please Please
(Fiona Apple)

Please please please
No more melodies
They lack impact, they’re petty
They’ve been made up already

Please please please
No more maladies
I’m so tired of crying
You’d think I was a siren

But me and everybody’s on the sad same team
And you can hear our sad brain screaming

Give us something familiar
Something similar
To what we know already
That will keep us steady
Steady
Steady going nowhere

Please please please
No apologies
At best they buy you time
Until you next step out of line

Please please please
No more remedies
My method is uncertain
It’s a mess but it’s working

And maybe if you tried it out
You won’t like it when you’re crying out

Give us something familiar
Something similar
To what we know already
That will keep us steady
Steady, steady
Steady going nowhere

Please please please
No more melodies
They lack impact, they’re petty
They’ve been made up already

Please please please
No more maladies
I’m so tired of crying
You’d think I was a siren

But me and everybody’s on the sad same team and
You can hear our sad brain screaming

Give us something familiar
Something similar
To what we know already
That will keep us steady
Steady, steady, steady, steady
Steady going nowhere

Please please please
No apologies
At best they buy you time
Until you next step out of line

Please please please
No more remedies
My method is uncertain
It’s a mess but it’s working

And maybe if you want to try it out
You won’t like it when you’re crying out

Give me something familiar
Somethin’ similar
To what we know already
That will keep us steady
Steady, steady
Steady going nowhere

Primeiro disco solo de Noel Gallagher. 10 faixas, com produção de Noel Gallagher e David Sardy. Sour Mash Records. 56