Os discos da minha vida (39)

Postado em Atualizado em

Hoje, na incrível novela dos 100 discos que levaram a minha vida ao delírio: sexo, violência, solidão, horror, êxtase, agonia, manhãs de domingo e o penteado do demônio. Entre outras atrações imperdíveis.

Ainda falta um tantinho para que este ranking chegue ao fim (para efeito de comparação: se estivessemos numa viagem de carro entre Rio de Janeiro e Brasília, este post seria Paracatu). Mas toda hora é hora de lembrar a vocês que esta é uma lista absolutamente pessoal. Ela obedece a critérios obscuros (e obtusos) e é de inteira responsabilidade de Tiago Superoito, o senhor soberano deste latifúndio. Todas as reclamações devem ser feitas diretamente a ele, portanto. E na caixa de comentários logo ali embaixo.

O cardápio do dia é o seguinte: um disco que já se tornou clássico (mas é daqueles clássicos que ainda mordem, atenção com ele!) e outro que vai acabar se tornando uma referência, um cânone, um álbum grandalhão daqueles que você guarda para mostrar aos bisnetos  – isso, é claro, se deus for justo com os homens de bem.

À colheita, irmãos!

024 | The Velvet Underground & Nico | The Velvet Underground | 1967 | download

O primeiro disco do Velvet Underground me acertou primeiro no peito e depois no cérebro. Hoje tenho certeza de que existe algo errado nessa ordem (é um disquinho de nariz empinado, certo?), mas foi o que aconteceu. Eu tinha 14 para 15 anos quando Sunday morning caiu no meu aparelho de som e ficou ali, deitada de monoquini, torrando na brisa. É uma canção tão adorável que, por muito tempo, evitei ouvir o restante do disco. Só depois, alguns meses depois (nota do revisor: na época Tiago tratava os discos com um pouco mais de discplicência, sem respeitar a ordem das faixas ou as intenções do autor; talvez ele deva recuperar o hábito, em minha opinião), percebi que as outras faixas tratavam de temas um pouco mais angulosos. E havia definitivamente algo macabro em Venus in furs, mas eu não sabia definir o conteúdo perturbador da canção. O disco acabou me seguindo por muito tempo, e me segue até hoje. É o meu favorito do Velvet, talvez por combinar com harmonia o delicado e o terrível, amor e morte. É daqueles álbuns que podemos começar a ouvir aos 10 anos de idade e continuar até o dia em que nossos dentes começarem a cair. Aposto que só vou entender The black angel’s death song quando eu fizer oitentinha. Top 3: Sunday morning, Venus in furs, I’ll be your mirror

023 | Odelay | Beck | 1996 | download

Um disco de adolescência. Ah, meus 14 anos! Nada de muito interessante acontecia. Talvez por isso eu tenha me apegado a álbuns superhiperativos, rios de ideias escorrendo pelas bordas. Odelay era a mais querida dessas jukeboxes: Beck Hansen era meu ídolo porque parecia possível ser alguém como ele. Não era um rockstar nos moldes tradicionais (e, aparentemente, ele também desenvolvia paixões platônicas as mais loucas) e sempre me soou mais como um nerd no controle de um painel preenchido por botões coloridos. De qualquer forma, ele sabia operar a maquininha como um jedi: quase tudo o que sei sobre colagem pós-pós-moderna de sons e ideias está contido aqui, em Odelay (depois, é claro, conheci Prince e as coisas começaram a ficar mais complicadas). Where it’s at é a obra-prima do sujeito, sem concorrentes à altura (sorry, haters). Ainda não fizeram nada nem remotamente parecido a The new pollution. Mas não vamos esquecer que é um disco também emocionante, e de um jeito mundano: ouça Jack-ass, uma das canções que aqueceram e adoçaram a minha ó-tão-friorenta juventude. Bateu até um tiquinho de saudade, viu. Top 3: Where it’s at, The new pollution, Jack-ass.

Depois do pulo, confira os discos que já apareceram neste ranking

25 rubber soul, the beatles
26 kid a, radiohead
27 zen arcade, hüsker dü
28 transa, caetano veloso
29 low, david bowie
30 nashville skyline, bob dylan
31 wowee zowee, pavement
32 odessey and oracle, zombies
33 as quarto estações, legião urbana
34 last splash, the breeders
35 what’s going on, marvin gaye
36 daydream naton, sonic youth
37 abbey road, the beatles
38 the soft bulletin, flaming lips
39 plastic ono band, john lennon
40 london calling, the clash
41 exile on main street, rolling stones
42 younger than yesterday, the byrds
43 sgt. pepper’s lonely hearts club band, the beatles
44 stankonia, outkast
45 the who sell out, the who
46 is this it, the strokes
47 astral weeks, van morrison
48 mighty joe moon, grant lee buffalo
49 le historie de melodie nelson, serge gainsbourg
50 the ramones, the ramones
51 the dark side of the moon, pink floyd
52 construção, chico buarque
53 parklife, blur
54 murmur, rem
55 music from big pink, the band
56 bringing it all back home, bob Dylan
57 in the wee small hours, Frank sinatra
58 moon safari, air
59 the stooges, the stooges
60 carnaval na obra, mundo livre sa
61 paul’s boutique, beastie boys
62 in utero, nirvana
63 american beauty, greateful dead
64 ladies and gentlemen, we are floating in space, spiritualized
65 os mutantes, os mutantes
66 discovery, daft punk
67 sea change, beck
68 dusty in memphis, dusty springfield
69 69 love songs, the magnetic fields
70 portishead, portishead
71 scott 4, scott walker
72 teenager of the year, frank black
73 either/or, elliott smith
74 elephant, the white stripes
75 on the beach, neil young
76 deserter’s songs, mercury rev
77 off the wall, michael jackson
78 post, bjork
79 surf’s up, beach boys
80 pulp fiction, soundtrack
81 songs from a room, leonard cohen
82 a ghost is born, wilco
83 under a red blood sky, u2
84 behaviour, pet shop boys
85 sheik yerbouti, frank zappa
86 electro-shock blues, eels
87 this is hardcore, pulp
88 brotherhood, new order
89 selvagem?, os paralamas do sucesso
90 merriweather post pavilion, animal collective
91 all things must pass, george harrison
92 the downward spiral, nine inch nails
93 bookends, simon and garfunkel
94 mezzanine, massive attack
95 #1 record, big star
96 summer in abbadon, pinback
97 gentleman, the afghan wighs
98 grievous angel, gram parsons
99 ten, pearl jam
100 grand prix, teenage fanclub

12 comentários em “Os discos da minha vida (39)

    Ailton Monteiro disse:
    maio 10, 2011 às 1:17 am

    Eu tenho os dois disquinhos em cd aqui, com orgulho. Mas se eu amo muito o album do Velvet, obra-prima absoluta mesmo, já não curto tanto o do Beck (acho que é um artista que nunca entendi direito). Gostava na época, mas nem tanto. Acho que era incentivado pelo hype. Aí chegaram os anos 2000 e deixei o disco meio desprezado. De repente, se eu voltar a ouvir até volte a gostar, hein. hehe

    Felipe disse:
    maio 10, 2011 às 1:31 am

    Gosto da lista, mas não acho que você precise se justificar tanto, como se fosse extremamente grave deixar algum clássico de fora. Ninguém gosta de tudo. E, ainda assim, vamos combinar: depois do número 82 da lista, não tem nada exatamente polêmico na lista, é tudo mais ou menos clássico incontronverso (em maior ou menor escala).

    ps: eu também acho o 82 o melhor da banda. Achei bom ressaltar pra não parecer que tava querendo só polemizar. hehe.

    Tiago Superoito respondido:
    maio 10, 2011 às 1:52 am

    Esses drama é meio que marca registrada do ranking, Felipe. Eu sei que os discos são todos mais ou menos consagrados (sou um sujeito óbvio, no alarms and no surprises), então rola uma ironia nesse mimimi.

    Ailton, sempre gostei do Beck e sempre achei o sujeito bem menos cínico do que dizem (Sea change é o disco que mostra isso).

    Rafael disse:
    maio 10, 2011 às 3:00 am

    Você não poderia ter descrevido melhor o álbum do Velvet Tiago. Ele parece que vai amadurendo junto com o ouvinte. Disco meio sinistro. Obra-prima sem dúvida.

    Tiago Superoito respondido:
    maio 10, 2011 às 3:05 am

    Obra-prima.

    Ailton Monteiro disse:
    maio 10, 2011 às 11:40 am

    Ah, e minha favorita do disco do Velvet (junto com o pianinho de “Sunday Morning” é “Waiting for my man”. Foda aquela guitarra. Foda a descrição do sujeito dependente de drogas. Foda a letra do Lou Reed. Genial.

    Ricardo disse:
    maio 10, 2011 às 12:42 pm

    O do Velvet eu coloco no meu top 5, disco de cabeceira, não canso e não cansarei de ouvir. Algumas bandas que me embalaram na adolescência como Doors, Led Zeppelin, Creedence e outras cansaram meus ouvidos, volta a elas só de tempos em tempos. O Velvet não, é referência constante.

    Tiago respondido:
    maio 10, 2011 às 12:50 pm

    Ricardo, o do Velvet merece sim entrar em qualquer top 10 de discos mais importantes de todos os tempos, e bacana que ele esteja entre os seus 5 preferidos. Engraçado: na minha lista não tem Doors nem Led Zeppelin nem Creedence.

    Pedro Primo disse:
    maio 10, 2011 às 3:29 pm

    Engraçado que esses são dois discos que eu ouvi numa mesma época e não consegui entrar em nenhum dos dois. Deixei eles hibernando aqui e prometi voltar um pouco mais velho. Mas são dois que mesmo quem não gosta tem que admitir a importância, principalmente o do Velvet.

    dh disse:
    maio 10, 2011 às 3:36 pm

    Todas as que a Nico canta.

    Felipe Queiroz disse:
    maio 10, 2011 às 10:45 pm

    Olhando assim, fica meio estranho Beck na frente de Velvet, e olha que o rapaz já regravou o disco do Velvet.

    É mesmo, não tem Led Zeppelin. Sujeito estranho você.
    :)

    Tiago respondido:
    maio 11, 2011 às 4:18 pm

    Pedro, talvez eles precisem de algum tempo, não sei. Principalmente o do Velvet.

    Estranho mesmo, Felipe, mas minha vida começou em 1979 e não em 1960, hehe.

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