Mês: janeiro 2011

Os discos da minha vida (21)

Postado em Atualizado em

Esta saga musical abre 2011 com uma leve sensação de déjà vu. Foi mal. Sorry. Por aqui, tudo ainda muito parecido com 2010, o ano em que começamos a fazer contato com os discos que marcaram a minha vida. 

Capítulo 21, hem. Quem diria. Mas notem que ainda nem chegamos à metade do trajeto. Foi um longo caminho até aqui, e ainda tem chão pela frente. Falta um bocado. A boa nova é que estamos no aproximando lentamente do extraordinário, do sensacional, do emocionante… top 50.

Aos caronistas que chegaram agora, lembro as regras da jornada: este é um ranking muito pessoal que não pretende, sob hipótese alguma, elencar os discos mais importantes, mais influentes ou mais respeitados da música pop. Não. O que está em jogo é o grau de afeto entre os álbuns e o sujeito mediano que escreve este o blog. Apenas isso. Uma lista monumental, mas totalmente desimportante – eis a ironia da coisa.

Compreenderam? Nada de cobrar lógica, coerência, sisudez ou vir reclamar que aquele disco joia do Teenage Fanclub ficou muito atrás daquele disco joia (mas SUBESTIMADO) do Pinback. Não vale. Se vocês me perturbarem com esse tipo de ladainha, entenderei o seguinte: vocês trabalham muito, estão sempre apressados e a falta de tempo impediu que vocês lessem as regras do jogo. Mas vou perdoá-los, meus chapas. Que este blog é uma mãe.  

060 | Carnaval na obra | Mundo Livre S/A | 1998 | download

Samba esquema noise (1994), um dos aplicativos essenciais do mangue bit, é um disco mais relevante. Mas Carnaval na obra soa como um degrau mais alto: um álbum destemido, mas também descontente e desencantado, que espana os cacoetes do movimento que a própria banda ajudou a criar. Tem samba, mas é um carnaval cinzento. Cinema marginal. Descobri o disco numa época em que eu estava desiludido com a música brasileira. Me identifiquei completamente com o cavaquinho amargo de Fred 04, ele próprio um solitário, eternamente desconfortável dentro do nosso pop bronzeado. Um pouco mais tarde, em 2001, o Los Hermanos avisaria que Todo carnaval tem seu fim. Para mim, soava como notícia antiga. Top 3: A expressão exata, Ultrapassado, Édipo – O homem que virou veículo.

059 | The Stooges | The Stooges | 1969 | download

Um dos discos que despertaram em mim o desejo de tocar guitarra numa banda. Ouvi e concluí: é possível! Aprendi guitarra, mas o entusiasmo durou mais ou menos três dias. Depois descobri que ele é, junto com Velvet Underground and Nico e Doolittle, daqueles álbuns especializados em produzir grupos de rock. Entendo bem: a euforia rascante do disco nos parece elementar, ainda que não o seja. Voltei a ouvir há alguns dias e ele soa cada vez mais sofisticado: a produção de John Cale cria uma atmosfera de sujeira e aflição que nos transporta a um território perigoso, prestes a desabar. Tudo pensadinho para soar como um campo minado; rock malpassado, sangrando. Top 3: I wanna be your dog, No fun, We will fall.

Anúncios

Mixtape! | Brasil, 2010

Postado em Atualizado em

Há alguns dias, postei uma lista dos 10 discos brasileiros que mais gostei de ouvir em 2010. Este post de hoje é um complemento daquele post lá. Atendendo a pedidos eufóricos e por isso irresistíveis, dobrei as manguinhas e fiz uma mixtape esperta com as minhas músicas preferidas deste Brasil varonil.

E assim dou o assunto por encerrado: chega de 2010 neste blog. Cabou a festa. 2011, venha que estamos te querendo.

Pois então. Vocês querem saber o que esta mixtape aqui representa, certo? Nem tenho muito a dizer, honestamente. Só o óbvio: ao contrário das coletâneas mensais, esta aqui obedece a um critério muito objetivo. É um top 12 (fora de ordem), e ponto. Tem Mombojó, que fez o meu disco brasileiro favorito do ano (e lá estão eles na foto que abre este post), tem Marcelo Jeneci, tem Guizado, Watson, Garotas Suecas, Tulipe Ruiz e Lestics. E tem bandas que não entraram no meu top 10 de álbuns, como o Superguidis, o Diego e o Sindicato, o Lucy and the Popsonics.

É claro que, se vocês prestarem atenção às letras, vão ficar com a impressão de que, dentro desta coletânea, existe algo sobre a minha pessoa. Mas negarei até o fim.

São boas músicas. Suei a camisa para que o CD soasse muito agradável. Tomara que sim. Experimentem e depois avaliem, ok?

No mais, lembro que a mixtape de dezembro ainda está bombando neste link aqui. Aos que estavam de folga, curtindo o verão, e voltam a trabalhar nesta segunda-feira, esses arquivos compactados equivalem a uma dose de energético.

Mas não é isso o que vocês vieram fazer aqui, certo? Então baixem agora mesmo a mixtape Brasil, 2010. A lista de músicas está logo ali na caixa de comentários, como de costume.