Os discos da minha vida (18)

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Todos nós sabemos como funciona esta saga: 100 discos, dois por semana, critérios estritamente pessoais (e duvidosos), muito draminha, alguma nostalgia, piadas infames e quase nenhum bom senso.

Os posts recentes deste blog (e incluo à lista este aqui) serão armazenados numa cápsula, a ser enviada a um planeta distante. Objetivo da experiência: permitir que os extraterrestres tenham alguma ideia do quão patético é um sujeito de 31 anos, recém-separado, sentimental até os ossos, vivendo dias de cão. Certeza de que os ETs se reuniriam pra beber cerveja e dar umas risadas.

Mas voltemos ao leite derramado: neste capítulo do reality show, dois discos joviais e um tantinho alienígenas – que prestariam um serviço muito digno se enviados a um planeta bizarro. Terráqueos são ok.

066 | Discovery | Daft Punk | 2001 | download

Um disquinho terrivelmente eufórico e otimista (composição: hormônios, energético e sorvete de morango) que recupera algo que perdemos na infância e nunca teremos de volta. Subestimado à época do lançamento (afinal, todos esperávamos do Daft Punk algo muito mais sério, muito mais importante), o álbum conseguiu de alguma forma colaborar decisivamente para as curvas suaves e o tom levemente irônico que compõem o design do pop no século 21 (vide Kanye West, Cut Copy, Phoenix etc). Mas tudo isso é bobagem. Quem se importa com o futuro da música pop, né mesmo? O que nos interessa é como esses dois franceses criam um mundo de plástico que nos rejuvenesce todas as vezes em que voltamos a ele. Tem algo mágico aí. Top 3: One more time, Harder better faster stronger, Digital love

065 | Os Mutantes | Os Mutantes | 1968 | download

Geralmente acontece de os meninos e meninas descobrirem os discos do Mutantes quando vão fuçar na estante da sala, entre os vinis antigos do papai. Comigo foi diferente: sem influência familiar ou dicas de amigos (meus pais não são bacanas o suficiente), acabei me aproximando do trio numa época em que minha imaginação era sombria demais para embarcar nos jogos juvenis de Arnaldo, Rita e Sérgio. Tentei, perdi, depois tentei novamente. Foram os álbuns do Jorge Ben (e ele vem aí, aguardem) que me explicaram sobre as traquinagens dos Mutantes. Mas há uma diferença aí: enquanto Jorge inventa tudo quase sem perceber, instintivamente, os três se aventuram com muita esperteza – de olhos bem abertos, armas afiadas – no matagal do pop tropicalista. É, no mais, um disco que nos ensina a brincar seriamente com a música, esse passatempo que salva as nossas vidas. Top 3: A minha menina, Baby, Panis et circences.

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8 comentários em “Os discos da minha vida (18)

    Diego disse:
    dezembro 11, 2010 às 8:29 am

    Vai ter Byrds e Kinks, né, Tiagón?

      Tiago Superoito respondido:
      dezembro 11, 2010 às 12:01 pm

      Kinks provavelmente não. Byrds sim.

    Laís disse:
    dezembro 11, 2010 às 5:38 pm

    Tiago, nem sei por onde começar com esse seu blog. São tantas referências que eu fico perdida. Parece que não vou ter tempo de apreciar tanta música… Dica de por onde começar (Para uma garota, sem influência musical dos pais, sentimental até o talo, curiosa e que com 21 anos acha que há MUITO pra conhecer ainda)?

    Beijos e obrigada

    Tiago respondido:
    dezembro 11, 2010 às 6:27 pm

    Laís, explicando o blog rapidinho (se bem que ele, o blog, vive me surpreendendo): são textos sobre cinema e música, mas de um ponto de vista quase sempre muito pessoal, alternados a posts sobre o meu cotidiano (no momento passo por uma crise pós namoro de sete anos, ainda me recuperando). Em duas palavras: universo umbigo :). Então desencane, nem tente dar muita importância a isso aqui. Sério. É tudo muito sentimental, escrito no impulso, coisas que nem eu mesmo consigo entender.

    Mas, lendo seu comentário pela segunda vez, noto que você quer saber sobre os DISCOS e não sobre o blog em si. Ok. Sobre eles, é o seguinte: eu tenho um gosto meio estranho, nesse ponto sou obsessivo, saio ouvindo tudo o que me recomendam. Essa lista dos 100 discos é um bom começo pra saber o que formou meu gosto. Mas o que eu recomendaria pra uma garota de 21 anos, sentimental, bacana e curiosa?

    Faça assim (e aí não estou estragando nenhuma surpresa deste ranking):

    1. comece com dois discos dos Beatles (indico o Álbum Branco e o Rubber soul, pra você pegar duas fases diferentes), que é o início da história toda e não dá pra passar sem eles

    2. depois Bowie: Ziggy Stardust and the Spiders from Mars e Low, também duas fases diferentes (se bem que ele tem mil e uma fases, então não faz mta diferença).

    3. What`s going on, do Marvin Gaye. Pra entender o que é soul music.

    4. Alguma coisa do The Who (The Who sell out ou Tommy), dos Stones (Let it bleed, Sticky fingers, Exile on Main St.), Neil Young (Harvest, Tonight`s the night) e do Beach Boys (Pet Sounds), mas isso você vai conhecendo aos poucos. Discoteca básica.

    5. Os sentimentais, em carne viva: Nick Drake (Pink moon), John Lennon (Plastic Ono Band), Elliott Smith (Either/or) e Jeff Buckley (Grace).

    6. Na linhagem do punk e pós-punk, recomendo começar com os mais óbvios mesmo (London calling, do Clash, o primeiro do Ramones e Never mind the bollocks, do Sex Pistols) e depois ir seguindo pra Husker Du (Zen arcade), Pixies (Doolittle) e Nirvana (Nevermind).

    Claro que tem muita coisa além disso, e suas preferências sempre vão pender pra um lado e não pra outro, mas vá ouvindo e depois volte aqui pra dizer o que você achou.

    Beijo!
    Tiago

    Laís disse:
    dezembro 12, 2010 às 12:26 am

    Uau! Adorei as indicações, rsrs. E eu estava falando dos discos mesmo, haha… É que tem TANTA coisa pra ouvir e eu queria seguir uma linha, indicada por alguém que já percorreu. ;)
    Muito obrigada mesmo.

    E sobre o blog, adorei aqui desde a primeira visita. Tanto os seus textos sobre a crise pós namoro (pq eu terminei um de 4 anos e meio recentemente), tanto os posts sobre música, cinema e cultura. Você escreve de uma maneira gostosa de ler (de um jeito que gosto) e sei lá… Já sou fã. hahaha… :)

    Beijão e valeu mesmo por ter gastado seu tempo indicando coisas pra mim, rs.

    Té mais

    Tiago Superoito respondido:
    dezembro 12, 2010 às 2:04 pm

    Pare com isso, Laís, deixe de cerimônia. Se quiser perguntar, pergunte. Estamos aí – e este blog fica aberto 24 horas :)

    Nos próximos dias devo postar a lista dos meus discos favoritos de 2010. Entendo essa sua aflição: são tantos lançamentos que às vezes ficamos perdidos em meio à confusão.

    Laís disse:
    dezembro 13, 2010 às 12:12 am

    Valeu! ;)

    E sobre os melhores de 2010, vai ter muito disco nacional nessa lista?
    Curiosíssima.

    Bjs

    Tiago Superoito respondido:
    dezembro 13, 2010 às 12:38 am

    Só discos internacionais, Laís. Não ouvi muitos discos brasileiros, ainda tenho que ouvir alguns antes de fazer um top. Se eu conseguir, faço.

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