Os discos da minha vida (15)

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Outro dia eu estava pensando em como foi oportuna a ideia de criar um ranking interminável para ser publicado semanalmente. Acontece assim: quando bato o olho neste sítio e penso “que terrível perda de tempo!”, o que me impede de meter uma pistola na têmpora do teclado é esta listinha aqui. Esta lista. “Um post de cada vez, um post de cada vez”, eis o mantra do blogueiro suicida.

Então vamos: neste capítulo da série Os 100 discos que fizeram da minha vida um lugar mais agradável (pelo menos por algum tempo), dois caras estranhos que eu não convidaria para um brunch.  

O bacana nesta história de rankings loooongos é que me sinto muito livre para trapacear e mudar algumas peças do jogo enquanto ele transcorre – e sem que vocês percebam. Tudo com a boa intenção de fazer com que a lista definitiva não traia o conceito original da empreitada. Isto é: um ranking sentimental, meu e de mais ninguém; um ranking egoísta e narcisista, a cara deste blog (e, quanto mais penso nisto, mais vontade tenho de abandoná-lo; que blogzinho estúpido e autocentrado, meu deus).  

Eu conheço estes discos como a palma da minha mão cabeluda, mas vocês, muito sortudos, muito inteligentes, muito curiosos, mas talvez um pouco desinformados, têm a chance  de conhecê-los sem muito esforço, num clique (e perdoem a bagunça dos arquivos, mas infelizmente não se pode ter tudo mastigadinho nesta vida). Vamos à rotina, pois bem.   

072 | Teenager of the year | Frank Black | 1994 | download

Não é o disco que contém I heard Ramona sing (uma das canções perfeitas que brotaram neste nosso mundo cruel), mas é aquele que soa como o sonho frenético de um adolescente com muitas ideias, muitas melodias, muitos riffs explodindo na cabeça. Ainda tenho certeza de que alguém obrigou Frank Black a gravar estas 22 canções aceleradamente, apressadamente, questão de vida ou morte – havia uma bomba perto do estúdio e ela estouraria em cinco, quatro, três. São algumas das canções mais luminosas que ele escreveu (dentro e fora do Pixies), mas o que choca é como muitas deles são compactadas num formato minúsculo, em pílulas coloridas. Lição do dia: as canções são suas e você as manipula do jeito como bem entender (elas são inesquecíveis de uma forma ou de outra e você sabe disso; para que tanta cautela?). Há quem chame isso de loucura. Eu chamo de liberdade. Top 3: (I want to live on an) Abstract plain, Fazer eyes, Space is gonna do me good.  

071 | Scott 4 | Scott Walker | 1969 | download

O mundo de Scott Walker se tornou mais pantanoso a cada álbum – até o ponto em que o homem só conseguiria gravar discos que soassem como instalações de arte (e belas instalações, diga-se). Em Scott 4, o pop ainda encontrava frestas no nevoeiro. Com uma faixa de abertura chamada The seventh seal e uma canção “dedicada ao regime neo-stalinista”), é o disco em que Walker expande graciosamente os limites do próprio estilo – ainda com arranjos que fazem a alma tremer, mas com sinais de soul e country que desfazem antigas impressões que tínhamos a respeito dele. Os ingleses não entenderam nada: ignoraram o disco. No entanto, foi esse caminho árido que, com muita valentia, Scott tomou – um cavaleiro cada vez mais solitário, escuridão adentro. Top 3Boy child, The seventh seal, On your own again.

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10 comentários em “Os discos da minha vida (15)

    Daniel disse:
    novembro 17, 2010 às 2:27 pm

    Tiago, eu não gosto quando vc volta com esses pensamentos sobre fechar o blog, mas preciso te dizer: quando batem essas crises teus textos ficam ainda melhores…rs

    (nem um pingo de ironia no q eu disse)

    Vou passar meio em branco nesse post, nunca ouvi nada de Scott Walker…e esse do Frank Black é aquela velha (em todos os sentidos) história: provavelmente ouvi, mas não “marcou”.

    Provavelmente pq eu nunca fui fã de Pixies, e depois de rever a obra deles continuo não sendo. Ressalte-se q dizer isso lá pelos idos de 92, 93 era correr risco de morte, pelo menos nos círculos q eu frequentava.

    Meu disco preferido é o Bossanova.

    Daniel disse:
    novembro 17, 2010 às 2:28 pm

    Reconheço a influência deles, óbvio, em bandas q eu sempre gostei, como o Nirvana.

    Tiago Superoito respondido:
    novembro 17, 2010 às 2:40 pm

    Daniel, é impressão minha ou, de uns posts pra cá, você tem se mostrado um pouco ‘do contra’? hehe.

    Mas bacana isso: nunca vi quem gostasse do Nirvana e não do Pixies. Mas aguarde que os dois vão aparecer nesta lista – daqui a alguns meses, acho. :)

    Daniel disse:
    novembro 17, 2010 às 2:50 pm

    É impressão sua !! hehehe

    É apenas um comentário, o fato de eu não curtir ou não conhecer não significa em absoluto q eu esteja criticando a inclusão na tua lista; ora, a lista é sua, pessoal e intransferível, como eu iria dizer “não pode”?. E mesmo não sendo fã, eu sei q qualquer lista de “melhores” ou “maiores” sempre incluirá algo do Pixies, seja a lista de caráter objetivo ou subjetivo. Eu sei da importância deles.

    Acredite, eu não sou “do contra” nunca, sou sempre a favor, não gosto de gente do tipo “se todo mundo está gostando, eu a priori detesto”.

    Daniel disse:
    novembro 17, 2010 às 2:59 pm

    Quanto ao Pixies e o Nirvana, vc tem razão, na verdade é a diferença entre o “gosto” e “sou fã”.

    No caso do Nirvana, há uma questão meio “sentimental” aí, eu vi os caras surgirem, eu vi os boatos sobre o fim da banda durante a gestação do In Utero, eu vi os escândalos, eu vi (de corpo presente) o show auto-destrutivo deles aqui em 93, eu vi na TV quando falaram q Kurt Cobain havia sido encontrado morto.

    A época áurea do Pixies é um pouco anterior ao despertar do meu REAL interesse por música.

    A influência é evidente, mas eu sempre achei o pop do Pixies mais “envenenado” do q o do Nirvana; mesmo o disco anti-comercial do Nirvana, o In Utero, tem várias canções bem assimiláveis. Aos meus ouvidos o Trompe Le Monde é bem mais “difícil” (maldito texto cheio de aspas), fazendo um paralelo.

    E a essa altura vc já deve saber, eu prefiro o pop mais redondo :)

    Tiago Superoito respondido:
    novembro 17, 2010 às 3:57 pm

    Também tenho uma ligação mais forte com o Nirvana. Vivi aquela época, comprei o vinil do Nevermind, etc. Acabei conhecendo o Pixies um pouco depois, com um distanciamento inevitável. Mas, ainda assim, acho que o ‘In Utero’ é mais ‘difícil’ que o ‘Trompe le monde’.

    Daniel disse:
    novembro 18, 2010 às 10:33 pm

    Mudando radicalmente de assunto: vc vai no show do Paul?

    Tiago respondido:
    novembro 18, 2010 às 10:52 pm

    Estarei lá. No domingo, pista. Você vai?

    Daniel disse:
    novembro 19, 2010 às 12:56 am

    Tbm estarei lá !! Não podia perder esse show em hipótese alguma.

    Eu vou de arquiba vermelha especial, domingo. Eu tbm preferia pista, mas seria preciso chegar super-cedo pra não ficar muito longe do palco, esperar horas a fio em pé…não tenho mais idade pra isso, ainda por cima num show de 3 horas.

    Tem q rolar um post pro show depois, hein? ;)

    Tiago Superoito respondido:
    novembro 19, 2010 às 2:00 am

    Um post sobre o show do Paul McCartney? Pô, mas aí eu vou ter que escrever sobre os shows do Planeta Terra também, hehe… E acho que não tem muita gente interessada nenhuma das duas coisas.

    Cada vez me pergunto se alguém está lendo, sabe como é?

    Mas vou pensar. Se eu não terminar esta viagem a SP morto de cansaço, escrevo sim.

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