Drops | Mostra de São Paulo (3)

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'As quatro voltas', de Michelangelo Frammartino

Tudo vai dar certo | Alting bliver godt igen | Christoffer Boe | 1.5/5 | Numa reviravolta que só pode ser descrita como estúpida, o thriller de Boa esvazia sem piedade uma ideia mais ou menos instigante (ainda que desgastada: quantos são os filmes sobre pecados de guerra?). O estilão afetado do cineasta, com closes e cores quentes em profusão, me lembrou daquelas mobílias que encontramos em lojas caras e “sofisticadas”: design arrojado, mas pouco resistente.

A primeira coisa linda | La prima cosa bella | Paolo Virzi | 2.5/5 | Novelão italiano que soa como um contraponto melodramático (e menos imaturo) a Eu matei minha mãe, de Xavier Dolan. Tem momentos cômicos até fortes, mas por que gastar 124 minutos com o que pode ser dito em 80?

!!! As quatro voltas | Le quattro volte | Michelangelo Frammartino | 4/5 | Um dos mais elogiados na Mostra até aqui, e logo nas primeiras cenas entendemos o porquê: Frammartino compõe imagens a partir da observação de ciclos da natureza (em alguns momentos, o filme deixa a impressão de um documentário sobre os bichos e os homens de uma pequena aldeia), mas sempre com o rigor de um bom ficcionista. Uma narrativa absolutamente sob controle (e talvez polida demais, em alguns momentos): de supetão, o protagonista sai de cena; mas, na plateia, continuamos hipnotizados.

Os amores de um zumbi | The loves of a zombi | Arnold Antonin | 2/5 | Minha vontade, admito, é de elogiar qualquer fita trash haitiana que acompanhe o calvário de um zumbi romântico, perdido num país de mortos-vivos. Mas esta aqui me parece muito mais provocativa e engraçada na teoria do que na prática (imagine uma novela da TV Manchete TV Distrital de Brasília reeditada em 90 minutos; você se diverte nos primeiros trechos, se entendia logo depois). Apesar da precariedade também narrativa, não há como negar: o formato tosco (sem gore!) combina com um filme que cita Buñuel, mas parece mesmo é uma versão subdesenvolvida (e aí não vai nenhuma crítica, só uma constatação) do horror político de Romero.

PS: Comparei os zumbis haitianos às novelas da Manchete e logo depois me arrependi. Como o Rudá bem apontou na caixa de comentários, uma boa novela da Manchete editada em 90 minutos muito possivelmente renderia um filme interessante. Talvez eu tenha pensado nas novelas mais precárias da emissora, ou naquelas que são produzidas para a TV Distrital de Brasília, toscas e divertidas.

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4 comentários em “Drops | Mostra de São Paulo (3)

    Rudá Lemos disse:
    outubro 25, 2010 às 1:35 pm

    se reeditassem pantanal ou xica da silva em 90 minutos seriam os melhores filmes nacionais de todos os tempos.

    Diego disse:
    outubro 26, 2010 às 3:10 am

    Deu o braço a torcer sobre As Quatro Voltas. Rá.

    valente disse:
    outubro 26, 2010 às 5:54 am

    rapaz

    o christoffer boe é um destes cineastas que depois de ver 1.5 filmes eu coloquei na lista dos “nunca mais ir ao cinema, de jeito nenhum”. pelo que ando ouvindo, nada de errado com isso.

    Tiago respondido:
    outubro 26, 2010 às 9:44 am

    Engraçado que, depois de ter comparado o filme do zumbi às novelas da Manchete, logo pensei nas boas novelas da Manchete e me arrependi… Mas eu estava pensando nas mais vagabundas. Na verdade, acho que eu estava pensando mesmo era nas novelas locais que produzem para a TV Distrital de Brasília, coisas muito toscas e divertidas. Acho que você entendeu.

    Diego, você me convenceu.

    Valente, acho que é o primeiro filme dele que vejo. Não verei outros.

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