Superoito e a importância das coisas

Postado em Atualizado em

Eu estava dormindo, talvez no terceiro sono, quando ouvi o telefone tocar. Era um ruído tão nítido e alto – um som tão verossímil – que parecia real. Mas não era. No visor do meu aparelho, nenhuma chamada perdida.

Na noite seguinte, saltei da cama com o zunido robótico. O telefone brilhava, tremia, mas eu não conseguia alcançá-lo. Depois o barulho cessou. Ainda me pergunto se não foi um sonho.

Passei outras madrugadas flutuando em delírios telefônicos. Minha mente, que se entedia facilmente, criou uma jukebox de barulhinhos digitais para me entreter. Tive um pesadelo: um orelhão alaranjado engolia o meu pai (pelas pernas).

Ninguém, anote aí, termina um namoro de seis anos e depois deita a cabeça no travesseiro, conta carneirinhos. Eu sabia disso. Mas era uma semana assombrada.

Resolvi pedir conselhos à minha mãe, que é psicóloga e (mais importante) uma das pessoas mais práticas que conheço.

– Se você está sonhando com telefones e eles te irritam, Tiago, tem coisa aí.

– Sei que tem. Só não sei o que é.

Ela precisou de cinco minutos para refletir sobre o assunto. Enquanto corrigia as provas dos alunos, me ofereceu uma explicação para a crise:

– Vocês terminaram o namoro por telefone, não foi?

– Foi.

– Ela ligava de madrugada? Interrompia o seu sono?

– Isso acontecia.

– Então eureca.

Entramos os dois, mãe e filho, para o livro dos recordes: a consulta mais veloz da história da terapia.

Acontece que a solução para o enigma, ainda que óbvia, não curou a minha síndrome. Foi dolorido – e ainda é – descobrir que o término de um namoro longo deixa resquícios sentimentais que, como latas de alumínio e embalagens de plástico, demoram muito – anos! – para serem absorvidos, integrados ao nosso ecossistema.

Admito que me aborreci quando notei que meu pobre cérebro – tão novo, com um futuro promissor pela frente – havia se transformado num depósito de traumas e frustrações. Havia um monstro de lixo às turras com os meus neurônios, armando castelinhos com a minha massa cinzenta e perturbando o meu sono.

São quase dois meses desde o dia em que, numa demorada chamada de longa distância, nos despedimos e desaparecemos. Fim do filme (e do cinema). Dois meses! Talvez o meu cérebro estivesse tentando me alertar de que havia chegado o momento: eu deveria finalmente enfrentar aquela noite terrível. Antes que ela me engolisse (pelas pernas).

Mas por onde começar? Foi uma ligação tão amarga e tão franca, um adeus tão cheio de afeto e de rancor, um aceno em slow-motion, um trem saindo vagarosamente da estação, saindo e voltando e depois saindo naquela velocidade enervante de tão lenta. Uma rendição. Como nós chegamos lá?

Quando tento reprisar as cenas, minhas memórias bloqueiam certos trechos e criam outros que (tenho certeza) não existiram – não naquela noite, não naquele telefonema. Lembro principalmente dos momentos mais patéticos, que me expuseram ao ridículo (para ela e para mim mesmo). Talvez o tempo me ajude no resgate dos diálogos essenciais.

As falas ridículas – sobretudo elas – ainda me desnorteiam. Ainda me chocam. É como se eu não tivesse dito nada do que eu disse. Nada. A despedida me transtornou de tal forma que, não sei como, me desvendou. Ou, quem sabe, criou uma persona, um ser de ficção. Ou (e admito que essa é a alternativa correta) revelou os grãos ocultos que compõem a minha personalidade.

Em um determinado momento da nossa despedida (e disso lembro com clareza), eu estava chorando, soluçando, eu era um bebê de fraldas sujas, eu era um órfão, eu era um vira-lata sem dono, eu era a imagem de um homem sem músculos e ossos, eu estava totalmente arrasado quando eu disse algo assim:

– Você está indo embora, não está? Está, não está? É definitivo, não é? É para sempre, não é? Então eu prometo a você: em algum momento da minha vida, não sei se cedo ou tarde, não sei quando, eu vou fazer alguma coisa importante!

E só não jurei por deus porque seria uma infantilidade. 

Dias depois, me perguntei sobre o sentido daquela promessa. De onde ela havia aparecido? O que ela representava? Qual era o sentido daquilo? Por que eu havia prometido que faria “alguma coisa importante”? Justo eu, que sempre me considerei um sujeito sem grandes ambições, com os pés grudados no chão, um homem que se satisfaz com, digamos, as coisas simples da vida, com os pequenos clichês do universo, com um gesto de carinho, com bons filmes e discos, com batatas fritas! Por que diabos eu estaria empenhado em fazer “alguma coisa importante”?

Mistério.

Até tentei me enganar com aquelas velhas desculpas: você estava nervoso, Tiago, e quem está nervoso fala qualquer bobagem. Ou: você costuma falar bobagens quando está nervoso. Ou: quando nervoso, você é um bobo. E inúmeras combinações de palavras. Bobeira. E nervosismo.

Mas não: se prometi algo tão sério, tão grandioso, talvez era algo que dizia respeito aos meus desejos insondáveis. Eu, Tiago, garanti à minha ex-namorada que faria “alguma coisa importante”! Por que não prometi algo exequível? Por que, por exemplo, não prometi que manteria meu blog até janeiro? Ou que compraria um fogão para o apê? Ou que aprenderia a fazer lasanha? 

Imagino o que teria acontecido se ela, minha ex-namorada, tivesse saído com uma promessa tão bombástica: “Tiago, segure-se na poltrona: eu vou fazer alguma coisa importante”. Eu compraria um saco de pipoca (tamanho família) e ficaria esperando.

Lá na dimensão paralela onde ela vive, minha ex-namorada (ainda tenho direito ao pronome possessivo?) estará à espera da coisa importante que eu, num belo dia, farei.

Me pergunto, no entanto, que coisa seria essa. Tai: se meu cérebro é capaz de me surpreender com uma revelação desse tamanho (meu desejo por “coisas importantes”), por que ele não explica o nome dessas coisas? Em sonho, num flash alienígena, num bilhetinho de guardanapo, na borra do café, num programa misterioso de tevê, num torrent contrabandeado, num trailer falso de cinema. Qualquer dica me interessaria.

Quando faço cálculos, percebo que eu já deveria ter começado a realizar “coisas importantes”. Tenho 31 anos e reconheço que perdi décadas e mais décadas metido em atividades desimportantes. Não tive filhos, não abri uma empresa nem comprei um apartamento, não colaborei para organizações não-governamentais, não assaltei bancos, não me candidatei a nada, não fiz parte de uma banda, não escrevi um livro, não ganhei campeonatos esportivos, não fui síndico nem mesário, não venci prêmios de jornalismo, não recebi resposta positiva quando arrisquei um “casa comigo?”.

Fui, e sou, um sujeito mediano. Um fracasso especialmente nesse ramo: o departamento das coisas importantes. Melhor: das coisas que talvez sejam as importantes (esses conceitos ainda me confundem).

Talvez por isto, por ser quem eu sou, eu tenha feito a promessa – para a minha ex-namorada, para mim mesmo. O que eu quero, profundamente, é fazer algo importante. Algo que deixe marcas. Algo que escreva o meu nome no livro do mundo. Algo que sopre aqui nessa peça de argila o vento da imortalidade. Superoito, o mito, o pai, o mestre, o exemplo, o oráculo, presidente da República (seria pedir demais?). Mas não sei se as coisas importantes me querem por perto.

Pior: elas, as mais visíveis entre as coisas importantes, nunca me atraíram. Eu as desdenho. Eu as ironizo. Eu faço pouco caso, como se eu estivesse acima delas. Possivelmente por covardia. Possivelmente por medo de errar. Possivelmente por negar desejos que me parecem ordinários. Talvez por isso, por ser um sujeito que se sabota, eu me doado tanto a um namoro que, desde o início, estava fadado ao fracasso, à irrelevância, a não concretizar nada que importasse a pessoas que se importam com coisas importantes. O que fiz, percebo agora, foi ganhar tempo. Mas para quê?

No mais, não sei nem mesmo o que, entre todas as coisas, é verdadeiramente importante para mim. Não é escrever um livro, não é fazer um filho, talvez tudo isso, talvez nada. Diga, Tiago: para onde vamos agora?

Foi então que, metido nesses pensamentos improdutivos e enlouquecedores, parei de sonhar com telefones. E, vocês sabem, sobrevivi ao fim do mundo. Os escombros que se amontoam nesse meu deserto, no entanto, só revelam o quanto eu continuo perdido.

36 comentários em “Superoito e a importância das coisas

    Marcus Pessoa disse:
    outubro 16, 2010 às 12:23 am

    Ah, Tiago, se eu fosse seu amigo “de carne e osso” eu te dava um abraço, e dizia que o departamento de coisas importantes é enorme, tem ramificações em todos os departamentos dessa empresa multinacional chamada humanidade.

    Quando eu tinha por volta de trinta anos eu também ficava pensando isso, nas coisas “importantes”, pelo nosso hábito de pensar em mirabolâncias pra lidar com as frustrações que vêm vindo. Até que a gente entende que lidar com as limitações das coisas é o que nos faz humanos e civilizados. Perspicácia, aprendizado com a vida, olhar além da cerquinha do jardim, isso são “realizações” importantes, e digo mais, as mais importantes.

    O diagnóstico é excessivamente lacônico e possivelmente não vá ajudar em nada. Mas peça para um amigo em que você confie muito, que seja calejado nessas coisas, pra ele te dizer se não é perfeitamente possível apenas deixar o tempo passar e esperar que tudo vai ficar bem.

    A nossa capacidade de enfrentar percalços mantendo um sorriso desafiante no rosto é inesgotável.

    Tiago Superoito respondido:
    outubro 16, 2010 às 12:34 am

    Opa, Marcus, valeu pelo abraço! :)

    E espero que você esteja certo: o tempo ajuda, deve ajudar. Pessoas que enfrentaram muitas vezes esse tipo de situação, que terminaram dezenas de namoros e sofreram muitas frustrações, me aconselham a esperar. E vou esperar – elas sabem mais do que eu.

    jv disse:
    outubro 16, 2010 às 1:21 am

    que post…
    gostei das palavras.
    te mando tb um abraço ae, tiago.

    Guilherme disse:
    outubro 16, 2010 às 2:23 am

    Tiago,
    acompanho seu blog há algum tempo só que nunca cheguei a comentar aqui. Mas depois de ler esse texto me senti na obrigação de fazer isso.

    Que Post cara, Que Post!!
    Não vou tentar dar conselhos, não sou bom nisso e acho que me enquadro nas pessoas que sabem menos que você. Mas queria pedir uma coisa desde já: não pára com o blog, seria um desserviço.
    Abraço Tiago.

    cavalca disse:
    outubro 16, 2010 às 2:34 am

    Lindo, lindo.

    Estaria teu blog em perigo?

    Tiago respondido:
    outubro 16, 2010 às 2:35 am

    Valeu, JV. Abraço.

    Obrigado, Guilherme. Mas vejo este post mais como um desabafo, e tá muito desencontrado. De qualquer forma, valeu por acompanhar o blog. Espero que ele não te decepcione. :) Abraço.

    Tiago respondido:
    outubro 16, 2010 às 2:35 am

    Tirando o fato de que SEMPRE penso em terminar com o blog, Cavalca, tá tudo na mesma.

    Felipe Queiroz disse:
    outubro 16, 2010 às 4:50 am

    Ah! Que isso cara! Você só precisa sair um pouco, pegar umas mulheres e tudo mais se resolverá.
    eheh ;)

    semionato disse:
    outubro 16, 2010 às 6:57 am

    tiago, se você for um sujeito mediano, é no mínimo o crème de la crème da maisoumenidade. vá ler minhas poesias. they’ll show you the way.

    abraços.

    Renan disse:
    outubro 16, 2010 às 10:43 am

    A dor e o texto. Por isso, força aí, Tiago.

    Tiago respondido:
    outubro 16, 2010 às 1:12 pm

    …E a intenção era escrever um texto engraçado sobre sonhos e atos falhos. Mas ok, tá certo, é o meu retrato, nem tem como esconder. Outro dia eu estava selecionando as músicas pra próxima mixtape (e a ideia é fazer uma mixtape mais leve e despreocupada), daí fui ouvir e estava uma tristeza sem fim. Meu cérebro me traindo mais uma vez.

    Abraço, Felipe, Semionato, Renan.

    Ciro Marcondes disse:
    outubro 16, 2010 às 2:05 pm

    Thiago, de alguém que também passou por esse fim de 6 anos de namoro (e reatou, mas isso é outra história), fica aqui um voto de cumplicidade, sonhos perturbadores, acessos inverossímeis de baixa autoestima, alguns problemas com a importância de certas coisas e um sentido gratificante de sublimação.

    Um abraço!

    K. disse:
    outubro 16, 2010 às 3:20 pm

    Muito bonito! Quando encontrar água no deserto, avise onde, quero saber também.

    Guilherme. disse:
    outubro 16, 2010 às 5:11 pm

    Será que este seu blog, por acaso, que você pensa tanto em terminar, não é exatamente uma dessas coisas as quais você poderia chamar de importante, seu Tiago? Até porque, conforme você mesmo já colocou, a definição de ‘importância’ é muito relativa. Digo isso porque assim como os leitores acima, todo dia ao acessar a internet eu corro aqui e fico muito feliz e recompensado em ver seus textos novos, cheios de sutilezas e enfoques autênticos sobre essa tão tensa relação estabelecida entre a vida e a arte. Pouquíssimos resenham como você. Por exemplo, eu detesto Arcade Fire, acho uma banda ultrasuperestimada e de repente, sua resenha me pareceu tão mágica que – se eu já não tivesse baixado o Suburbs – assim eu teria feito na hora. Isso sem contar nos textos intimistas sobre seu padrasto ou sobre seus dilemas de vida que são realmente profundos e que em várias situações fazem muito sentido para quem está do outro lado da tela. Certamente isso eu chamo de algo verdadeiramente importante. Claro que, por render momentos de extrema alegria e cumplicidade, ainda que sem saber, eu desejo que as coisas possam se encaixar em sua vida pessoal. Você sabe que não é simples. Mas a vida é essa montanha russa, não é mesmo. Fica aqui o meu sincero abraço, rapaz, e o desejo de que as pedras no seu caminho apontem para uma trilha nova, um destino fora do destino.

    semionato disse:
    outubro 16, 2010 às 5:28 pm

    esse guilherme aí de cima soa tão mais centrado que eu. é terrível.

    Tiago respondido:
    outubro 16, 2010 às 6:18 pm

    Pode ficar tranquilo que aviso, K.

    Valeu pela cumplicidade, Ciro. Tenho certeza de que as coisas vão melhorar. Textos alegres virão.

    Guilherme, muito obrigado por tudo isso que você escreveu, meu velho. Blogs são, acho que por definição, coisas desimportantes. Mas é bacana saber que esses textos meio toscos, desajeitados, têm a capacidade de inspirar outras pessoas… Este blog, você sabe, é quase invisível: não está grudado em nenhum portal, a divulgação é zero, trato como se fosse um bloco de anotações mesmo. Saber que há pessoas que descobrem o blog e se interessam por ele, acompanham… Isso ainda me impressiona. Abraço.

    Érico disse:
    outubro 16, 2010 às 7:35 pm

    Eu entro todo dia aqui só pra conferir se o S8 ainda continua com o blog…

    Faz pelo menos uns 4 anos que ele ameaça!

    Guilherme. disse:
    outubro 16, 2010 às 7:37 pm

    Apenas para fechar esse diálogo, rapaz, ler este seu texto, assim como principalmente a sua última fala me fez recordar um clipe do ‘pai da pieguisse’, nosso ilustre Frejat: aquele de animação bonitinho que o personagem fica querendo ir para a lua e quando chega lá constata o ‘óbvio ululante’, qual seja, que aquilo para o qual ele atribuiu tanta importância na verdade não era tão importante assim, ou ao menos não o satisfez da maneira como ele esperava. Claro que essas elucubrações provavelmente já devem ter passado pela sua cabeça em algum instante. Mas eu acho que uma coisa é a gente, de dentro, pensar sobre elas; outra é alguém de fora nos dar certo atestado de coerência. A ‘arte’ de alguma maneira faz isso: mostra que não somos tão solitários quanto supomos, que existem outras pessoas que pensam de forma semelhante, o que fatalmente nos traz algum conforto. E é exatamente esse conforto que os seus leitores tem aqui no seu blog. E sendo assim, o seu texto, ou indo um pouco mais adiante, a sua proposta de escritura, essa sua ‘biografia por meio da arte da escrita, do jornalismo cultural’, cumpre o mesmo dever de um ótimo livro, um grande disco ou filme que eventualmente a gente venha a assistir. Basta ver o retorno carinhoso dos seus leitores. De modo que a importância não vem de fora, mas no sentido que você atribui a sua ação. Enquanto você achar que faz sentido escrever, para você mesmo, escreva e continuaremos a ser agraciados com seu texto – e esse é um grande adjetivo – sincero. E mais uma vez eu sei que você sabe disso, grande rapaz! Outra coisa, dimensão não diz respeito a importância: os que frequentam seu blog tem uma ligação afetiva com ele muito maior do que teriam se ele fosse um blog ligado a um enorme portal de comunicação. Isso principalmente porque o seu blog é efetivamente o que poderiamos chamar de ‘um canal de comunicação’, onde efetivamente existe uma possibilidade de diálogo principalmente por conta de seu zelo e disponibilidade em replicar os comentários. Um bom paralelo em relação a repercussão do seu blog aconteceu em relação a banda goiana Violins. Mesma coisa: conteúdo autêntico, tocante, além de uma relação de carinho e consideração por parte da banda com os seus ‘fãs’. Mas um ‘fanatismo’ que é construído não a partir do mito mas, ao contrário, da proximidade. Além disso, existem muito mais pessoas que leem seu blog do que você supõe! Hahaha! Bem, eu mesmo já indiquei ele para várias pessoas que, assim como eu, ainda que não comentem, o leem assíduamente! É isso, meu chapa! Força, afinal, para nós leitores você é um cara bastante importante. Fato.

    Tiago Superoito respondido:
    outubro 16, 2010 às 9:24 pm

    Érico, mas você não pode dizer que eu deixei de cumprir várias dessas ameaças. Já fechei uns cinco blogs! Mas este aqui até que vai durando…

    Guilherme, eu tento escrever da forma mais franca possível por admirar textos (e canções, e filmes) de pessoas que têm a coragem ou a cara-de-pau de não se esconder (e, na maioria das vezes, as pessoas se escondem atrás das palavras – e eu entendo o porquê). Mas sei que é um risco: pra muita gente, blogs com esse perfil são exercícios de narcisismo e, por isso, eles não têm importância. Entendo esse tipo de crítica e, veja bem, são pouquíssimos os blogs que leio… Mas procuro narrar as minhas experiências de uma forma que seja ‘legível’ a qualquer um, que trate de angústias que talvez digam respeito a pessoas que têm a minha idade e que vivem situações parecidas… Pode parecer gratuito, mas espero que não seja. Não faria sentido contar simplesmente que comi mamão no café da manhã e que minha conta bancária está a perigo. Talvez eu esteja tentando, com esses textos, construir alguma coisa, alguma ideia que não sei ainda qual é.

    Mas é legal perceber que existe algum interesse (mesmo que pequeno) por um blog com textos tão longos e confusos, muito sentimentais, pessoais… Resenhas de filmes que não falam exatamente sobre filmes, textos de música que não falam exatamente sobre música – e por aí vai.

    Guilherme. disse:
    outubro 16, 2010 às 11:18 pm

    Você entendeu bem onde eu queria chegar! Assim, na última mensagem que escrevi, tinha um encontro marcado e então não tive tempo de finalizar ou organizar as minhas idéias melhor. Mas eu queria dizer é que existe um tipo de jornalismo – que incidentalmente você faz aqui – que por ser taxado de antijornalístico – de acordo com os tais manuais e objetividades procedimentais – acaba sendo muito pouco explorado nos grandes veículos atualmente. E você aqui faz com maestria. Nem que você quisesse poderia ser taxado de narcisista. Você me parece excessivamente autocrítico para perder tempo com narcisismo. Afinal de contas você é muito simples mesmo quando vai tocar em assuntos complexos. Em outras palavras, seu blog não tem aquela ‘aura cult’ ou pedante que a gente vê muito por aí. É nisso que eu disse que reside a sua proximidade em detrimento de uma aura mística. É evidente pra qualquer um que você é inteligente, bem informado, mas em vez de se colocar por cima, você se coloca ao lado da gente. Eu formei em jornalismo, não exerço a profissão e não tenho tino nenhum. Mas em termos de jornalismo cultural, ainda mais via esse da área da internet, os lugares que mais me chamam atenção são justamente os que tem propostas distintas. Tinha o pessoal do Gordurama que era pura zoeira (http://web.archive.org/web/*/http://gordurama.com.br); tem o César do Indienation e o Fábio Galão que não ficavam em cima do muro; e tem você que literalmente escreve com o coração e traz a tona, corajosamente, a sua vida como argumento. Volta e meia eu mando mensagens do Orkut para a minha namorada com seus textos. E ela também fica hiper tocada. Eu penso que essas coisas do boca a boca embora não consigam jamais oferecer uma amplitude enorme, por outro lado acabam criando uma corrente muito forte e fiel. E eu também tinha esquecido de comentar sobre o tamanho dos seus textos. Pensei nisso também! Porque em tempos de internet a resenha tem que ter dois, três parágrafos e olhe lá. E você escreve o quanto é preciso. Isso mostra apenas uma coisa em que eu sempre acreditei: as pessoas não tem preguiça de ler texto grande; elas tem preguiça de ler texto chato. E o seu texto é envolvente, prende e de repente acaba. É como ver um filme de 3 horas e ele passar em 1; ou ver uma música como Dragon’s Lair do meu amado Krug, que tem 10 minutos e ela soar como se tivesse 4, 5. Fica aquele gosto de quero mais. E mais do que isso, ainda que a distância, por um desconhecido – ou por vários no caso do seu ‘pequeno grande’ séquito de fiéis seguidores do blog – fica não apenas a simpatia como também a curiosidade e a torcida para que você no seu caminho encontre seus ‘pequenos grandes’ momentos de alegria interior. Abração e boa sorte, rapaz!

    Pedro Primo disse:
    outubro 17, 2010 às 1:39 am

    Sobre o blog Tiago, foi depois que o conheci que começei a baixar música com mais frequência. Foi lendo seus textos sobre discos e filmes que eu decidi que queria um dia conhecer tanto de cinema e música como você e dai começei a escrever sobre esses assuntos também.

    Boa parte do que eu aprendi foi lendo aqui. Então, seu blog é uma bela de um inspiração pra mim. Acho que eu não conheceria hoje 1/3 das bandas que eu ouço se eu por acaso não tivesse caído nesse blog (e vale falar que conheci Interpol, Animal Collective, The New Pornographers, entre várias outras, as duas primeiras inclusive estão entre as minhas bandas favoritas hoje em dia).

    As vezes eu chego em casa cansado da faculdade, mas não deito sem antes ver se tem texto novo aqui. Então, eu tenho até que te agradecer por fazer esse blog.

    Parabéns, o texto é muito bonito, e muito bem escrito pra variar.

    Tiago respondido:
    outubro 17, 2010 às 3:19 am

    Guilherme, acho que você está exagerando, mas muito obrigado. Me deixou sem palavras. Agora vou dar control+c no seu comentário e guardar de lembrança, hehe. Esse tipo de elogio sincero é raro. E também acredito nisso que você escreveu: “as pessoas não tem preguiça de ler texto grande; elas tem preguiça de ler texto chato.” E isso vale não só para blogs, meu amigo…

    Pedro, você é leitor VIP do blog. Se você parar de ler, o blog acaba. Como sempre, valeu!

    Diego disse:
    outubro 17, 2010 às 1:55 pm

    Tu cuuuuuuurte um confete que sei.

    Tiago respondido:
    outubro 17, 2010 às 3:23 pm

    Lá vem o Diego estragar o momento…

    Mas amigos servem pra quê? Pra isso.

    Diego disse:
    outubro 17, 2010 às 3:36 pm

    Dê cá um abraço.

    Tiago Superoito respondido:
    outubro 17, 2010 às 6:32 pm

    Diego, vou contar uma história pra você:

    Eu conheci um cara que não curtia muito ironia. Mas esse cara morreu.

    Fim da história.

    semionato disse:
    outubro 18, 2010 às 2:59 am

    meu xará é meio chato.

      Tiago Superoito respondido:
      outubro 18, 2010 às 6:18 pm

      Deixe de ser implicante, Semionato.

    Mandrey disse:
    outubro 18, 2010 às 6:00 pm

    Um filme que assisti há décadas, chamado Passageiro do Futuro, terminava com todos os telefones do mundo tocando ao mesmo tempo. Mhuahahahaha

      Tiago Superoito respondido:
      outubro 18, 2010 às 6:20 pm

      Também vi esse filme. Mas foi há tanto tempo que nem sempre se gostei ou não.

    Érico disse:
    outubro 18, 2010 às 6:20 pm

    S8, acho que vc tem um lado meio emo!

    E quem não tem, né…

    Tiago Superoito respondido:
    outubro 18, 2010 às 6:24 pm

    Mas eu já escrevia esse tipo de post muito antes da onda emo…

    De qualquer forma, minha irmã diz que eu sou a cara do vocalista do Fresno.

    Talvez isso ajude a minha readaptação ao mercado amoroso. Pelo menos entre menininhas de 13 anos.

    charoles disse:
    outubro 20, 2010 às 12:28 am

    Eu descobri seu blog faz aproximadamente 10 minutos e aqui estou me vendo obrigada a comentar, porque você acabou de descrever algumas das minhas maiores preocupações com a vida em um texto muito, muito bonito.

    É isso. Claramente vou continuar a ler o resto.

    Mari disse:
    outubro 21, 2010 às 5:26 pm

    Como já devem ter dito aí, esse negócio de importância é muito relativo. Seu blog já virou referência pra mim. Comento com meus amigos “ah, o superoito disse tal coisa”, e outro dia até passei um texto seu pra um amigo que tinha terminado o namoro também. Nem sei o que é exatamente fazer algo importante, mas acho que… “tocar” as pessoas assim… deve ser, no mínimo, bem legal. Se isso ajuda em alguma coisa, aí já não sei :/ E esse negócio de ser perdido é um problema, mas ler seu blog, por algum motivo, ajuda.
    Espero aí que com o tempo você se sinta menos perdido. Abraços.

    Lau disse:
    outubro 21, 2010 às 6:42 pm

    Não tem ambições de escrever um livro, nem de ter um filho… Poderia um dia plantar uma árvore?
    Engraçado quando encontramos um blog como esse. Ele vai contra todas as ondas da maré atual. Tem textos longos e mostra o sentimento. E as pessoas vem até aqui, sentem, negam, comentam. Chego a conclusão que o mundo não cabe mesmo em 140 caracteres.
    Quanto ao fim do namoro, eu acho que sempre fica um pouco. Mesmo com outra pessoa, talvez toda vez que você ver um orelhão…pense nela. E isso não tem nada a ver com paixão ou amor, acho que isso se chama lembrança. E nós somos cheios delas, basta sentir um cheiro , ver uma embalagem e voltamos a infância, ao namoro, a tristeza. Acho que vi em algum lugar que o ser humano era como um filme, sendo preenchido com imagens,musicas,movimentos…

    Tiago Superoito respondido:
    outubro 21, 2010 às 9:03 pm

    Charoles, obrigado. Espero que o blog não te decepcione.

    Mari, no dia em que eu não me sentir tão perdido, vou escrever um post e, provavelmente, terminar com o blog. Mas não acredito que isso vá acontecer tão cedo…

    Lau, também me impressiono… Mais de 30 comentários pra um post longo sobre confusão mental… É um feito! :) Obrigado pelo elogio… Este blog deu uma sorte tremenda de ter sido encontrado por pessoas bacanas como você.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s