Os discos da minha vida (7)

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No capítulo de hoje desta novela da vida real, mais dois discos que provocaram vendavais de emoção e… Abreviando o melodrama: que marcaram a minha vida. É uma lista sentimental (e muito longa: são 100) que só termina quando acaba. Vocês sabem. 

Por coincidência, um post à inglesa. Como de costume, você pode se aventurar e fazer o download de discos que não vão te decepcionar na manhã seguinte.

088 | Brotherhood | New Order | 1986 | download

Num ranking sério, entraria Low-life, de 1985. Mas este não é um ranking sério. Ou, numa perspectiva menos destrutiva, este é o tipo de ranking sério que vê o New Order como uma das maiores bandas pop que o mundo conheceu. Pop, manja? E, olhando assim, Brotherhood resume muito bem a imagem que faço deles. É o meu preferido, mesmo que isso possa parecer piegas. Talvez não exista outro disco deles em que se note de tal forma o contraste entre os vocais macios (às vezes gélidos) de Sumner e o baixo corrosivo de Hook. Amor extremo. E (aí é certeza) não há nenhum outro disco deles com uma canção como Bizarre love triangle: soa tão simples, soa quase trivial, quase apelativa, mas vai nos acompanhar para sempre. Um tratado sobre os efeitos do pop. Top 3: Bizarre love triangle, Every little counts, Paradise.

087 | This is hardcore | Pulp | 1998 | download

Depois de Different class (1995), era até justo que se esperasse do Pulp uma obra-prima. This is hardcore não é isso. E, mais frustrante ainda (para quem esperava uma revolução), apresenta uma banda ainda mais sádica e distanciada — mais cinematográfica, digamos — do que aquele grupo que costumava narras as crônicas da juvenília britânica. O tema aqui é outro: os horrores da idade adulta. Ou (numa abordagem à Antonioni): o discreto tédio da burguesia. As melodias soam como muzak — mas, sob essa superfície artificial, Jarvis Cocker pega pesado no retrato de personagens corriqueiros, às vezes patéticos, acossados por rotinas que não os satisfazem. Um disco à Douglas Sirk, fadado à incompreensão: talvez irônico e ácido demais para caber numa prateleira de álbuns de brit pop. Top 3: Help the aged, Dishes, This is hardcore.

12 comentários em “Os discos da minha vida (7)

    Fred disse:
    setembro 21, 2010 às 4:02 am

    Mas não era toda quinta-feira?
    Episódio extra?
    Er, eu gosto muito do Different Class… Desse aí, eu gosto mesmo é de uma faixa extra – eu acho que é extra, pelo menos veio junto quando baixei -, Like a friend. É trilha de um filme dos anos 90 bem meia boca, mas acho a música muito boa.
    Eu tinha a impressão de que você ia dizer porque esses discos marcaram a sua vida e não simplesmente falar sobre eles… talvez quando chegar no top 20 a coisa fique mais pessoal, né?

    Marcus Pessoa disse:
    setembro 21, 2010 às 4:31 am

    Eu adoro aquela paradinha antes do final instrumental de Every Little Counts.

    Tiago Superoito respondido:
    setembro 21, 2010 às 9:51 am

    Não, Fred. A ideia é um post a cada segunda-feira. E estou tentando alternar textos mais pessoais com outros nem tanto… Pra não ficar chato.

    É, Marcus, bem lembrado.

    Diego disse:
    setembro 21, 2010 às 3:49 pm

    Douglas Sirk e Pulp, uma comparação que só Tiago Superoito faz por você

    Tiago Superoito respondido:
    setembro 21, 2010 às 4:23 pm

    Mas tem tudo a ver, Diego.

    Felipe Queiroz disse:
    setembro 21, 2010 às 9:34 pm

    Então quer dizer que futuramente aparecerá “Power, Corruption & Lies” e “Different Class”, correto?

    Fred disse:
    setembro 21, 2010 às 10:31 pm

    Devo ser o leitor mais distraído (porém assíduo) desse blog. (:

    Tiago Superoito respondido:
    setembro 21, 2010 às 10:41 pm

    Nem um, nem outro, Felipe. É lista sentimental, pô. A brincadeira é essa. :)

    Felipe Queiroz disse:
    setembro 22, 2010 às 1:24 am

    ahah, eu já imaginava e entendo, foi só pra cutucar mesmo ;)

    Daniel Dalpizzolo disse:
    setembro 22, 2010 às 1:20 pm

    Meu favorito sentimental do New Order é Technique. All The Way foi – e é – uma música inesquecível.

    Sobre o This is Hardcore, acho sim uma obra-prima, por mais estranho e errático que seja – ou justamente por isso.

    Daniel disse:
    setembro 22, 2010 às 6:03 pm

    Eu certamente ouvi na época o Different Class, já esse q vc selecionou não tenho certeza, tenho q ouvir pra saber.

    Mas eu só ouvi na época mesmo. Lembro q gostei muito do DC, mas as últimas audições foram lá pelos anos 90 mesmo. Muito provavelmente pq foi a época de ouro do britpop (bandas como Suede, Oasis, Radiohead, Verve, Supergrass estavam no seu auge).

    A concorrência era “desleal”…

    Tiago Superoito respondido:
    setembro 22, 2010 às 6:07 pm

    Technique é mto bom também, gosto muito dele. Não sei se considero obra-prima, mas This is hardcore é um disco que merece ser reavaliado. Nem acho tão errático, ele tem um clima que encobre todas as músicas. E gosto dele tanto quanto do Different class.

    Aguarde por discos do Blur e Oasis, Daniel. Mas, na lista, o brit pop fica nisso.

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