Os discos da minha vida (3)

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Voltamos a apresentar, após um breve intervalo, o ranking sentimental dos 100 discos que viraram a minha vida pelo avesso e não foram embora na manhã seguinte. Não me venham com cobranças de coerência ou bom senso – não desta vez, ok? Com vocês, meus amigos, mais um capítulo de uma incrível saga que começou há duas semanas (possivelmente num dia em que bati a cabeça na porta ou comi cereal estragado) e termina nem-deus-sabe-quando. Voilá.  

096 | Summer in Abaddon | Pinback | 2004 | download

Um álbum que, desde 2004, ouço semanalmente, religiosamente. É um mantra. Contém memórias do meu namoro (que se segura firme e forte) e de um dos melhores períodos da minha vida. E talvez nem seja um disco muito bom (mas garanto que ele é, no mínimo, intrigante). A arte do Pinback, aparentemente muito simples (construir, desmontar e reconstruir pequenos fragmentos de melodias, riffs e solos), sempre me impressionou por parecer exata, irretocável. Ouço os discos como quem admira uma cidade de miniaturas onde cada prediozinho se encontra no único lugar onde poderia estar. Mas Summer in Abaddon é especial já que acrescenta um elemento irracional a essa matemática: é como se um rio de lava derretesse lentamente essa cidadezinha e nos devorasse junto. Desta vez, a emoção venceu. top 3: FortressBloods on fire, AFK

095 | #1 Record | Big Star | 1972 | download

Quando comecei a juntar as peças desta lista, prometi a mim mesmo que não incluiria tantos discos de power pop. Mas cá estou me traindo, e logo de começo: não há como subestimar esse tipo de belezura (que, especialmente no lado B, soa tão pungente quanto os momentos mais pungentes dos Beatles e do Beach Boys, acredite em mim). Mesmo quando a belezura em questão me leva a um período terrível, em que eu era um rapazinho solitário que ficava no meu quarto remoendo amores platônicos por meninas impossíveis. That 90’s show. Mas passou. Hoje, ele soa como pop perfeito sobre sentimentos por vezes sangrentos: amor adolescente, nostalgia, pequenos prazeres, decepções e, claro, pôr do sol. “É ok olhar lá para fora”, eles avisam. Siga o conselho. top 3: Thirteen, Watch the sunrise, Feel.

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21 comentários em “Os discos da minha vida (3)

    Lucio in the sky disse:
    agosto 23, 2010 às 11:57 pm

    Você tem razão. O Big Star é quase uma personificação sonora dos Beatles, é como se o grupo de Liverpool tivesse seguido carreira nos anos 70. Gosto muito desse disco. Mas a canção que me marcou é a baladona folk I’m in Love with a girl, do álbum seguinte Radio city (1974). Adoro aquele vocal rascante, de desespero do Alex Chilton… “I’m in Love with a girl/Finest girl in the world/I didn’t know this could happen to me…”.

    Daniel disse:
    agosto 24, 2010 às 12:24 am

    Tiago, espero q vc saiba o bem q vc faz à Humanidade ao incluir na tua lista a obra-prima do Big Star.

    Quanto ao Pinback, te confesso: nunca ouvi falar !! 2004 foi um ano estranho pra mim…mas já estou fazendo o download, lógico.

    Tiago Superoito respondido:
    agosto 24, 2010 às 12:39 am

    Daniel, o do Pinback é mais importante pra mim do que será pra quase qualquer outra pessoa, haha. Já o do Big Star é obra-prima mesmo, não tenho o que acrescentar.

    Lúcio, Radio City também é um belo disco.

    Samuel disse:
    agosto 24, 2010 às 2:01 am

    O Pinback eu ouvi nos tempos de Adoro Cinema – estávamos aonde naquele período, A Hora da Zona Morta? Indicação sua e reforço do Diego, se não me engano (com Hugo Leonardo fazendo piadas por trás). Realmente um bom disco, mas já nem me lembrava mais dele.

    Big Star é sacanagem, na minha lista estariam todas as canções, b-sides, rascunhos, mashups, bootlegs, qualquer coisa que leve o power pop de Alex Chilton (incluindo o disco solo dele, de 1970, com uma versão pesadaça de Jumpin’ Jack Flash) na essência. Obra-prima pro #1 Record é pouco.

    Tiago Superoito respondido:
    agosto 24, 2010 às 2:08 am

    Você está falando do Blog da Zona Morta? Caramba. Nem eu lembrava mais disso. :)

    Adaptando o Mercury Rev: ‘Blogs, those funny little plans, that never work quite right…’

    Pelo que lembro, o Diego também curte o disco do Pinback. Mas não tenho certeza disso. O Hugo Leonardo certamente detestaria.

    Pois bem: então prometa que não vai ficar com raiva dos discos que aparecem ANTES do Big Star na lista, hehe.

    Daniel disse:
    agosto 24, 2010 às 4:28 am

    Eu gosto até do In Space, aquele disco de 2005 com os caras do Posies, apesar dele nem ter sido incluído na caixa do Big Star lançada ano passado…é como disse o Paolo Miléa (real dono do Power Pop Station, se é q blog tem “dono” – eu só passei a colaborar com textos meus há uns 2 anos):”se vc junta Alex Chilton, Jon Auer e Ken Stringfellow é difícil sair algo ruim”. Só acho q aquele disco tem várias boas idéias, mas me passam a impressão de inacabadas…acho tbm q o Chilton jamais “incorporou” totalmente aquele comeback.

    Chilton, aliás, q nos deixou há pouco tempo, logo seguido por Andy Hummell. Q faz com q a tua menção do Big Star seja mais relevante ainda :)

    Outro “big star”, tão fundamental quanto o Chilton, e q deixou uma obra incrível, é o Chris Bell. I Am the Cosmos é um dos troços mais sublimes q eu já ouvi na vida.

    Samuel disse:
    agosto 24, 2010 às 6:15 am

    Nada, confio no gosto, por mais que não concorde em alguns pontos (normal, toda lista tem um dono). Mas só de ter Big Star tá valendo. E sim, era o Blog da Zona Morta mesmo, um dos primeiros capítulos desse folhetim que a gente acompanha há anos.

    Só uma pergunta: você escolheu um disco por artista na lista ou vale repeteco?

    Tiago Superoito respondido:
    agosto 24, 2010 às 9:51 am

    Vale repeteco, Samuel. Tem banda com três, quatro discos na lista.

    Daniel, não gosto muito do In Space. Acho só ok, e concordo: também fiquei com a impressão de que o Chilton não embarcou na viagem.

    Diego disse:
    agosto 24, 2010 às 9:23 pm

    STOP! IT’S TOO LATE!

    Dois discos incríveis. Apesar de adorar o do Pinback, não imaginei que ele pudesse entrar na sua lista.

    Tiago Superoito respondido:
    agosto 24, 2010 às 9:37 pm

    É possível, Diego! Veja aí.

    Diego Maia disse:
    agosto 25, 2010 às 12:08 am

    Engraçado que ouvimos o disco na mesma época (você me apresentou, obrigado por isso!), mas numa fase meio nebulosa e de transição pra mim.

    Diego Maia disse:
    agosto 25, 2010 às 12:13 am

    Quero ver qual Wolf Parade você vai colocar aí.

    Tiago Superoito respondido:
    agosto 25, 2010 às 12:15 am

    Cara… (lá vem a decepção) Não tem Wolf Parade na lista! hehe

    Tiago Superoito respondido:
    agosto 25, 2010 às 12:15 am

    São poucos os discos do século 21.

    Diego Maia disse:
    agosto 25, 2010 às 12:45 am

    Que absurdo. Tem Pinback e não tem Wolf Parade?

    Tiago Superoito respondido:
    agosto 25, 2010 às 1:16 am

    Mas a coisa é absurda mesmo, eu expliquei desde o início.

    daniel pilon disse:
    agosto 25, 2010 às 1:51 pm

    Gosto do disco do Pinback, mas não me conquistou dessa forma na época.

    semionato disse:
    agosto 27, 2010 às 5:20 pm

    espero que o THIRD apareça ainda. os três álbuns do big star entram de algum modo no meu top 10, junto com 2 do gene clark (que espero ver por aí) e 5 da lucinda.

    e a lucinda? ouviste?

    — gostei da inclusão do gram parsons. gene clark é bem… à la. only better, infinitamente.

    uma coisa que não entendo é por que as pessoas parecem gostar bem mais do #1 que do radio. enfim, 3rd supera os dois, a meu ver.

    semionato disse:
    agosto 27, 2010 às 5:22 pm

    aliás, tu ouviu o keep an eye on the sky, a compilação de 4 discos com demos magníficos etc etc. do biggie lançada ano passado?

    e chris bell, já ouviu I AM THE COSMOS?

    Tiago respondido:
    agosto 27, 2010 às 5:47 pm

    Nenhum outro disco do Big Star na lista, Semionato.

    Baixei sua coletânea da Lucinda, ainda não tive tempo de ouvir. Está na fila aqui.

    Vou ouvir o I am the Cosmos.

    paulos disse:
    agosto 28, 2010 às 2:16 pm

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