2 ou 3 parágrafos | Os homens que não amavam as mulheres

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O primeiro filme da trilogia Millennium, escrita pelo jornalista sueco Stieg Larsson, é o mais novo produto de uma engenhoca programada para confeccionar adaptações de sucessos literários. A conhecemos bem. É um fenômeno industrial. Para não danificar a máquina, recomenda-se atenção às instruções: misture a trama do livro com atores minimamente competentes, adicione um diretor qualquer e o resultado (medíocre, mas eficiente) não vai ferir o paladar do sujeito que pagou ingresso para não ser surpreendido. 

Niels Arden Oplev, o cineasta de encomenda, tem um histórico de séries de tevê e, por isso, deve ter se preparado para o fato de que este filme não pertenceria a ele, mas sim aos roteiristas, aos produtores e, bem acima deles todos, ao próprio Stieg Larsson – que já morreu e, por isso, não teve direito a opinar sobre o resultado. A prosa de Larsson é cristalina e fluente, com flashes de elegância e algum comentário social (o livro, um thriller à Agatha Christie muito envolvente, dá um beliscão no jornalismo econômico medroso e bajulador que se pratica à rodo por aí). A direção de Oplev é, quando muito, genérica. Mas aposto que boa parte do público vai gostar de um filme em que muita coisa acontece.

No livro, Larsson criou um par de heróis que faria estragos se transferidos para uma série de tevê produzida pela HBO (e conduzida por David Lynch, sonhar não custa nada). Ele é o jornalista investigativo, birrento, mulherengo. Ela é a hacker incendiária, dissimulada, com um passado misterioso. O livro vem até com um mapa, para nos localizarmos na vizinhança da ilhota congelada onde se dá o mistério. O que mais me interessou no filme foi ver “as figuras”: as paisagens, a cor da ilha (um cinza-claro meio morto), os casarões decadentes. De resto, Os homens que não amavam as mulheres (2.5/5) se contenta em ser apenas um apêndice do best-seller. Cinema â mercê de literatura. E outras bobagens.

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2 comentários em “2 ou 3 parágrafos | Os homens que não amavam as mulheres

    Pedro Primo disse:
    maio 18, 2010 às 1:30 am

    Tinha acabado de baixar. É pelo visto minha semana vai ser de filmes bobinhos: A Estrada, Dr. Parnassus e esse ai. E ainda vi Tudo Pode Dar Certo, que pelo menos é engraçadinho.

    Consegui ver Like You Know it All hoje. Ótimo filme e a sua resenha (postada a algum tempo atrás) me ajudou a compreender um pouco mais o filme.

    Tiago Superoito respondido:
    maio 18, 2010 às 1:43 am

    Like You Know it All, ótimo mesmo. Mas fiquei sabendo do filme por causa do Filipe Furtado, então agradeça a ele, Pedro.

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