2 ou 3 parágafos | a-ha, uns chapas

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Depois do Guns N’ Roses, não sei se eu precisava de um show do a-ha. Mas me mandei pra lá. Fiquei um pouco emotivo no refrão de Take on me e sujei meu tênis numa poça de vômito (cor de beterraba). Acredito que consegui matar as células da minha pré-adolescência que sobreviveram ao bombardeio de Axl Rose.

Não foi um show ruim. Nem foi (como no caso do Guns) uma bela merda. Nada disso. Aos fãs brasilienses (todos loucos por um freak show de dimensões catastróficas), os noruegueses se mostraram estranhamente comuns. Uns chapas. Uns bróderes. A trilha sonora para esta performance é um mash-up de Ordinary world, do Duran Duran, com Common people, do Pulp. Tudo muito simplezinho. Enquanto Axl tenta macaquear os próprios tiques – como se 1991 fosse um estado de espírito, e não é! – este trio simpaticíssimo comete o crime de envelhecer junto com seu público, como se não dependesse dos velhos hits para sobreviver (ainda que dependa sim – as canções mais recentes soam como Keane meets Seal e, ora bolas, o pop é mesmo muito cruel). 

É a turnê de despedida, e eles agem como quem comemora o pedido de aposentadoria. Oh, folgas! Recesso por tempo indeterminado, manja? E o descanso vem a calhar. Lá pela quinta música, o vocalista anunciou que estava com uma infecção na garganta. Falou algo do tipo (e esta é uma tradução muito livre): “Olha, galera, o papai aqui está nas últimas, tem uma ambulância lá fora me esperando, as músicas vão ficar uma meleca, espero que vocês me ajudem cantando tudo o que vocês sabem. Ainda falta uma hora pra Take on me, vou avisando…” O estádio, coitado, caiu em desânimo. Mas eles têm sorte de contar com fãs muito educados (senhoras e senhores muito educados), que os ajudaram na agonia terrível de subir a Montanha dos Agudos Estridentes até que o maldito clipe de Take on me aparecesse projetado no telão (aliás, belo telão: de Discovery Channel a cartoons abstratos à Justice, teve de um tudo). Na maior parte do show, eu pude sentir a dor, o martírio do vocalista. Foi uma jornada muito tensa, exaustiva. O show deixou a sensação de que eles merecem férias. Era essa a ideia? Esses guerreiros. Esses chapas. Esses experts em Take on me. Eu me sensibilizo com a causa. E espero sinceramente que a ambulância tenha chegado a tempo.

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4 comentários em “2 ou 3 parágafos | a-ha, uns chapas

    Felipe Queiroz disse:
    março 17, 2010 às 5:26 am

    ahahah, me divirto com os seus posts ;)

    Só você mesmo para aguentar o A-Ha. Talvez porque eu seja de uma geração posterior.

    Alê Marucci disse:
    março 17, 2010 às 12:13 pm

    Fui ao show deles da outra vez que vieram (há uns cinco ano?) e me diverti.
    Quando eles vieram, no auge, e não pude ir ao show porque minha mãe ainda não me deixava ir a esse tipo de evento, pensei que fosse morrer de tristeza. Gravei o show numa fita cassete e o assisti até decorar a ordem das músicas.
    Vê-los depois de adulta não teve o impacto que teria se os tivesse visto na adolescência, mas cantei “Take On Me” feliz da vida, heheh.

    Tiago Superoito respondido:
    março 17, 2010 às 12:53 pm

    Mas foi divertido, Felipe. Só estou contando os dias pra ver um show em que eu consiga ouvir a voz do vocalista (Franz Ferdinand, talvez?)

    Pois é, Alê, eu ainda tenho o vinil de ‘Stay on these roads’, o da capa azul. Mas no seu show o vocalista conseguiu dar os agudos?

    Alê Marucci disse:
    março 18, 2010 às 1:47 am

    Sim. Ele não estava com infecção na garganta, heheh.

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